Mostrando postagens com marcador CPI. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CPI. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tio Ricardo de Vila Velha

"Tio Ricardo", professor de escolinha em Vila Velha, Esprito Santo, é mais uma vítima de falsas acusações, psicólogos, e um promotor que acredita porque acredita, numa história que leva todos os sinais padrão de uma histéria coletiva. Ou de uma mentira planejada em sangue frio, e levada em frente por quem ache que pode se beneficiar se vestindo de herói.

Roberta, amiga de Ricardo, me mandou um resumo do caso. Três reportagens de TV SBT dão mais detalhes, incluindo depoimentos de pessoas que (as vezes não sabendo que estava sendo gravadas) dizerem com todas as letras, que as acusações são falsas, e Ricardo é inocente. Há um grupo de Facebook e uma página apoiando "Tio Ricardo".

Convém comparar as acusações com os outros casos que analisamos aqui. Veremos os bobagens de sempre. Convém também comparar os procedimentos, e os posicionamentos dos "autoridades". O delegado, por exemplo, fala que não há nada que sustenta a acusação.

Os sinais da mentira

Há os sinais de sempre:

  • Escola infantil é um dos indícios clássicos, como no caso Escola Base, no creche "Gente Inocente" no Rio de Janeiro, e em muitos dos casos apurados por Dorothy Rabinowitz no seu livro de ensaios que ganhar o Prêmio Pulitzer, "No Crueler Tyrannies: Accusation, False Witness, and Other Terrors of our Times."
  • Exame de corpo de delito negativo. A tendência de acusadores mais espertos e de alegar algo que não deixaria marcas, mas conforme o reportagem do SBT, em Vila Velha, alegaram algo que deixaria. E não deixou.
  • Acusadores devedores. SBT conseguiu com câmera escondida a afirmação da diretora da escola de que o pai que encabeçou as denúncias, devia um ano inteira de mensalidades. No caso Colina, três dos denunciantes deviam dinheiro para quem acusavam. No caso do creche "Gente Inocente", também tinha devedores entre os denunciantes.
  • No Depoimento sem Dano, as crianças não acusaram. Foi assim também no caso Colina do Sol, a não ser O Moleque que Mente® que fez acusações inconsistentes e comprovadamente falsos.
  • Laudos de Psicólogos embasaram o pedido de prisão. No caso Colina do Sol, uns laudos foram de uma falsa psiquiatra, e os de psiquiatras verdadeiras (que nem afirmaram que houve abuso) eram baseados em indícios falsos. No caso Escola Base, o psicólogo da polícia afirmou que não houve abuso e que as acusações refletiram as problemas sexuais da mãe acusadora, a saída desta mãe era encontrar um psicólogo particular disposto a afirmar que houve sim abuso. Não se sabe por quantos ela passou na procura de um que diria o que ela queria ouvir, ou quanto este opinião lhe custou. No caso Gente Inocente, o psicólogo/policial também tinha consultório particular, que é proibido por lei.
  • A sala da "Tapete Mágica" do caso de Tio Ricardo lembra a "sala mágica" tão frequente nos casos relatados por Rabinowitz. "Mágica" é realmente a única maneira de explicar como os supostos abusos não foram presenciados por ninguém e não deixaram vestígio nenhum.

Os autoridades

O processo segue a teoria do "contraditório": os dois lados cada um puxa para sua versão, e nesta luta, a verdade se revela.(NB: É a teoria da Justiça, eu confio mais no método científico.) Enquanto "in dubio pro reo", a dúvida favorece o acusado, isso vale somente no final do processo. No começo, na menor dúvida a coisa vai em frente: o delegado indicia, o promotor denuncia, o juiz aceita a denúncia, e haja um processo.

Mas caso do Tio Ricardo, os autoridades que normalmente encontrariam pelo em ovo, nada encontraram. O delegado coloca a cara a tapa no reportagem da SBT, com cabelo penteado e microfone na lapela: não há indícios de crime, ele diga. O inquérito policial não foi completada, foi para o Ministério Público e nunca mais voltou, sem ter chegado numa conclusão da polícia. Um promotor que queria por que queria, fez uma denuncia.

