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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Cerveja

Há 37 "fatos" no caso Colina do Sol. Quatro deles (4, 6, 12, e 16) são de que os acusados "... ao oferecer festas dentro do Clube Naturista Colina do Sol, forneciam bebidas alcoólicas à vítima, passando esta a ingeri-las".

Há vários defeitos nesta acusação. Primeiro, foi redondamente negado pelos testemunhas ouvidas em juízo, inclusive os acusadores. Segundo, as festas acontecerem no restaurante da Colina do Sol, com uma pessoa encarregada de refrigerante, e outra de cerveja. Se os menores tivessem sido servidos álcool, seria da responsabilidade dos gerentes do restaurante. Terceiro, enquanto a promotora Dra. Natália Cagliari fala na acusação de "bebida alcoólica, produto cujos componentes podem causar dependência física ou psíquica" numa tentativa de encaixar-lá no Artigo 243 da ECA, há ampla jurisprudência do TJ-RS e da STJ, de que bebida alcoólica não se enquadra neste artigo, mais na lei da contravenção penal, Art. 63, com conseqüências bastante mais brandas, semelhantes às multas de trânsito.

Aplicação equilibrada da léi

Digo ainda que eu estava em Taquara durante Carnaval neste ano de 2011, e presenciei vários adolescentes, ou talvez até crianças, não somente bebendo mais visivelmente bêbados, na rua principal da cidade, durante um desfile patrocinado pelo poder público. Que uma violação ostensiva não foi repreendida, enquanto um boato não-confirmado resultou em denúncia, mostra a aplicação seletiva da lei.

Acusadores não confiáveis, evidências não conclusivas

O processo traz, antes da denúncia, a palavra de três acusadores, de que Fritz Louderback dava cerveja a menores. João Ubiratan dos Santos, vulgo "Tuca", nas fls 94-97, "Disse que nas festas ele paga comida e bebida a vontade para os meninos, inclusive bebidas alcoólicas." É notório que Tuca já foi condenado por seqüestro, e já aqui publicamos sua ficha criminal.

A segunda testemunha na polícia (fls. 447-449) de fornecimento de bebida alcoólica era funcionário de Etacir Maske, devedor de Fritz, que permaneceu na sala durante seu depoimento (entre fls 2280-89). (Ainda preciso escrever desta mulher que fala com os mortos - falou o que "ouviu dizer" de não uma mais duas pessoas finados, que assistiram o que nenhuma testemunha viva viu). Ela também afirmou que houve "festas de drogas e bebidas na Barracão" da Comunidade Católica, ao lado da Igreja de Morro da Pedra. Visitei o Barracão três meses depois das prisões, e freqüentei festas lá, também. É um ambiente saudável.

A terceira testemunha é Anerose Braga, aquela que sente "o prazer de mentir".

Apuração insuficiente

Os quatro "fatos" começam todas da mesma maneira:

Em datas não suficientemente apuradas nos autos, mas entre os anos de 2004 e 2007, em diversas oportunidades, na Localidade de Morro da Pedra, na Estrada da Grota, Beco do Araújo, mais precisamente nas dependências do Clube Naturista Colina do Sol ...

As festas aconteciam no restaurante, que teria alguma contabilidade. Aconteciam por exemplo no aniversário de Douglas, que acontece uma vez por ano. A promotora acertou em falar de "datas não suficientemente apuradas nos autos". Errou em não ter apurada a data de uma única festa, durante quatro anos de processo, com mais de 70 testemunhas, e quase 5.000 folhas.

Fotos com latas

Houve fotos com latas. Que não provam quem bebeu.
Houve, no micro de Fritz, fotos de seu filho Douglas e de Roberto Fedrigo, com latas de cerveja. Em três, as latas estão amontoadas em pirâmide; noutra, que peguei do Orkut do Roberto, estão segurando latas.

As fotos de lata vazias servem de prova de que foram esvaziadas pelos menores? Parece que nem a promotora acredito nisso, pois Roberto não está arrolado entre as "vítimas". E o lugar é o Mirante do Paraíso em São Paulo, portanto bem fora da Comarca de Taquara.

Os gerentes do restaurante

Houve nestes dias em São Paulo blitz em restaurantes que serviam bebida para menores. "A maioria das autuações foi por venda de álcool ou presença de menores de 18 anos consumindo bebidas alcoólicas nos estabelecimentos. A proibição vale mesmo se o jovem estiver acompanhado dos responsáveis," informa G1.

As festas na Colina do Sol, celebrando eventos como campeonato de futebol, ou o aniversário de Douglas, aconteceram no restaurante.

Colina do Sol é um lugar pequeno, onde a fofoca corre solta. Surpreende, então, que a então dona do armazém, Elisabete Borges de Oliveira, diz no seu depoimento no Fórum de Taquara em 07/04/2008 de que os donos da restaurante forneciam bebida alcoólica, mas que ela não sabia dizer quem eles são (fls 1884).

Até eu sei disso, e nunca vi o restaurante. Celso Rossi afirmava que o restaurante ficava no terreno do Hotel Ocara. Mentira dele, o terreno do hotel é outro, onde não há nada construída. Ainda que não era dono do restaurante, o arrendava, por mil reais por mês, se me lembro.

O restaurante era gerenciado na época pela então Sra. Zumbi, e Zumbi ajudava. Pela regra do blitz paulistano, se menores bebiam no restaurante, seriam eles os responsáveis.

Zumbi fez seu depoimento em frente de outro juiz, no Foro Regional de Partenon, em Porto Alegre. Eu aguardei fora durante a audiência, enquanto as advogadas da Colina do Sol entraram sem ser convidadas, que foi constatado e "consignado" (papo de advogado para reclamação registrado para possível apelação).

Conversei depois com os advogados da defesa, e um comentou e todos concordaram, que Zumbi "liquidou" as acusações de bebida. Trabalhando no restaurante, ele estaria presente nas festas. Afirmou que Fritz liberava bebida alcoólico somente para adultos, e nunca foi servido bebida alcoólica para crianças, nem autorizada foi. (fls 3179).

Artigo 243 da ECA não inclua bebida alcoólica

Já explicamos a "tipicidade": o suposto ato seria crime? Na doutrina do Ministério Publico do Rio Grande do Sul, não é, citando um precedente de exatas 10 anos antes das prisões no caso Colina do Sol:

Servir bebida alcoólica a menor não configura o delito previsto no art. 243, do ECA, que prevê o fornecimento de substância que causa dependência física e psíquica diversa do álcool. [...] Apelação Crime nº 697148344, 2ª Câmara Criminal do TJRS, Tapejara, Rel. Des. Delmar Hochheim. j. 11.12.1997

Outra decisão do TJ-RS de novembro de 2007, semanas antes das prisões, mostra que o entendimento não mudou:

Segundo o artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente, pune-se a venda de substâncias que causam dependência física ou psíquica. Nesse rol, o artigo 81 do Estatuto da Criança e do Adolescente não inclui a bebida alcoólica, circunstância que afasta a aplicação desta norma penal, em face do princípio da legalidade, enunciar a interpretação típica restrita.

Esta decisão cita precedentes do Tribunal de Justiça.

Teor 10,8%

Vimos, então, que as acusações de fornecimento de bebidas alcoólicas, são como todas as outras acusações que examinamos: mais ou menos como algodão doce, que parece uma coisa grande, mas que derreta assim que colocado à prova.

Mas foi freqüentemente citado em habeas corpus (por exemplo, aqui) que o tempo que os réus estavam presos não era excessivo pois houve "37 (trinta e sete) fatos a serem apurados."

Apuramos agora quatro destes trinta e sete "fatos", 10,8% da acusação total. Não há motivo aqui de manter alguém preso 13 minutos, muito menos 13 meses. Comprovada em flagrante, o delito resultaria em multa. Como que pode, somente alegada sem detalhes, ser considerado motivo de manter quatro pessoas presos?

Cleci e Barbara nem foram denunciados por fornecer bebida alcoólica - somente pesou contra Fritz Louderback e Dr. André Herdy. Enquanto Fritz patrocinou festas no restaurante - ouvi que era responsável sozinho por até metade do movimento do estabelecimento - não há nada no inquérito ou no processo, que diz que André patrocinou festas. Mas ainda que não foram acusados por estes "fatos", ficaram meses presos por causa deles.

A promotora deveria ter sabido que a alegada fornecimento de bebida não se enquadrava no Artigo 243 da ECA, mas como contravenção penal. Ela sabia que as acusações eram "não suficientemente apuradas" para sustentar uma condenação, mas não as apurou.

A acusação de dar cerveja para adolescentes não poderia servir para condenar culpados, nem se culpados foram.

Mas se o objetivo for manter inocentes presos, serviu.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sinais de prosperidade

Não é mais a única vistosa
Faz três anos e meio que estou visitando Taquara e Morro da Pedra. Nesta visita mais recente, a impressão que mais ficou, era de um aumento de prosperidade.