No caso Catanduva, a delegada Rosana da Silva Vani se recusou de identificar pessoas acusadas contra quais não tinha encontrado indício nenhum. Vi um vídeo dela cercada pela imprensa, como uma cristão entre os leões, se recusando a dar nomes. Por isso foi duramente criticada pelo senador de Espirito Santo, Magno Malta, quando levou sua CPI para Catanduva. Vale dizer que não morro de amores pela polícia, mas na época fiz uma declaração formal de apoio a Dra. Rosana na Ouvidoria de Polícia. O coragem e retitude merecem reconhecimento.

Normalmente, um mandado de prisão seria executado pela Polícia Civil. Mas no filme do SBT, vemos o Serviço Reservado do PM fazendo a prisão. O uso do Serviço Reservado é uma medida excepcional. No caso da Bar Bodega a Polícia Civil prendeu novo pardos, por um crime cometido por cinco brancos. O promotor que pediu a soltura dos inocentes agiu com informações do Serviço Reservado que já apontaram os verdadeiros culpados. Seu uso é um sinal de descordo entre a Polícia Civil e o Ministério Público.

A impessoalidade

O promotor natural não acredita em crime. Também entrevistado pelo SBT, mas com câmera escondido, afastado em licença médica ele conta que disse para o colega que assumiu, "Não faça isso". No caso Catanduva, o promotor Dr. Antônio Bandeira me falou, "Não há rede de pedofilia em Catanduva". Sua colega Noeli Correia pegou o caso, que não era dela, e Dra. Bandeira representou contra ela por isso. Infelizmente, sem resultado.

O que é o "promotor natural"? É o promotor para quem, por geografia ou sorte, cabe um processo. Uns promotores, e uns juízes, são mais "duros" que outros. É obvio porque alguém acusado de encabeçar o PCC ou ter roubado o banco, não pode escolher o promotor que prefere para lhe acusar. Mas da exatamente a mesma maneira, um promotor não pode escolher quais crimes ou réus quer processar. Não se pode fazer todos os promotores ou juízes iguais, mas pode-se assegurar que pelo menos o sorte ou azar do acusado é aleatório.

Existe também a suspeição, pelo qual um advogado pode pedir o afastamento de um juiz que mostra parcialidade. O comportamento da juíza no caso Catanduva foi absolutamente escandaloso, inclusive dando entrevista coletiva em que divulgava resultado de diligência, sem ter recebido o relatório da delegada, cujo relatório desmentiu a juíza. Mas já era tarde. Infelizmente, o TJ-SP achou tardia o pedido de suspeição da juíza Dra. Sueli Juarez Alonso de Catanduva.

Em sumo, ninguém deve ser julgado por alguém que já julgou o caso antes mesmo de ouvir as evidências, ou acusado por quem realmente, realmente quer assumir o caso, por bem ou por mal.

Não parece que em Vila Velha reina a serenidade e a impessoalidade, como não foi o caso em Catanduva, nem no caso Colina do Sol, onde a Delegacia de Homicídio assumiu um caso que não era da sua competência, mas que prometeu muito espaço na imprensa. Ouvi naquele caso um promotor perguntar para o delegado, "Faltou serviço?"

Julgamento pela imprensa

Um mandado de prisão normalmente não é comunicado para os quatro ventos. O acusado, obviamente, poderia fugir. Em Catanduva, "evidências" foram pegos com o auxílio de 40 policias e 20 promotores, mas as câmeras de televisão estavam lá, pré-avisados. (NB: E colocaram hum (01) perito, que estava doente, morreu, e não foi substituído. A operação não era para colher evidências para a Justiça, era para fazer teatro para a imprensa.)

Vendo o vídeo da prisão de "Tio Ricardo", lá são as acusadores, no outro lado da rua. Quem os avisou? Porque chamar o Serviço Reservado, o serviço secreto da polícia, e avisar a imprensa? Foi uma operação policial, ou uma campanha publicitária?

Acusadores nestes casos adoram a imprensa. A imprensa brasileira finge que procura informar, mas o que faz de fato, é procurar acusar. Em vários casos de destaque que investiguei, notavelmente o do Gol 1907 e da Colina do Sol, a "grande imprensa" não poupou esforços para comprovar qualquer acusação. Mas chegando para averiguar os fatos, encontrei território virgem.

No caso de "Tio Ricardo", seus apoiadores estão lançando mão das táticas que sempre foram abraçados por acusadores. Notei agora num grupo de Facebook esdrúxula, alguém reclamando que a carreata de apoio de Tio Ricardo passou em frente da casa de um acusador. Os acusadores podem fazer fileira em frente da casa de Ricardo e exigem algemas para ele, mas seus apoiadores não podem nem passar em frente da casa de um acusador?

É dois pesos e duas medidas.

Um celebridade que convida a imprensa para seus casamento, não pode reclamar quando se interessam por seu divórcio.

Quem adora o apoio cega da imprensa, tem que aguentar quando de este tira as viseiras, e começa olha não somente a trilha estreita da acusação, mas o mundo maior dos fatos e da verdade.

E, realmente, eles não tem - ainda - de que se queixarem. Se a imprensa tratasse a defesa com um décimo da crença que dá para a acusação, e a acusação com um décimo da ceticismo que com ouve a defesa, estes casos não aconteceriam.

Coragem e covardia

Ainda, os acusadores estão sendo tratado com muito respeito, muito mais do que merecem. E estão se queixando.

Porém, SBT merece parabéns, neste caso de "Tio Ricardo" de Vila Velha, por ter se esforçado um pouco para informar, e não somente acusar. Não vou os parabenizar pela coragem, pois o coragem é do delegado que colocou a cara a tapa. Do promotor e da diretora da escola, que dizerem a verdade, ainda se somente foram filmados secretamente.

E vou parabenizar a família e os amigos de Tio Ricardo, que colocaram suas caras na rua e no ar, para defender um homem falsamente preso. É o tipo de protesto mais antigo e honrado que há. Foi por isso que os nobres ingleses exigiram que o rei assinasse a Magna Carta, foi por este causa que os camponeses franceses tomaram o Bastile.

E tenho também uma palavra para quem esconde a cara e a voz, que usa criancinhas como fantoches e se esconde atrás delas para acusar; que elogia a imprensa quando amplifica suas mentiras e a acusa quando levanta a primeira dúvida. Sua motivação não é "preservar a família". É covardia mesmo, e do mais vil.

Reportágens do SBT

     

terça-feira, 12 de julho de 2011

Contando os discos

Nenhuma evidência no caso Colina do Sol deu tanta repercussão quanto umas fotos pornográficas que o delegado Juliano Brasil Ferreira incluiu no seu inquérito, dizendo que foram encontrados em CDs apreendidos na casa de Dr. André Herdy.

Nas audiência conduzidas pelo CPI de Pedofilia do Senado Federal, Senador Magno Malta apresentou para mim, das mais de três mil paginas do processo na época, somente estas folhas com pornografia. As apresentou também para dona Barbara Anner, e para Dr. André, e por este último, o senador afirmou que todas as fotos ele já conhecia do internet.

Ainda que possuir pornografia não era crime na época, e que estas fotos pela palavra do senador estavam já rodando o mundo faz tempo, a existência de fotos de forte impacto, em muito influiu o curso do processo, e o tempo que os acusados ficaram presos.

As supostas vítimas de Morro da Pedra negaram, em juízo, qualquer abuso. Os relatórios do IGP/IC chegaram - quase sempre depois do que a polícia os seguravam durante meses - e disseram que nada encontraram. Os laudos de corpo de delito chegaram, depois de ter sido segurados pelo polícia durante oito meses, e também foram negativos.

Puxa, mais tinha aquelas fotos ... e os réus continuaram presos.

Mas não disse que não tinha?

Já afirmei aqui que não há pornografia nos CDs, baseado no laudo do Instituto Geral de Perícias do Instituto Criminalística (IGP/IC). Mas há impressa em papel. Como?

Durante quase três anos, pensei que a polícia tinha plantado as fotos no processo, mas não tinha se dado o trabalho de plantar os CDs correspondentes. Talvez porque ninguém verificaria mesmo; talvez porque os policiais desconfiaram (com razão) de que é bem mais fácil comprovar um arquivo digital plantado do que uma foto impresso em papel; e talvez preguiça mesmo.

Porém, em abril deste ano, Dr. Edgar Köhn foi verificar os CDs que há no cartório da 2ª Vara de Taquara, e me relatou que tinha, sim, pornografia.