O hotel está cheio de segunda a sexta-feira; há semanas em que quarenta pessoas batem na porta e são encaminhadas para rivais, pois não há espaço na hospedaria. É o lugar preferido de quem vem a serviço, em Taquara ou até em cidades vizinhos: Sapiranga, Três Coroas, Parobé. São gente fazendo algo de útil: podando árvores na estrada para RS-020, assentando granito numa fachada. Lamento não ter cruzado com os técnicos montando um "cervejaduto" para a fábrica de Schincariol em Igrejinha. Queria ouvir mais.

Taquara, Morro da Pedra, e Colina do Sol

Recebi uma crítica do postagem anterior, sobre o crime da Cafeteria Taquara, perguntando "O que isso tem a ver com a Colina do Sol"?.

Tem tudo a ver. A Colina do Sol é parte do Morro da Pedra, de Taquara, e do Brasil. Compartilha os problemas de Taquara, e poderia compartilhar seus avanços. E vale notar, está sujeita aos regulamentos da cidade, e às leis do Brasil.

O crime da Cafeteria mostrou como a cidade é pequena: a vítima era parente de pessoas com quem lido, e a morte tinha ligação estreita com o Barracão, lugar central à sociedade de Morro da Pedra, e palco de muito do caso Colina do Sol.

Nos já examinamos aqui antes o senso de comunidade. No caso Colina do Sol, a prisão preventiva dos quatro acusados pelos condôminos da Colina do Sol foi baseado no "ordem pública" e a o "clamor da comunidade".

A Colina do Sol é somente um condomínio. Comunidade é Morro da Pedra, é Taquara. Escrevemos aqui sobre a comunidade, a comunidade real cujo legitimidade, e clamor, prevalecerá sobre os autores das falsas denúncias, a corja da Colina do Sol.

Prosperidade em Morro da Pedra

Foi mas de seis meses que eu não tinha visitado Morro da Pedra. Senti, em tudo parte, um ar de prosperidade, que não tinha notado antes.

Quando Dr. André e Cleci resolverem se retirar do recinto hostil da Colina do Sol, ele me falou que "só tinha uma opção" em Morro da Pedra, a casa de campo de uma juíza aposentada. E realmente, de longe, a casa era vistosa, destoante das casas mais simples do povo do lugar. Mas nesta última visita, procurei Cleci, que não estava, e uma das suas vizinhas apontou onde talvez ela estava. E notei que puxa, daí dava para ver várias casas bonitas e de bom gosto. Vendo elas por perto, noteis mais. Marino tinha adicionado uma alpendre à sua casa, e o pai de Cleiton atinha aumentado sua casa pela segunda vez. Muitas outras casas foram recém-pintadas.

A estrada está agora asfaltada de Santa Cristina para o leste. Meu ônibus não seguiu a estrada até RS020, então não sei se o asfalto chega, mas percorremos grande parte da comunidade. Contei cinco "casinhas de brincar" nos jardins de casas, quatro cor-de-rosa e uma amarela. Não algo de grande custo, mas algo que não seja de maneira alguma uma necessidade. Muito gente tem dinheiro para gastar em o que quer, e não em o que precisa.

Vi na viagem três reto-escavadoras, novas com tinta brilhando. O trabalho que não muitos anos seria feito por homens, pois mão-de-obra é barato, agora é feito por máquinas - pois mão-de-obra já não é tão barato assim. Ouvi de um dono de pedreira que um temor da fiscalização municipal (sobre qual já falamos este ano com Dra. Ximena) é que uns dos trabalhadores ganham mais de R$800 por semana "e não dá para registrar isso em carteira".

Tanto nos brinquedos das meninas pequenas quando os dos meninos crescidos, Morro da Pedra ostenta uma prosperidade que antes não tinha.

Sem miséria

Uma das alegações da polícia e da promotora era de que os jovens de Morro da Pedra faria qualquer coisa por uns trocados, devida a "miserabilidade em que vivia a vítima".

Na minha primeira visita a Taquara, enquanto comi churrasco com a família de Isaías, na sua chácara em Morro da Pedra, perguntei a eles si vivessem na miserabilidade. Riram da minha cara.

Fui sábado e domingo a Morro da Pedra. J. estava construindo um abrigo temporário no sábado, fazendo trabalho tamanho homem. O mais miúdo das "vitimas", ele agora tem 16 anos. No domingo, passei na casa de Sirineu, e encontrei sua esposa Dinamar e meia dúzia de filhos e netos, amontoadas no chão como um ninho de cachorrinhos. J. dormindo na sofá, pareceu bem mais jovem do que no dia anterior. A estrutura da casa está realmente em péssimas condições, mas as roupas dos meninos, como as tapetes que cobrem o piso da sala, estavam limpas.

Saúde

A família de Sirineu passou por um transtornou enquanto eu estava em Morro da Pedra. Um dos netos, de uns 8 anos, passou por cirurgia por apendicite. O único hospital de Taquara foi recentemente reativado, em cooperação com o hospital Mãe de Deus em Porto Alegre, e o menino se operou em Taquara em vez de num município vizinho. É o mesmo hospital onde Cleiton está fazendo estágio como técnico em radiologia.

O menino passa bem. O hospital deu aparência de limpo e organizado. Bastante gente para ser tratado, mas estavam sendo tratados mesmos. A mãe poderia ficar com o menino a noite, e os parentes revezavam durante o dia. Seu tio Régis, que recentemente fez 18 anos, ficou com ele durante grande parte do fim de semana.

Outro neto sofre de problema mais sério: o "sindrome de x frágil". Há medicamento por isso, que é caro, mas a família está conseguindo pagar, com ajuda de programas governamentais. Vi ele tomar o remedio em casa, Dinamar falando para ele que na fim de garrafa, é preciso jogar fora o aplicador e usar um novo. O menino está reagindo ao remédio, Dinamar disse, e que se continuar em tratamento aos 18 anos vai ter como ter uma vida independente.

Vai para uma escola especializada em Taquara duas vezes por semana, um dia pago pela família, outro pela Prefeitura. Há um processo na Vara de Infância de Taquara, para que a prefeitura pagasse a semana integral. Mas a vara tem muitos processos.

Enquanto isso, ele vai três dias por semana à escola Dona Leopoldina. Não aprende nada, mas socializa com as outras crianças. Quando tem um surto de raiva (acontece quando é contrariado) uma das professores o leva para o pátio, para andar para cima e para baixo, até que ele se acalma.

O poder público está chegando no Morro da Pedra, as vezes até para ajudar. O abandono, o lacuna que Fritz Louderback e New Faces começaram preencher, já não é mais total.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O crime da cafeteria Taquara

A filha do dono da Cafeteria Taquara, a poucos passos da prefeitura, foi encontrada degolada dentro do estabelecimento sexta-feira dia 4 de novembro as 8:30 de manha. O crime lembrou como a cidade é pequena.

Lidiana Correa, de 23 anos, era prima da dona do hotel, e o Barracão do Morro da Pedra estava sendo preparado para a festa de 15 anos de uma prima sua. A festa, com até a comida já pronta e paga, foi em frente sábado a noite, depois do enterro da Lidiana as 11:00 de manhã.

Domingo a noite, encontrei Sirineu em frente da Cafeteria - ou para dizer melhor, ele me encontrou - e segunda à tarde no mesmo lugar encontrei Luiz, o gerente do Banco do Brasil, que agora é sindicalista.

A investigação está nas mãos do delegado de Taquara, Luiz Carlos Aguiar. A polícia civil gaúcha conta com uma delegacia especializada em homicídios, mas não foi acionado neste caso, que nem no assassinato de Wayne. Tem mais o que fazer, parece.

Fica a confirmação de como a cidade é pequeno, de como as pessoas são relacionados, de como o crime e a violência estão pertos.

domingo, 24 de julho de 2011

Trêz vezes Trindade

O nome de Jorge Trindade apareceu três vezes como autoridade em psicologia e pedofilia no caso Colina do Sol. Porém, sua voz não foi ouvido no processo. Porque?

Um breve biografia de Jorge Trindade pode ser encontrada no site da Tribunal Regional de Trabalho da 4ª Região, onde ele deu uma palestra ano passado (e de onde veio a foto ao lado). Conforme o TRT:

Professor Jorge Trindade, graduado em Direito e Psicologia, Fundador da Escola Superior do Ministério Público, Coordenador do Curso de Especialização em Psicologia Jurídica, Presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia Jurídica, Professor do Curso de Mestrado em Criminologia da Universidade de Aconcágua (Argentina). Trindade também já foi Promotor e Procurador de Justiça.

No site dele mesmo, há outro biografia, menos virado para o perfil jurídico:

Prof. Dr. Jorge Trindade: Psicoterapia, Psicologia Clínica, Laudos e perícias.
CRP: 07/3962

Prof. Jorge Trindade Professor Titular da Universidade Luterana do Brasil. Professor do Curso de Especialização da Criança e Adolescente da Fundação Escola Superior do Ministério Público. Professor do Curso de Mestrado em Criminologia da Universidade de Aconcágua (ARGENTINA). Mestre em Desenvolvimento Comunitário (1996), Doutor em Psicologia (1998) e Livre-Docente (2000). Membro Associado do Colégio Oficial de Psicólogos da Espanha e da International Academy of Law and Mental Health. Recebeu o Prêmio Henrique Bertaso (1994). Atualmente é Presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia Jurídica (SBPJ) e Vice-Presidente da Associação Latino Americana de Magistrados e Operadores de Criança, Adolescência e Família. Autor de diversas obras, dentre elas: Manual de Psicologia Jurídica (5ª. Ed); Pedofilia: aspectos psicológicos e penais; Delinqüência Juvenil: uma abordagem transdisciplinar (3ª. Ed); Psicopatia: a máscara da Justiça e Psicologia Judiciária para a Carreira da Magistratura.

As qualificações de Trindade, psicólogo e ex-procurador de Justiça, parecem de 24 quilates. Mas além destes dois biografias, vamos consultar o bibliografia do homem. A lista dos seus cinco livros começa com "Psicologia Jurídica" e a última na lista é "Pedofilia":

Pedofilia
Autores: Jorge Trindade e Ricardo Ferreira Breier
Editora: Livraria do Advogado
Páginas: 127

Conclusões terminativas sobre o tema da pedofilia são difíceis. Entretanto, parece não haver dúvida de que pedófilos representam um grande risco para a criança, para a família, para a sociedade e para a justiça, uma vez que é tormentoso encontrar o equilíbrio entre castigo justo, segurança social e reabilitação. Direito e psicologia precisam urgentemente dar as mãos, se não quiserem oferecer uma leitura simplista e unilateral para um fenômeno tão complexo como o da pedofilia.

Enquanto o sumário tem um certo cheiro das fogueiras de bruxas, é notável que em um parágrafo neste assunto antipático aparece a palavra "equilíbrio" e uma advertência contra "uma leitura simplista e unilateral".

Professor doutor Jorge Trindade é, pelo jeito, uma autoridade nacional, mas o endereço do seu instituto, no bairro de Moinhos do Vento em Porto Alegre, traz a conveniência de ser local.

Parece a escolha óbvia para atuar no caso do "maior rede de pedofilia de Rio Grande do Sul." E posso confirmar que o nome dele surgiu, sim, três vezes. Porque não atuou? Hoje, ao contrário do nosso procedimento habitual de citar documentos, vou ficar no "ouvi dizer", e no que eu mesmo fiz.

A família de Cleci procure um psicólogo

Cheguei em Taquara pela primeira vez (ainda que deveria ter passado pelo município em volta de 1990, indo para Gramado) em março de 2008, três meses depois as prisões, com o apoio de Silvio Levy que tinha defendido publicamente os acusados e era o maior investidor na Colina do Sol. Cristiano Fedrigo me recebeu no rodoviária, e me apresentou a umas das "vítimas" e suas famílias.

A prudência padrão me fez visitar uns dos lugares que aparecerem na trama, sem a ajuda nem o conhecimento de Cristiano. O que ouvi do gerente do Barracão de Morro da Pedra, do Secretário Municipal de Esporte e Turismo, e de outros, confirmou o que já suspeitei: que os acusados estavam falando a verdade, e os acusadores e a polícia, mentindo.

Outros contatos na primeira visita foram com o advogado de Dr. André e Cleci, Dr. Ademir Costa Campana, e com a família de Cleci.

Dr. Campana é um criminalista do interior, enquanto os advogados de Fritz Louderback, da capital, eram especializados em crimes de colarinho branco, que no Brasil quer dizer, em que o acusado não vai preso. Cada estilo de advocacia tem seu lado forte e seus pontos fracos, mas felizmente, são diferentes.

Um das problemas sendo enfrentados pela família de Cleci era de indicar um psicólogo para atuar no processo. Tinham poucos dias - três, se me lembro - para sugerir um nome, e o assunto fugiu da área do Dr. Campana.

Conversei com o advogado de Fritz, e ele sugeriu o nome de Jorge Trindade, e me mostrou um dos livros dele. Repassei a sugestão para a família de Cleci.

Pedindo socorro da FAB

Enquanto a sugestão advindo de um elegante advogado de Porto Alegre parecia uma indicação forte, presente neste momento é sempre o lado financeiro. A família do acusado geralmente gasta tudo que tem, com o melhor advogado que suas condições permitem. Ainda, um criminalista me explicou anos atrás, com esta acusação e a ampla cobertura da imprensa, ele precisaria cobrar mais - sendo que a imprensa já o trataria como vilão, o "defensor do pedófilo".

Alguém com as qualificações de Trindade não seria barato, pensei. Mas onde encontrar outra sugestão? Não sou brasileiro, muito menos gaúcho, e não tenho um baralho de antigos colegas de escola para quem posso apelar numa hora destas.

Mas em outubro de 2007, numa palestra de segurança aérea, eu tinha encontrado a psicóloga da FAB que cuidava dos controladores de CINDACTA I antes da colisão do Gol 1907 com a Legacy. Ela era simpática, Fritz Louderback é piloto militar aposentado, e a carreira militar é notória para sua mobilidade. Talvez ela conheceria alguém da sua profissão, que agora se estabeleceu em Rio Grande do Sul.

Procurei nos contatos, e pedi uma indicação. Ela me deu a nome de uma colega em Rio Grande do Sul, para quem eu liguei do orelhão do aeroporto de POA. De orelhão não porque suspeitava que meu telefone estava grampeado - e já estava mesmo - mas porque era a maneira mais barata.

A colega ouviu com atenção, e mostrou que entendeu o problema. Mas era fora da especialização dela. Porém, ela poderia sugerir o nome de um especialista.

O especialista que ela recomendou, era Jorge Trindade.

A terceira citação

A terceira vez que o nome de Jorge Trindade apareceu no caso, era realmente a primeira. Mas eu só fiquei sabendo tempo depois, quando vi o relatório do delegado Juliano Brasil Ferreira, finalizando seu inquérito no caso Colina do Sol.

Pois o primeiro parágrafo do relatório do delegado, é uma citação do Jorge Trindade. E ele é citado depois, para justificar a falta de evidência médica para sustentar as acusações.

Porque não foi ouvido, então?

Citado pelo delegado, recomendado à defesa, autoridade nacional e residente local, porque professor Jorge Trindade não foi ouvido no caso Colina do Sol?

Os autos de um processo, os pilhas de papel - neste caso, atualmente uns 24 volumes - na teoria, contém tudo que aconteceu no curso do processo.

Mas não tudo, é claro. As duas recomendações de Jorge Trindade à defesa, não constam, nem devem. O motivo que o eminente professor/psicólogo/promotor não foi ouvido, não sei que consta. Mas vou contar o que eu ouvi.

O que eu ouvi, é que as famílias de Cleci e de Dr. André falaram mesmo com Jorge Trindade, e chegaram num acordo sobre sua participação, e seus honorários.

Porém, a promotora Dra. Natália Cagliari se opus ao participação de Dr. Trindade, e ele se retirou do caso.

O que a promotora não gostou

Pela versão que ouvi, a Dra. Natalia tinha uma amiga que era aluna de Jorge Trindade na ULBRA em Canoas, e ele teria comentado numa aula sobre o caso Colina do Sol: notícia nacional, acontecimento local, e bem no assunto do curso, psicologia jurídica.

O comentário atribuído ao professor Trindade, era de que as acusações no caso Colina do Sol eram falsas.

Não se pode negar que um perito deveria estudar os fatos num caso, antes de emitir um juízo de valor.

Também, não há dúvida de que o advogado da defesa poderia pedir o afastamento de um perito que já tinha uma opinião formado, contrário ao interesse do seu cliente. Poderia e deveria, o papel do advogado é de defender seu cliente.

Porém, o papel do Ministério Publico é de defender a sociedade, de promover justiça. Quando a Dra. Natália ouviu que um eminente expert, citado pelo próprio delegado, disse que as acusações eram falsas, ela deveria ter agido para fortalecer a chance de uma condenação?

Ou ela deveria ter feito uma pausa, para pensar?

Quando as "vitimas" negaram em juízo dentro do Fórum, e em passeata fora dele, de que os acusados eram inocentes, ela deveria ter feito uma pausa para pensar? Ou bolado uma teoria de que foram comprados, e ainda, se venderem bem baratinhos?

Quando laudo depois laudo voltou dizendo que não tinha nada contra os acusados nos micros, nas fitas, nas máquinas fotográficas, ela deveria ter feito uma pausa para pensar? Deveria ter notado o tempo extraordinário e injustificável que a polícia segurava os exames já prontos do IGP/IC? Ou ela deveria pedido, como de fato pediu, mais exames, esperando sempre que alguma coisa apareceria para sustentar a denúncia que ela tinha feito?