Eu tinha descartado a necessidade de verificar estas evidências, pois o trabalho já foi feito pela IGP/IC. Fiquei perplexo com o recado do Dr. Edgar, mas aqui buscamos os fatos. Pesquisei como vistoriar CDs e fotos digitais, inclusive pelos dados EXIF somente disponíveis em arquivos digitais e não em fotos em papel. Enquanto a tarefa é nova no Brasil, já existe maneira padrão de fazer isso nos EUA. E sou um progamador de computadores, dos bons e antigos, perfeitamente capaz de fazer este tipo de trabalho.

Depois de pesquisar o problema em geral, fui examinar os papeis sobre as evidências específicas no caso Colina do Sol, e desenvolver um plano de trabalho para vistoriar os CDs. Cruzei os vários relatórios e ofícios, e me dei conta: os números não fecham.

Fazendo as contas

A primeira etapa foi rever os documentos sobre informática no caso, que estão no processo 019/1.09.0007874-0 em Novo Hamburgo fora do "sigilo da Justiça". Eu os examinei na luz da afirmação, feito para Dr. Edgar e para mim em 26/04/2011 pela Dra. Renata no balcão do cartório da 2ª Vara de Taquara , de que as CDs guardados naquele cartório, não são as mesmas que foram periciados pelo Instituto Criminalística.

Quais CDs foram estes no cartório, então, e onde estavam os que o IGP/IC vistoriou? A resposta, como já vimos aqui nestes mais de dois anos de blog, está nos detalhes.

Os 43 CDs apreendidos

Revendo os "autos de apreensão", (fls 119 e 120-121 do processo) que já publicamos aqui, vimos quantos CDs foram pegos pela polícia como "evidências".

Na casa de Dr. André e Cleci
  • Dois Cds-R com a inscrição "Niver Neto-2007";
  • Vinte e oito (28) Cds-R, sem identificação;
  • Um (01) CD MP3 Driver;
  • Doze (12) CDs diversos em um estojo, com títulos de músicas, clipes, sendo um com título "Vídeos Boys";

O auto de apreensão da casa de Fritz Louderback e Barbara Anner, não lista CD nenhum como sendo apreendido.

Dá então um total de 43 CDs (2+28+1+12)

Onde foram os CDs?

Um conceito comum entre o direto brasileiro e o americano, é da "cadeia de evidência". Cada coisa apreendido tem que ter documentado cada passo que faz dentro da polícia até a justiça, para poder ter certeza que a coisa apresentada ao juiz, seja a mesma coisa que foi apreendida. Há, então, no processo, ofícios do Departamento de Homicídios, e do IGP/IC, encaminhando os CDs, como as outras evidências. Vamos seguir-los.

27 CDs foram para o IGP/IC

Vinte e sete (27) CDs foram encaminhado para o IGP/IC com Ofício 3690/2007 de 14/12/2007 (fls 342), três dias depois da apreensão. O IGP/IC emitiu Laudo Pericial 24714/08 (fls 4605-4612), concluindo que "Nos CDs e DVD não foram encontrados arquivos com conteúdo relevante ao objectivo da perícia", e esclarecendo que se tratava de 26 CDs e um DVD.

Noto que o laudo foi assinado dia 4 de dezembro de 2008, quando os quatro ainda estavam presos e o fato que não houve nada nos CDs teria importância para conseguir sua liberdade. Somente foi transmitido para a Justiça de Taquara pelo delegado Bolivar dos Reis Llantada em 23 de março de 2009. Há uma anotação à mão de abril. Quatro meses de demora, então.

Onde estão agora estes 27 CDs? Estão na sala de distribuição, no primeiro andar do Fórum de Taquara, como veremos abaixo.

Mas, foram 43 CDs, e 27 foram para o IGP/IC. Faltam 16 ainda. Vamos aos papeis.

Os outros 16 CDs

Enquanto 27 CDs foram encaminhados para o IGP/IC já em 14/12/07, olhando os papeis fora de sigilo, encontramos nas fls 654/655 do processo (299/300 do processo de Novo Hamburgo), ofício 1049/2008 de 15/01/2008, em que delegado Juliano Brasil Ferreira encaminha o restante das evidências para a juíza:


Estado do Rio Grande do Sul
Secretaria da Justiça e da Segurança
Polícia Civil
DEIC- Delegacia de Homicídios e Desaparecidos
Of. N° 1049/2008
Ref. IP 958/07/700210A
Cart./rosie
Porto Alegre, 15 de janeiro de 2008
070/08-000013
070/2.07.0002473-8
sala de armas
Meritíssima Juiza:

Encaminho a Vossa Excelência os seguintes objetos apreendidos nos autos do IP, referente no Processo 20700024738

Na residência do casal FREDERIC e BARBARA: Três (03) Mídias; Três (03) DVDs — "Colina do Sol", "Werna Centre", Cristiano Pinheiro Fedrigo"; Quatro (04) envelopes pardos com documentos; Dois(02) Quadros de fotografias emolduradas em madeira; Duas (02) molduras de madeira sem fotos; Sete (07) Molduras com fotos; Quatro (04) folhas com fotos diversas; UM(01) saco plástico branco contendo diversas fotografias e negativos; Um(01) livro com titulo "Sleepers" de Lourenço Carcaterra; Um (01 O saco plástico branco contendo equipamentos (utensílios) de informática; Uma (01) Câmera fotográfica digital "Cânon" Powershot SD850IS com estojo e bateria; Uma (01) Câmera de Filmagem "JVC- Compac VHS GR-M7 PRO com maleta, cabos, baterias e controle remoto; UM (01) cinto de couro marrom; UM(01) cinto de lona azul marinho); UM (01) DVD com titulo "Cidade de Deus", Duas (2) Mídias; UM (01) Cartão com foto de CRISTIANO FEDRIGO; Quarenta e Três (43) fitas VHS com titulos diversos; Trinta (30) Revistas Naturistas e diversas; Uma (01) sacola azul; (02) caixas plásticas azul e preta; Dois (02) pares cadarços cinza e preto;

Na residência do casal ANDRÉ e CLECI: Uma(01) fita VHS com titulo "Delicada Atração"; Uma(01) agenda azul executiva 2006, Um (01) Livreto e Um folheto da "Praia da Galheta-2002"; Doze (12) fotos diversas; Tres (03) folhetos da "Praia do Pinho"; Um (01) postal "Praia do Jacumã"; Uma (01) anotação manuscrita com o nome das crianças O Moleque que Mente®, KSE e KSE; onze (11) mídias diversas; Seis (06) bichos de pelúcia; quatro (04) revistinhas infantis ("gibis"); Um (01) jogo imobiliária marca "Estrela"; quatro (04) carrinhos de brinquedo; Um (01) pacote de fraldas marca "Turma da Mônica"; Um (01) pacote de fraldas marca "Pampers": Dois (02) frascos de talco infantil marca York; Uma (01) embalagem de lenços umedecidos; Duas (02) camistas infantis; quatro (04) bermudas; um (01) pente azul de plástico; UM (01) porta CD de quebra sol; Uma (01) mochila camuflada, de armação; Vinte e Seis (26) DVDs de assuntos naturistas; Uma (01) fita VHS com titulo "Aconteceu no Natal do Mickey"; Um manual do jogo "Harry Porter" e cinco (05) postais do "Rei Leão".

Atenclosamente,
Juliano Brasil Ferreira,
Delegado de Polícia,
DHD/DEIC.

Exma. Sra
DD Juíza de Direito,
2ª Vara Crimínal do Foro da Comarca de Taquara/RS

Delegacia de Homicídios e Desaparecidos - DEIC
A. João Pessoa, 2059 bairro Santana - Porto Alegre/RS
Fones.: 3266.2154 — secretaria/ 3266.2164 -/distribuidor / 3266-2156 - cartório

Três mais dois mais onze dá dezesseis (16). Junto com os vinte e sete (27) CDs que foram para o IGP/IC, fecham a conta dos 43 CDs que a polícia apreendeu em 11/12/2007.

Mas onde estão agora? Um dos servidores prestativos do Cartório da 2ª Vara (noto que Dra. Renata afirma que ela não é servidor do cartório, e em mais de três anos de experiência com o Fórum de Taquara, ela sempre foi o oposto de prestativo) sugeriu que eu tentasse na sala de distribuição no andar térreo do Forum, onde haveria outros CDs, juntos com os computadores e outros objetos apreendidos. Não houve nenhuma motivo, ele sugeriu, que o encarregado não poderia me informar quantos CDs lá estavam.

O que está na distribuição

Voltei uns dias depois para me informar com sr. Evandro, que cuida da sala da Distribuição, e ele me forneceu uma lista do que lá estava guardado no caso 070/2.07.0002473-8. A lista está no final desta postagem.