Dava para saber?

O comentário de Jorge Trindade, sobre um caso em que ele não examinou nem as vítimas nem os acusados, é ultraje? Creio que não.

Acusações falsas nestes casos são bastante comuns. Outro psicólogo do Estado, consultado pela juíza, informou que em volta de metade destes acusações são sem fundamento. Senador Magno Malta disse, depois do encerrado seu CPI, "De cada 10 denúncias de pedofilia envolvendo pais separados que chegaram à comissão, seis ou sete são crimes de alienação parental. A pessoa quer se vingar e faz a denúncia. Essa é a estatística de casos que chegaram a minha mão. É uma grande irresponsabilidade. Falsa comunicação de crime é crime." (http://www.apase.org.br/11000-leialienacaoparental.htm)

A conclusão de Trindade baseado somente na mídia, não é em nada mirabolante: pela estatística, é cara-ou-coroa.

Geralmente, dá para saber baseado em o que não sai na mídia. O delegado anuncia que as vítimas serão examinados por uma psiquiatra. Acontece o exame, e é de esperar a notícia que as crianças confirmaram o abuso. Quando sai outra coisa - por exemplo, o delegado anuncia que "a psiquiatra confirmou o abuso", já se sabe que as "vitimas" negaram. Quando estas tiverem 13, 14, 15 anos - chegaram à "idade de razão" - como neste caso, se negam a acusação, é falsa. No caso Colina do Sol informações públicas desmascararam que a psiquiatra era fajuta, mais uma confirmação da farsa.

Banido da entrevista

Mas, conforme ouvi, Jorge Trindade se retirou do caso. A reputação dele, já consolidada, não precisa de mais este caso, nem precisa o desgaste de brigar com uma promotora, cujo cargo tem um poder que ele já conhecia por já ter exercitado.

Ele sugeriu uma psicóloga que trabalhava no instituto dele, que poderia fazer o papel de perito no caso.

Então, quando supostas vítimas foram examinadas por uma psicóloga aprovada pela juíza, a assistente da defesa apareceu para a perícia.

Ela foi barrada da sala.

Conforme Dr. André Herdy me falou - ele é dentista e conhece bem o código de ética profissional de odontologia - os psicólogos tem um código de ética, que não permite que eles se opinam sobre quem não examinou. Examinar laudo de colega e dizer "não é assim, ele errou" é falta grave de ética. Se a assistente da defesa não poderia examinar o periciado, não poderia, então, discordar do laudo da acusação.

Dr. Campana apelou para que a assistente da defesa pudesse assistir a entrevista. O recurso está no STJ, Processo RMS 28617, Registro: 2009/0005129-8, e entrou na gabinete da Ministra Laurita Hilário Vaz em 23/07/2009, quer dizer, faz exatos dois anos. O Moleque que Mente®, que tinha uns 13 anos quando os supostos crimes teriam acontecido, teria uns 17 agora. Outro suposta vitima (para qual o exame psiquiátrico deu negativo) tinha 2 anos na época, e sua idade é o triplo agora.

Passou tempo demais. Um ordem da STJ para que as crianças sejam re-examinadas agora, seria do ponto de vista jurídico, inútil: seria como num assassinato procurar pólvora na mão do acusado um mês depois dos disparos. Do ponto de vista médico e ético, no seu livro No Crueler Tyrannies Dorothy Rabinowitz afirma que fazer criança acreditar que sofreu abuso, quando de fato não sofreu, faz tanto mal quanto abuso de verdade. Infligir esta bobagem nesta criança de novo, em nada lhe ajudaria, e pode lhe prejudicar em muito. Seria cruel.

Dois pesos, duas medidas

Como já falei, nossa preocupação aqui não é com o equilíbrio do processo sob o Código do Processo Penal, mas com a verdade dos fatos. A promotora tinha sim, formalmente, a opção de excluir um perito que já tinha uma opinião formada.

Mas moralmente, ela deveria ter perguntado para si mesmo, porque o expert preeminente, disse que as acusações eram falsas.

Caso a defesa tivesse excluído um perito com a reputação do tamanho da de Trindade, meus distintos colegas jornalistas teriam agarrado o fato como a prova de que os acusados eram, de fato, culpados. Por algum motivo, quando a mesma coisa é feito pelo Ministério Publico, as regras são outras.

Minha experiência neste caso, como em outras, é que enquanto a imprensa brasileira fala que é movido pelo desejo e pelo dever de informar, de fato o que lhe interesse é acusar. O que sustenta a acusação é veiculada com velocidade máxima para "furar" a concorrência. O que apoiar a defesa é sujeito a todo esforço de desqualificação. E caso sobrevive isso, bem, aí "não é notícia".

domingo, 27 de junho de 2010

O mapa da Colina: conversa no Barracão

Matou a cobra, tem que mostrar o pau.

Falta pouco agora para colocar a última das peças no lugar, para ver a colcha de retalhos da terras da Colina do Sol. Mas para mostrar que é assim, e não de alguma outra maneira, é preciso mostrar as evidências.

Remexer as papeis do cartório era um emprendimento solitário e frustrante. Sair a pé pelo Morro da Pedra, conversando com os nomes nas papeis, foi um dos aspetos mais agradáveis deste empreendimento todo. O lugar é lindo, e as pessoas simpáticas. Tinha sol demais, ou frio demais, e gastei sapato, mas tinha churrasco e festas juninas e doces caseiros, também.

Quando fui para Morro da Pedra pedir ajuda das pessoas locais, foi quando comecei entender as terras da Colina do Sol. Minhas tentativas inicias foram baseadas nos papeis do Registro de Imóveis, que descrevem os tamanho de cada lote e seus vizinhos, mas que não fornecem nenhuma referência geográfica que poderia ser apontado numa mapa.

A falsa pista chave

Tinha somente uma ligação entre o mundo das papeis dos cartórios, e o mundo real: o hotel, lago e restaurante ficavam no lote de registro 2025. Mas isso é errado. Obviamente, começando com a peça errada bem no meio da quebra-cabeça, nunca daria para montar. Na realidade, o Hotel Ocara fica num terreno de posse, sem escritura no Registro de Imóveis.

Quando cheguei em Taquara pela primeira vez em março de 2008, fui para o Barracão de Morro da Pedra - sem avisar antes os amigos dos acusados do caso Colina do Sol, para que eu poderia conseguir informações que não fossem filtrados, sobre Fritz Louderback e seu ONG. Foi lá que verifiquei que ele contava a verdade sobre o ONG e as aulas de futebol, e a corja da Colina estava mentindo. Foi para lá que fui no sábado, 11 de julho de 2009, para perguntar sobre as terras.

A trilha começou no Barracão

Há almoço no Barracão todo sábado, sempre churrasco. Na cozinha em frente do churrasqueira Jairinho estava jogando cartas com amigos do Morro da Pedra, e ele e Batista (João Batista Vaz de Rosa) me falaram um pouco das terras, e onde poderia obter mais informações.

Me disseram para procurar o João Guelo, "um baixinho de chapeu, que pode ser encontrado no Bar do Japa." Encontrei ele, várias vezes, sempre lá e sempre de chapeu.

Um dos donos das terras no morro que virou Colina do Sol era João Jaques, um solteiro que não deixou herdeiros. Me falaram que pagaram MIROMAR [Miromar Benkenstein Nunes], um advogado de Entrepelados, para registrar suas terras, mas que Miromar passou a perna em João Jaques.

"As terras de João Francisco da Rosa fazia divisa com a casa do Barney", conforme Jairinho, que construi várias das casas da Colina, trabalhando desde a primeira construção.

O MAURO MULLER de entrepelados, era dono de muito, e "ROBERTO FISCHBORN tem tudo registrado no parte leste."

Ouvi mais de uma vez de mapas, mas até agora vi somente o que o topógrafo Tutti preparou da Colina do Sol em 2005, ao pedido de Fritz Louderback. Houve uma mapa de Zé Silveiro, que seria nas mãos de Fernando.

Darci vendeu tudo que juntou

"Darci vendeu tudo, e não tem mais nada lá" ouvi, que é importante porque enquanto Darci andou juntando as terras, que depois vendeu para Edu Carlos e seus parceiros, o terreno de José Antônio da Silva, de registro 46.485, pela palavra corrente, foi comprado pelo Darci, mas nem esta compra nem a venda subsequente, jamais foram registrados.

Realidade no outro lado da divisa

Um coisa que queria saber era a situação da casa de Fritz Louderback. Estava nas terras penhoradas para garantir as dívidas de Celso Rossi, ou estava sem este onus? Sendo que a casa dele fica numa das divisas da Colina, descobrir os vizinhos pareceu a maneira mas fácil de proceder, pois no mundo real as coisas são mais fáceis do que entre os papeis fajutas e explicações sem nexo da Colina do Sol

A casa de Fritz Louderback está no lado norte da Colina, me disseram, e o vizinho do outro lado da divisa seria IDALINO [Idalino Correa, cujo nome aparece nas escrituras de posse da tabelião, de números 8008 e 8183]. "Pedro Silveira faz divisão para lá", mas anotei mal - parece que Pedro Franciso Carvalho da Silva é o nome certo.

Fui mostrando os papeis do cartório. José Antônio da Silva, do registro 46.485, é morto, mas deixou os herdeiros Eloi [anotei mal, é Erenani Elberto da Silva] e Fernandes, este primeiro tendo a lanchetaria em frente ao colégio Jorge Fleck. Porém antes de morrer, ele vendeu o terreno para Darci Farias. A mesma pessoa que Darci Dorivaldo Ermel Nunes, casado com Lorita Benkenstein Nunes - viz. MIROMAR. Darci está vivo, ouvi, e mora na praia - até me deram a nome da cidade.

EDIN, o ex-cunhado de Douglas, tem terras em Pega Fogo que fazem divisa com a Colina.

José Constantino Hermer (Ermel?) tinha 400 hectares por ai. Nas minhas anotações, há o especulação que seja parente de Constantino Antônio da Silva Filho, que aparece em vários registros.

O José Antônio, que Douglas conhece, sabe de tudo.

A Chacara de Pedra, que fica no Beco de Araújo menos de meio kilómetro da Colina, e lá por baixo é de Carmargo, mas "náo tem registro". "Custa caro legalizar, tem que fazer inventário" me falaram, que explica muito das lacunas nos papeis do Registro de Imóveis.

Desta para o melhor

Perguntei dos outros nomes das papeis, e ouvi que Vendelino é morto, e Belizar Martins da Silva, e José Silveira, cujos terras faz divisa no parte do norte.

No bar do Japa

No mesmo dia, subi o Beco de Araújo até o bar da Japa, a procura de João Guelo. Encontrei no mesmo lugar Luis Silveira, filho de José Silveira que consta como divisa no registro 9854, e neto de Olímpio Silveiro. Vendelino era primo do seu pai. Sua mãe está viva, e "tem uma mapa, a escritura e os números."

A família ainda tem "30 hectares, um terreno que "vem de lá perto do rio, a estrada passa por cima. Não é muito largo, mas vem lá do fundo."

Tiras estreitas

Esta informação de Luis Silveira foi muito útil para montar a mapa. No Google Maps se enxega as marcas das divisas entre mato e pasto e as linhas de cercas, e realmente os terrenos da Morro da Pedra foram traçados em longas tiras vindo do rio, quando este foi o único meio de transporte na região. As peças da quebra-cabeça seguem esta lógica de tiras finas, sendo rectángulos compridos, e não quadrados.

No Japa, ouvi também dos vizinhos no oeste. Teobaldo morreu faz 4, 5 anos, e seu herdeiro Luis Antônio faz divisa com a Colina em Pega Fogo. As terras dele fazem divisa com os que eram de João Jaques. Almiro Tavares é outro vizinho.

Outros vizinhos e herdeiros

Loureci Correa da Silva é filho do finado Idalino Correa, e mora numa casa azul atrás da Colina. Talvez ele vendeu a terra que fazia divisa com Fritz. "Procura com ele", fui avisado, "dos quatro irmãos ele é o maior, e sabe de tudo."

"Edegar tem informações melhor", ouvi, "mora na curva, no direto" na Estrada da Grota, indo na direção da estrada Integração.

Marcírio Farias, cujo nome parece na escritura 46.485, é o pai do Darci.

Roberto Fischborn, cujo genro estava no Barracão, está vivo, e mora para o leste e o norte, perto da casa do finado IDALINO.


Aqui terminam minhas anotações daquele dia. Os conselhos foram boas, e lendo de novo depois um ano, se eu tivesse seguido todos à risco e de imediato, teria chegado a mapa correto muito mais cedo.

O mapa da Colina: Evaldo Antônio da Silva, Registro 23.723

Evaldo Antônio da Silva me falou ontem que o terreno que lhe pertencia ficava no lado do sul do Beco de Araújo, depois do terreno de Zeca e antes daquele de Lili.

Seu Evaldo e sua esposa Lecí Tereza são os vizinhos mais próximos de Jairinho (que já conhecemos neste blog), e sua casa faz jus a descrição que todos me deram, de "uma casa muita bonita, no alto". Ninguém me avisou da neta do casal, mais bonita ainda.

Ele lembra muito bem do terreno, e dos outros terrenos quer eram do Constantino Antônio da Silva. Entrando na Colina pelo Beco de Araújo, do lado dos Schirmer, o primeiro terreno era de "Zeca", José Antônio da Silva. Depois, no lado sul da rua, veio o terreno de Evaldo. E depois, o terreno grande de "Lili", Olívio da Silva, que "tinha os dois lados, enquanto eu só tinha o lado esquerda da rua".

O matrícula 46.485 de Zeca, diz que os vizinhos são "... a oeste, com ditas de Antônio da Silva e herdeiros de Constantino Antonio da Silva." Pronto, Evaldo é herdeiro do finado Constantino.

Para o lado direto da rua, conforme seu Evaldo, "era do Tio Alfredo, mas quem mandava era meu cunhado Antônio, que mora em cima". Me deu as indicações de como chegar a Antônio, mas não deu tempo de visitar-lo ontem, pois demorei demais na festa juninha do Colégio Jorge Fleck - bastante divertido, a primeira vez que assitei uma "festa do interior", no interior.

Qual terreno seria este, do "Tio Alfredo", administrado por Antônio? Olhando os registros, notamos que terreno 2025 fica "...confrontando-se: so sul, com terras de Constantino Antônio da Silva", ente cujos herdeiros, que como já dissemos, fica Evaldo. Alem do mais, o registro 46.485 de Zeca, com já citamos acima, tem como vizinho no oeste também Antônio da Silva, e o registro de 2025 diz que era de "ANTONIO DA SILVA, industrialista, e s/m DIVA MARIA DA SILVA", que depois venderam para "Lili", Olívio da Silva. Será o cunhado Antônio, ou algum parente? Espero que vou conseguir logo confirmar este detalhe. Mas parece que terreno 2025 fica no norte do Beco de Araújo, no outro lado da rua do terreno de Evaldo.

 
  OFÍCIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS
COMARCA DE TAQUARA - RS
LIVRO Nº2 - REGISTRO GERAL

   Taquara,  16    de    julho   de 1986
Fls
1
Matrícula
23.723

IMÓVEL: TERRENO RURAL DE CULTURA, com a área de 13.248,00m2, sem benfeitorias, situado no lugar denominado São João do Paredão, distrito de Santa Cristina, neste município, tendo as seguintes confrontações: pela frente, ao Norte, com terras de Constantina Paz e outros; ao sul, com o Arroio Boa Vista; ao Leste, com terras de Antonio Flores e ao Oeste, com terras de Olimpio Silveira e outros Cadastrado no INCRA sob no 852 120 017 361, área total: 1,3; no de modules: 0,07; fração mínima de parcelamento: 1,3. PROPRIETARIOS: CONSTANTINO ANTONIO DA SILVA FILHO, agricultor, e sua esposa ARISTELA CAETANO DA SILVA, do lar, brasileiros, CIC 524 435 900-20, domiciliados neste município. Regº. Antº. 32.295 do lº 3-AF.
O Oficial
Taquara, 16 de julho de 1986
R 1/23.723
TRANSMITENTES: HERANÇAS DE CONSTANTINO ANTONIO DA SILVA FILHO e de sua esposa ARISTELA CAETANO DA SILVA. ADQUIRENTE: EVALDO ANTONIO DA SILVA, motorista, casado com Lecí Tereza da Silva, comerciante, brasileiros, CIC 121 xxx xxx-xx, domiciliados neste município. Característicos do imóvel: "O constante da presente matricula"...

 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Fotos für Nedi



Falamos das mentiras do delegado sobre as fotos no caso Colina do Sol: sobre as fotos em papel, as fotos em CD, e falamos dos computadores, câmeras, DVDs, etc., onde os peritos sempre apontaram uma falta total de pornografia.

Fotos tem um poder peculiar. Servem, para muitos, como um prova cabal: se houver fotos, então a acusação está comprovado. Fotos não mentem - pelo menos antes do Fotoshop, não mentiam.

O que foram as acusações? "Festas com crianças"; fotos peladas; menores servidos bebidas alcoólicos; aulas no ONG servindo como suborno; e "sempre meninos".

CD de Alemanha

Recebi em abril de 2008 da Nedy da Fátima Pinheiro Fedrigo, um CD que foi lhe enviado de Jorge e Solange, antigos moradores de Colina que preferiam o frio de Alemanha ao preconceito da Colina do Sol.