Evandro confirmou ainda que ele mesmo recebeu estes itens, e que verificou tintin por tintim - se falar "26 CDs", ele contou e são 26 mesmo. Se falar "porta CDs" e não falar que há CDs dentro, é vazio.

Evandro afirmou que os objetos chegaram "pingandos" durante 2008.

A lista começa com um enorme bloco de coisas, que ele disse registrou em 22 de janeiro de 2008, mas "Que poderia ter chegado uns dias antes, mas eu só consegui registrar dia 22." Esta lista é exatamente o que está encaminhado nas fls 654 e 655 de 15/01/2008, que reproduzimos como texto acima, e no original, abaixo.

Dá, neste primeiro bloco, este mesmo total de dezesseis (16)cds.

Depois, há uma lista de exatamente o que chegou com Laudo Pericial 24714/08 (fls 4605); 26 CDs e 1 DVD - tinha sido encaminhado para o IGP/IC como 27 CDs.

Isso dá um total, na distribuição no andar térreo do Fórum, de quarenta e três (43)CDs. As autos de apreensão falam de um total de quarenta e três (43)CDs(2+28+1+12).

Os CDS apreendidos, então, foram todos para a sala da distribuição do Forum de Taquara, uns 27 deles depois de ter passeado pelo IGP/IC. Que certificou nada neles havia de interesse para o processo.

E os CDs no cartório?

Mas Dr. Edgar viu CDs no cartório.

O que são estes CD no cartório?

Ou, para dizer melhor, que diabos são estes CDs no cartório?

Responderemos nisso, no próximo postagem. Como sempre, com documentos comprovando, e no alto e bom som.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ações espetaculosas e reações hipócritas

"Cenas preparadas e programadas, com ações espetaculosas acompanhadas por dezenas de repórteres e câmeras de TV têm que ter um basta" -- Yeda Crusius, governadora de Rio Grande do Sul.

Agora que é a vez dela, a governadora se incomoda.

Juliano Ferreira, da polícia de Yeda:
ações mais espetaculosas que investigativas
Onde estava o moral, onde estava a preocupação de que a punição acontece depois da devida processo legal, e não numa fogueira pública instantânea, nos holofotes de televisão, durante o caso Colina do Sol, ou durante as 13 meses de prisão dos acusados, que os quatro acusados amargaram presos, baseado nas mentiras da polícia gaúcha, nas evidências plantadas pelo equipe do delegado Juliano Brasil Ferreira, nas acusações extraídas de crianças sob a tortura de terror, e nos laudos fajutos de uma psiquiatra farsante, convocado por este mesmo delegado.

As leis são iguais para todos - rico ou pobre, poderoso ou humilde - ou o governo não é um governo de leis, mas uma maneira de facilitar a manda dos mais fortes.

É comum que os poderosos se incomodam, quando de repente se encontram no outro lado do abuso de poder.

Mas a governadora tem a polícia sobre seu controle direto. Durante toda sua administração, tinha plenas poderes para dár uma basta na sua polícia quando houve "Cenas preparadas e programadas, com ações espetaculosas acompanhadas por dezenas de repórteres e câmeras de TV".

Agora que o Ministério Pùblico, que é independente, faz a mesma coisa com sua excelência a governadora, ela ache que "tem que ter uma basta?"

Acho uma falta de sinceridade. Quando Dna. Yeda demite e processa Juliano Brasil Ferreira e seu equipe, ela terá moral para reclamar de excessos. Mas se o Ministério Publico somente está fazendo com ela o que a polícia dela faz com os outros, ela não tem de que chiar.


Noto que um camionete da Casa Militar da governadora foi usado pelo chefe de gabinete da Ouvidoria de Segurança Pública de RS para visitar a Colina do Sol, para verificar a situação relatado por Silvio Levy, Cristiano Fedrigo e eu, inclusive no relatório para o Ouvidor Nacional de Diretos Humanos.

O então Ouvidor, Dr. Adão Paiani, conta na Carta Capital desta semana sobre o espionagem gaúcho.

Silvio e eu fomos processados (e inocentados) por nosso oposição ao processo infundado contra o quatro da Colina; Cristiano e eu tivemos nossos telefones grampeados. Os grampos foram usados para interferir com nosso tentativa de levar a verdade ao CPI do Senado - a promotora Natália Cagliara mandou os documentos forjados da polícia gaúcha para Brasília - e para reprimir a manifestação pública em frente ao Fórum de Taquara, durante qual fui preso.