Há neste CD fotos das "festas com crianças". Churrasco no quintal do vizinho Marino,; um onibus fretado para crianças e seus pais assistem o Natal Luz de Gramado; aulas de breakdance na sala de aula do Barracão; festas de aniversário familiares; o coro da ONG cantando na Câmera de Vereadores de Taquara; e umas visitas para as praias gaúchas.

Fotos como prova

Estas fotos mostram a natureza das "festas com crianças" promovidos pelo Fritz Louderback e Barbara Anner (com a presença ocasional de Dr. André Herdy e Cleci Ieggli da Silva). Coloquei eles no internet, neste álbum, para quem quiser verificar.

Fanáticos podem argumentar que estas fotos nada comprovam, que tudo que foi acusado pelo corja da Colina (porque as acusações partiram tal-somente dos desafetos de devedores de Fritz na Colina, nunca das crianças) poderia ser verdade, tudo acontecendo fora destas fotos.

Não.

Uma das acusações e insinuações que a corja mais repetiu é que "foi sempre meninos". Já desmentimos isso antes. Estas fotos, das festas públicas e notórias, inclusive onde bicicletas foram entregues para crianças, mostra a presença maciça de meninas.

Sobre isso, a corja da Colina mentiu. Estão aqui as provas.

"Ah, mas talvez mentiram sobre isso, mas contaram a verdade sobre o resto."

Como eu disse: fanáticos podem argumentar qualquer coisa. Não precisam evidências, e evidências contra, eles conseguem não enxergar.

Este blog apela para a razão, e para a consciência. Não é escrito para quem carece de uma ou outra.

Fotos peladas

Nos fotos que Jorge e Solange mandaram para Nedy, só houve uma pessoa que aparecia pelada, João Ubiratan dos Santos, vulgo "Tuca". Para não violar as regras de Blogger, nem deixa abertura para acusações sem fundamento de Tuca, alterei as duas fotos, colando a ficha criminal do Tuca. A ficha, conforme ele diz em entrevista, não é completa, mas ainda abreviada é comprido o suficiente para este modesto fim.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Infância nas pedreiras

Douglas Anner Louderback é uma figura emblemática do contraste entre Morro da Pedra e Colina do Sol. Pulou grande parte da infância, começando trabalhar nas pedreiras aos nove anos. Baixinho, miudinho, e aparentmente tímido, ele é bem a vontade em áreas de nudismo, e pelo todas os relatos que colhi, uma dádiva para as mulheres de qualquer idade.

Vamos aprender mais sobre ele e a infância no Morro da Pedra. No futuro próxima, falaremos de amor adolescente no campo de nudismo.

Pivo das falsas acusações

Douglas é o pivô do caso Colina do Sol.

O acusador original, Zumbi, levou acusações de pedofilia para a polícia um dia depois do que a Sra. Zumbi se mudou de mala e cuia para Santa Catarina com Douglas, com quem ela manteve relação amorosa o desde os quinze anos dele.

E ela era bem longe de ser a primeira, ou a única.

A corja da Colina reclamou do rapidez com que Fritz e Barbara adotou Douglas. Tendo um filho brasileiro evitava que eles fossem deportados. Tinham um herdeiro para sua casa, que assim não poderia ser facilmente despropriada pelo Conselho da Colina. E um herdeiro que poderia cobrar as quantias que vários membros destes conselho deviam para Fritz.

A chegado de Douglas na comunidade naturista criou um dor de cabeça tanto para Zumbi quanto para o Conselho da Colina do Sol.

Filho de Morro da Pedra

Cicatrizes do Douglas

Visitei Douglas em Biguaçu, SC, no domingo de 21 de dezembro de 2008. Estava muito quente e ele estava somente de calçaõ, e perguntei sobre seus cicatrizes. Logo peguei meu caderno e pediu para ele repetir, pois pareciam uma boa resumo de infância em Morro da Pedra.

Joelho, 5 pontos :
"Quando eu era bem moleque, eu subi no pé de arvore, usando cerca de arame farpado como escada. O galho quebrou, e cai na cerca. Arrancou um naco de carne."
Cicatriz fina, branca, cruzando mamilo direto:
"Foi um prego, quando cai de um árvore. Eu fazia escadinha para subir, pregando madeiras no tronco, e um pau quebrou."
Cicatriz pequena, perto no umbigo:
"Eu estava brincando com fogo, ascendo uma peça de plástico, e uma gota de plástico me pegou bem ai."
Mão esquerda:
"Foi um corte de facão, descascando cano de açúcar para chupar."
Mão esquerda, dedo de meio torto:
"Cortei trabalhando, quando tinha uns dez anos. Estava jogado pedra no caminhão, a pedra lascou, e me cortou. Levaria cirurgia para desentortar."
Canela esquerda, uns 10 cm abaixo do joelho:
"Levei uma chifrada de boi no Circo Vargas. Estava com muito medo, lá."
Joelho esquerdo:
"Queimei no moto semana passada."
Canela direta:
"Aqui foi o moto também faz uns dois anos."
Ponto roxo na unha do dedão esquerda:
"Foi uma martelada no serviço."
Costas, lado inferior de baixo, uns 10 cm de comprimento, 1 cm largura:
"Eu subi num árvore para roubar goiaba, e o galho quebrou. Cai na cerca de arame farpado."
Não visível:
"Quebrei o cóccix, quando cai de cima de um árvore bem alto, de costas."
Na nádega esquerda:
"Tenho marcas de uma mordida de cachorro, quando tinha uns sete anos. Eu era bem pião. For o cachorro da merendeira. O corrente quebrou, e o filho da mulher não conseguiu segurar o cachorro pelo corrente. Tomei injeção contra raiva."

Douglas nasceu de mãe solteira, que não tinha condições de criar-lo, e ele foi dado para tios.

O tio de Douglas trabalhava nas pedreiras de Morro da Pedra, um serviço que paga melhor do que as fábricas da região. Porém a poeira constante prejudica as pulmões, e é bastante comum que homens da região chegam ao meia-idade com dores constantes no peito. O único remédio alcançável para remediar o dor é pinga. Quem tem efeitos colaterais.

Na pedreira as nove anos

Douglas começou trabalhar nas pedreiras as nove anos, quando estava na 3ª serie, pois “tinha que ajudar em casa”. Seu irmão também começou cedo. Ele disse que, “Agora não tem mais de 9 anos trabalhando mas tem 10, 11, 12 - sempre tem. 13 anos é mais comum.” “Ninguém pede documentos – só perguntam se saber fazer.”

As crianças, ele disse, foram bem tratado pelos trabalhadores mais velhos. Tinha tiração de sarro, mas é toda familia. Um tio dele trabalhava na mesma pedreira, e tinha um primo de 13anos e outro de 10, também.

Sobre o Conselheiro Tutelar, disse que nunca viu lá, que “Nunca vieram incomodar”. E a escola também, “não incomoda, sabe que tem que ajudar em casa.”

Um adulto consegue tirar mais na pedreira do que o salário mínimo que uma fábrica paga. As crianças ganham menos. Na época que Douglas diz que quando ele começou era “cinco pilha por semana”, mas hoje em dia é R$15 uma tarde ou manha por uma criança. Ele tirava caco, carregava caminhão, e carregavam pedras menores. O turno dele era das 13:00 até as 18:00.

Até pedras menores são pesadas para uma criança em desenvolvimento, e dá problemas na coluna. Douglas foi avisado de que se ele voltasse a trabalhar assim, pode ficar paralítico. Mas diz que sua estatura nada tem a ver com o trabalho precoce, que era “sempre mais miudinho”.

Estudo interrompido

Douglas sempre começou o ano estudando meio período, e trabalhando meio período. Ele diz que as vezes não queria ir mais, proque era muito puxado trabalhar na pedreira e estudar no colégio. Então tinha que parar colégio, ele disse. Sempre ia mais ou menos metade do ano escolar, e parava. Ele estava atrasado na escola, mas conforme o irmão dele, ““Estava progredindo lá, apareceu resultados. Numa época, ia para colégio de manhã, e Fritz levava para Taquara para reforço. Estava progredindo. Mas passa por coisas normal de adolescente. Sempre sai atrás de mulheres. É namoradeiro”.

Depois do que ele foi adotado, e disse que “passei ano – eu gostei.” As matérias prediletias dele são educação física, artístico, e história. Ele estava fazendo supletivo de 6ª, 7ª, 8ª serie, juntos, antes das prisões. “Fritz e Bárbara ficarem pegando no pé” para estudar, ele diz. Tão cedo que consegue sua carteira de motorista, votará de novo ao supletivo.

Problemas de disciplina

Seja por falta de estrutura em casa, seja por temperamento, seja por adolescência, Douglas ganhou fama de difícil. Para da um exemplo, um centro da vida comunitário é o Barracão de Morro da Pedra, que serve tanto para grandes festas da igreja, quanto para futebol e outros jogos. Foi reformado graças a dinheiro que Fritz conseguiu dos Estados Unidos.

Porém, em 2007 Douglas pegou um suspensão de três anos do Barracão, por causa de uma briga. Ouvi que ele cuspiu num outro jogador; Douglas contou que o time dele estava brigando, e os outros começaram a briga.

De qualquer forma, vale notar que no Morro da Pedra a influência de dinheiro não é tão forte que não se expulsa o filho do homem que trouxe a grana.

Um efeito das prisões e problemas é que Douglas amadureceu muito. Agora ele e o irmão que dão as aulas de futebol, sábado a tarde, para as crianças de Morro da Pedra.

Cristiano, Fritz, Barbara, Douglas

Conhecendo Fritz e Barbara

Foi via Cristiano Fedrigo que Douglas conheceu Fritz. Um dia Cristiano encontrou Douglas dormindo na área da casa do padrinho. Cristiano ficou com pena e pediu para Fritz ajudar Douglas.

Douglas ficou um tempo morando no caso de Fritz e Barbara, e resolveram adotar-lo. Fritz tem outros filhos nos Estados Unidos, uns de sangue, outros adotados. Foram os três para os Estados Unidos em agosto de 2007, para que Douglas poderia conhecer seus 28 parentes novos.

Ele comunica com Fritz e Bárbara numa combinação de inglês e português. Ele diz não sentir dificuldade para comunicar, e enquanto fala pouco inglês, parece que entende quase tudo que passa.

Na Colina do Sol

Na casa de Fritz e Barbara, Douglas ganhou um dos dois quartos de hóspedes. Parece um quarto de adolescente típica, dominado por uma grande bandeira quase do Brasil, com o círculo azul trocado por um logotipo de Grêmio. Há uma Bíblia ao lado da cama.

Roberto Fedrigo e Douglas no resort naturista Mirante do Paraíso

Nudismo com naturalidade

Nedy, que cuidava da casa, conta que Douglas costuma fica nu o tempo toda, pelo menos no verão. Quando ele foi para Santa Catarina com a então Sra. Zumbi, acampou na Praia do Pinho e começou trabalhar aos 16 anos no quiosque de Kibon da praia, completamente pelado. Depois de uma semana começou usar short e camisa com logotipo da praia, ao sugestão do dono, que conheceu que não todos que freqüentam praia de nudismo conseguem levar a naturismo com tanto naturalidade.

domingo, 17 de maio de 2009

A Festa da Padroeira no Barracão

Nedy e Jairinho ano passado na Festa da Padroeira

Hoje foi a Festa da Padroeira, Nossa Senhora da Fátima, no Barracão de Morro da Pedra. Churrasco - todo que se consegue comer - por doze reais, seguido por um baile animado por uma banda de nove músicos.

Ano passado fui com a grande e finada Nedy de Fátima Pinheiro Fedrigo, mãe de Cristiano; Sheila Newbery, esposa de Sílvio Levy; e o casal Sirlei e Alípio Kumpfel, donos do hotel em Taquara.

Hoje Fritz e Barbara estavam lá, e compraram almoço para 45, um velho hábito nestes ocasiões. Arremeteram também os dois bolos que foram leiloados - o do Grêmio foi devorado por inteiro, mas sobrou um pouco do Inter. A comunidade estava, os pais, e é claro as "vitimas", que cresceram bastante, em muitos sentidos, neste último ano.

Eles cresceram, e as outras crianças. Marino dançou uma polka com sua filha: as danças tradicionais foram os mais concorridas. Numa das músicas moderninhos, só entrou na pista um rapaz, logo rodeado por oito meninas, com quem ele dançou em série, e dançou bem. Dos relatos que ouvi aqui, é a segunda festa nesta semana em que ficou rodeado de garotas. A promotora tinha chamado ele de "vitima", e pelos relatos que ouvi, perguntou para muitos que não acharam ele "gay". Claro que a Dra. Natália nunca viu sua maneira com garotas bonitas. Ou não quer saber de qualquer verdade que discorda com suas teorias.

Sonicamente inviável

Nos Estados Unidos, a banda seria impossível. Primeiro, nove músicos no palco: não haveria como bancar. Segundo, os instrumentos escolhidos pela som que fazem, e não pela moda: guitarras elétricas e percussão, tudo bem; os dois trompetas também, e talvez o saxofone. Mas a sanfona e trombone seriam rejeitados como "coisas de velho".

A terceira impossibilidade seria a variedade de som, cheia de coisas que não são deste ano ou década. O tradicional reinou. Poucas das melodias reconheci, mas "Roll out the Barrel" foi velho quando eu era jovem.

Mas talvez a diferença é outro: muito gente de Morro da Pedra sabe dançar, e poucos americanos sabem. Lá, nas últimas décadas, foi prestigiado muito "danças" que não exigem nenhuma perícia para dançar. Então, não se toca nada, que exige saber dançar. Aqui, pode.

Dois "pilchados", um até com chapéu: tente explicar para americano, em 200 palavras ou menos.

Enquanto isso, na Colina do Sol

Este fim de semana, a Colina do Sol anunciou as atividades de sempre, que talvez perderem um pouco de brilho com o frio. Anunciaram também que

Obs.: Neste final-de-semana deverá acontecer palestra e ser assinado convênio de cooperação do CNCS com relação ao Dia comemorado dia 18/05.
18, segunda-feira (Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes)

O crime de denúncia calunioso consiste em acusar alguém de um crime que não cometeu. Deu para qualquer um perceber na Festa da Padroeira que o povo do Morro da Pedra sabe que Fritz e Barbara não cometerem crime alguma. Quem cometeu crime foram os meia-duzia da Colina que foram as autores das falsas acusações. Continuam se enrolando na bandeira de abuso sexual. Mas não enganam mais ninguém: todos já percebem que o rei está nu.

E nem sei se a festa na Colina foi boa: quando eu estava aguardando o última ônibus para Taquara, o presidente por enquanto da Colina, Eta, passou pela estrada, com o Monza (aquele que ele recebeu do Fritz em troca do compromisso de treinar o time de futebol, promessa que deixou de honrar) cheio da família, e de balões de festa.

Em baixo, na Barracão de Morro da Pedra, a festa continuava animada, pelo som.

Almoço para até 350

O almoço de hoje foi para um pouco mais de 150 pessoas, e foi carne de porco, de boi, e lingüiça. Ouvi que uma das festa maiores, dos Motoqueiros, não vai acontecer este dezembro. Os motoqueiros fazem muito bagunça, e a festa deixou de dar lucro. Até da padroeira me parece menos concorrido do que no ano passado. Na minha primeira visita, ouvi que dá para fazer almoço atá para 350.

Quem cozinha para 350 pessoas? Fernando responde, “Minha mãe, e a Marisa”. O frango de almoço assou num churrasqueira no parede lateral. Há outras churrasqueiras com tampas, e umas prateleiras rasas se mostram como outro modelo de tampa. Em total são dez churrasqueiras, de uns 50 cm de altura e 1,50 de largura cada. Fernando informa que dá para cozinhar 450 quilos de carne de uma vez, utilizando todas as churrasqueiras. A cozinha tem um fogão tamanho industrial de quatro bocas, e outra de duas bocas ainda maiores. Funciona a base de botijões de 13 kg.

No quintal do Barracão, galinhas andam despreocupados – o frango de almoço veio do mercado – em volta de uma engenhoca estranha, a “Vaca Parada”. É uma cabeça de boi de fibra-de-vidro, com chifres, e um corpo de arame coberto por pano. Está num pequeno trailer, com rodas de bicicleta, e engate para que pode ser puxado por uma motocicleta. É puxado por um moto, e num torneio do CTG homens tentam laçar o boi. Só vale se consegue por a corda em volta dos dois chifres.

Atrás do barracão, o terreno desce. Pouco embaixo há um baia de cavalo, com um dos cavalos do vizinho, laçador campeão da região. Alem, muito pasto verde e vacas.

sábado, 9 de maio de 2009

New Faces Sabado Juventude Esportes Projeto

14:00 as 17:00 Sabados, Barracão católico, Morro da Pedra

Práticas esportivas supervisionadas como: futebol, dança e capoeira para garotos e garotas com idade entre oito e desesseis anos. Exercícios de alongamentos, ensinamentos básicos e jogos em times. Lanches são servidos apos os jogos.

sábado, 2 de maio de 2009

Futebol no Barracão

As aulas de futebol patrocinado pelo Fritz Louderback voltaram para o Barracão de Morro da Pedra. Foi anunciado no jornal Panorama no final de março deste ano, e menos de um mês depois, no sábado passado aparecerem 75 crianças, um recorde. O futebol no Barracão agora é organizado pelo Douglas Anner Louderback, filho adotivo do Fritz e da Barbara Anner, e o irmão do Douglas, "Japa".

Ano passado, quando veio para Taquara, ouvi de muitos de que Fritz patrocinava aulas de futebol para as crianças menores da região. Fui lá verificar.

O Barracão cobra R$15 por hora para cobrir o custo de luz. Fernando, o gerente, disse que não cobrava dos menores e que fornecia lanche graças à generosidade de Fritz. Disse ainda que Fritz deu um Monza para Etacir Manske da Colina (conhecido por Eta), pelo qual pagou R$7.500, como parte de um acordo pelo qual este treinaria as crianças. O trato era que Eta vinha de 2:00 às 6:00 da tarde aos sábados.

Antes de Fernando começar a administrar o Barracão, houve uma reunião. Bárbara e Fritz comparecerem, e o casal emprestou R$600 para Fernando levantar o empreendimento. O empréstimo foi quitado com os lanches que Fernando forneceu para as crianças. Fernando relata: "Todo semana eram dados 30 vales. Uns R$5,50 cada vale.”

Vale-lanche

Fernando guardou os tíquetes, que pelo ortografia foram feitos no computador pelo próprio Fritz:

Bola de Futebol

A Comida & Bebe Ticket #1
Um ENRRLADINH
Um PASTELE
Um SALGADINH
Um CP Refrigerante
2 junho 2007

Examinei o jogo de vales de 2 de junho de 2007. Os tíquetes são numerados de 1 a 30. Nos bilhetes 1 a 21 há nomes escritos à mão, os 9 últimos sem nomes. Não escritos na mesma letra, nem todos legíveis. É várias claramente de meninas.

É notável a maneira como Fritz lidou tanto com Etacir quanto com Fernando: um empréstimo, a ser pago com serviço, o dinheiro trabalhando duas vezes, os beneficiários em última análise sendo as crianças. Parece um esquema bem organizado, que não levava a benefícios pessoais para o casal americano, a não ser dar o chute inicial nos campeonatos.

Meninos falam de futebol

Uma mãe cujos filhos jogavam bola sábado à tarde, explica: “As crianças jogavam, ganhavam lanche e refri. [Fritz] entregava as crianças e depois ia fazer as coisas dele.” Fernando explica que jogavam em times escolhidos na hora, as 30 crianças em 3 times.

As aulas e os lanches acabaram, e Fernando tinha tirado ferias, o Barracão ficando fechado dezembro, janeiro, e fevereiro. Na semana anterior a minha primeira visita, tinha torneio, que também impediu que as crianças jogassem.

Eu visitei o Barracão exatamente na hora em que aconteciam as aulas. Conversei com crianças pequenas, onze anos ou por aí. Há cinco deles jogando. O baixo número de crianças se explica também pelo fato de que o lugar não ter operado faz três meses.

"Galego" não me entende, pergunta se sou inglês ou espanhol. Acham que Fritz é inglês. A atitude para com um gringo mais velho era de curiosidade, sem nenhuma desconfiança.

Galego fala que quando estava fechado, tem um campo lá em cima. Mas é menor do que o Barracão, com o gol feito de taquara. "Aqui é melhor".

Fritz e Bárbara gostam muito de futebol. Fritz não joga futebol, ele é "muito velho" por isso. "Só dá chute para abrir campeonato". O próximo campeonato estava para acontecer no município de Paraobé.

O time All-Stars

Shorts All-Stars

Fritz patrocine o time "All-Stars". Ouvi várias caracterizações do time, de que "é do Colégio George Flek, é o time do colégio", e também que é "os amigos do Cristiano". Que é no time relata que ganhou um vice-campeonato, vencendo até times de Porto Alegre. Foi na época que Cristiano estava estudando em Novo Iorque, e tiraram um foto, junto com a camisa dele, para mandar para ele lá.

No time de futsal All-Stars, a posição do Ezequiel era goleiro, mas depois ficou na linha, como zagueiro. Ele relatou, "Eles não gostavam de mim no gol, eu era muito ruim. Depois de mim foi o Douglas no gol."

Douglas (é ele modelando o calção, a camisa estava para lavar)conforme me foi contado, foi expulso do Barracão durante um bom tempo, por ter brigado num jogo. Fritz reformou o Barracão, e Douglas é seu filho - mais as regras são para todos. Douglas amadureceu, e está de volta, organizado as aulas.

Time de meninas

Bárbara patrocinava uma tinha time de meninas. Antes de ir para o Barracão, falei com o Secretário de Desporte e Turismo do município de Taquara, Pedro Moacir Rangel, que me informou que em Morro da Pedra "tinha ocasião onde tinha time de futebol de salão feminino." Jairinho confirmou que "O time feminino, tinha um bom tempo." Fui informado no Barracão de que "Todas foram se casando, e o time acabou."

Reforma geral

Fritz pagou pintura das paredes interiores do Baracão, pagou a pintura da quadra também. Pintura da sala de aula, Fritz. Uma bicicleta de 18 marchas a pé de escada, Fritz. As lâmpadas refletores Fritz pagou também, são lâmpadas econômicas, gastou muito antes. As lajotas (cerâmica) no chão em volta do bar, Fritz pagou também.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Barracão de Morro da Pedra

Se ouve muito do Barracão em Morro da Pedra. É lugar de jogo de futebol, de festa de padroeira, casamento, e na sala do subsolo, a escola de reforço de New Faces, a ONG de Fritz Louderback. Para entender o caso, é essencial visitar o Barracão. Então vamos lá.

O Barracão é uma construção de alvenaria, com telhado de zinco. Fica num terreno em desnível, reto ao chão no lado esquerda (sul) e com um subsolo no lado direta, que fica uns 20 metros da igreja. Dentro da estrutura, há piso de taco de madeira, pintado para futebol de salão. O campo de futebol é envolto com um rede – laterais, atrás dos gols, finais, teto. Os paredes de dentro tem a pintura dos paredes em boas condições, um quase-branco, com uma faixa de um metro de bege no pé.

No lado sul, o piso é de cerâmica, e há no meio da parede, um balcão tipo bar enorme. Em cada lado, há janelas para a cozinha, do tipo usada para passar comida de um lado para outro. No lado esquerda, em baixo de cobertores, há um "steam table” – um daqueles carrões usada para servir comida quente num refeitório. Atrás dele, uma quadra de luz, que parece novo e moderno. No lado direto, há um pequena mesa de snooker, menor que tamanho oficial. Atrás disso, os sanitários. Pelas janelas da cozinha, dá para ler duas notícias: "A partir das 2:00 hoje – jogo", e "Não vendo cerveja fiado". Uma quadra branca permite agendar uso da quadro, o preço sendo R$15,00/hora."

Fernando e sua namorada estão almoçado frango assado quando chego ao Barracão. Fernando mostra o lugar e explica seu funcionamento. Crianças jogam futebol a tarde, adultos não. O Barracão serve para casamentos, festas de 15 anos, festas da paróquia. Um exemplo é a Festa dos Motoqueiros, em que uns 400 motos desfilam desde Santa Cristina do Pinhal, até a Barracão onde termina em festa. Acontece no segundo domingo de dezembro, e no 9 de dezembro de 2007, houve almoço para 350 pessoas.

A Sala de Aula

Atras do outro gol, há um palco, e ao lado uma escada desce, tão íngreme que parece uma ladeira de marinheiro. Mas não é a entrada principal da sala em baixo. Devido ao declive, o piso fica a nível do chão, e tem uma porta virado para a igreja, uns 15 metros distante, e pequenas janelas no mesmo parede deixam a sala bem iluminada. É limpa, recém-pintada, e claramente uma sala de aula. Poucas cadeiras, sem duas iguais, estão encostadas aos paredes.

No parede esquerda, oposta as janelas, metade do parede é branco. Um metro acima do chão há uma série de tomadas elétricas, tipo informática com três buracos incluindo terra. A tubulação é embutido. Além das tomadas há um quadro de anúncios quase na canto. Nele, somente um cruz de papel dobrado, com frases de catequese escritas com mão cuidadosa.

No parede do fundo, há uma quadra-branca, com uma quadra com horário de aulas:

2ª Educação Física Prof. Regine
3ª Português Profa. Ana Paulo.
História e Geografia Prof. Daniel
4ª Inglês Prof. Rodrigo
5ª Ciência/Matemática Prof. Márcia
6ª Artes Prof. André
Enfiadas na borda da quadra branca, há umas cartões-postais de Europe. Virando os cartões, são de “Alastair”, e endereçados para Fritz Louderback, um para “Kids Club, Fritz Louderback”.

Fernado explica como funcionou a escola, "Os professores que deram as aulas vem de várias cidades da região, Parobé, Taquara, Igrejinha. A escola Hiatus no Taquara coordenava.

"As crianças estão sentindo muito falta. Parou as aulas, parou as aulas de inglês."

Fritz fez a reforma da sala de aula. Ele que mandou colocar fiação para os computadores. As computadores não chegaram a ser colocados.

A imprensa não investigativa

Conforme Fernando, umas seis pessoas vierem para conhecer a sala de aula, para divulgar o trabalho, "antes". "E uns vierem escondidos, para bisbilhotar." "Nenhum repórter veio ver a sala de aula depois que Fritz foi preso."