Tudo no melhor estilo DOPS da ditadura militar.

Tudo isso não é culpa do governo de Yeda Crusius: Dra. Natália Cagliara faz parte (por enquanto, até que o caso Colina do Sol termina e as devidas processos disciplinares começam) do mesmo Ministério Público do que a governadora agora está reclamando. Mas parte é a polícia dela, e mais ainda é que ela foi conivente com os julgamentos imediatas, ou melhor dizer as condenações imediatas, da midia.

 

13/09/2010 - 21h07 - da Folha de S. Paulo

Ministério Público apura se carros de Yeda foram usados em busca de propina

GRACILIANO ROCHA
DE PORTO ALEGRE

A investigação sobre um esquema clandestino de espionagem supostamente operado por assessores da governadora Yeda Crusius (PSDB-RS) voltou a elevar a temperatura política após o Ministério Público realizar, hoje, uma operação de busca nos carros usados pela segurança da tucana.

A Promotoria investiga se o sargento César Rodrigues de Carvalho, lotado na Casa Militar e pivô do escândalo de espionagem, utilizou veículos da segurança de Yeda para recolher propina de contraventores na região metropolitana de Porto Alegre.

A busca comandada pelo promotor Amílcar Macedo, autorizada pela Justiça, gerou uma reação forte da governadora, que acusou a Promotoria de realizar "ações espetaculosas".

No site de microblog Twitter, a tucana anunciou que vai ingressar ações contra agentes do Ministério Público gaúcho ou do Tribunal de Justiça que promoverem abusos.

"Cenas preparadas e programadas, com ações espetaculosas acompanhadas por dezenas de repórteres e câmeras de TV têm que ter um basta", escreveu Yeda.

Mais no site da Folha de S. Paulo

 

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A CPI paulista se reune sob a sombra do caso Catanduva

Este relato de uma reunião que assisti ontem na Assembleia Legislativa de São Paulo saiu hoje de manha no blog www.passandoalimpo.com, em que o jornalista Arthur Godoy Júnior trata de notícias de Catanduva. Reproduzo aqui, incluindo o comentário de Arthur no final, e com fotos da agência da AL-SP.

Opinião
CPI da Pedofilia: fatos e comentários

Richard Pedicini

Prezado Artur,

Hoje, 25 de maio, na Assembleia Legislativa aconteceu a quinta audiência da CPI da Pedofilia, e a sombra do caso de Catanduva estava sempre presente, como estavam presentes Beth Sayão e Geraldo Vinholi, deputados com base eleitoral na Cidade Fetiço.

O convidado do dia era o promotor José Carlos Blat, do GAECO, e da primeira promotoria criminal do capital.

Dr. José Carlos começou contando um caso de 2001, um pediatro renomeado que sedava e abusava pacientes, e gravava os abusos. O caso veio a tona quando ele descartou as fitas numa caçamba, um curioso pegou, assistiu, e levou para Rede Globo, querendo R$ 20 mil para as fitas. Rede Globo chamou a promotoria, que prendeu as fitas como evidência, sem pagar nada.

Uma tema recorrente do promotor Blat foi a criação de delegacias especializadas ou outro mecanismo pelo qual "equipes multi-disciplinares" poderiam atender estes casos. Não poderia parar na delegacia, ele disse, notando que um caso que chega na Justiça vindo da Delegacia do Idoso, pousa em qualquer vara comum.

Enquanto a falta de sensibilidade é uma problema, o excesso também pode ser, como quando um juiz infantiliza demais um jovem adolescente.

Tema recorrente do Dr. José Carlos Blat foi o perigo de erros, e o alto custo. Ele contou de um caso que aconteceu em Diadema. Um homem foi acusado de estupro por uma menor de 12 anos, e tinha sua prisão decretado por 30 dias, prorrogado para mais 30. Eventualmente, aconteceu o processo, e "a história não batia. Em duas horas de interrogatório deu para perceber que o motivo era vingança." A suposta vítima era a enteada do acusado, e ele tinha ameaçado abandonar o lar, e a moça e sua mãe. A menor já tinha tido relações com um amiguinho da escola, e daí veio a ideia da acusação de estupro. A mãe foi processada por denúncia caluniosa, e a menor foi parar na FEBEM.

O acusado agradeceu quando foi solto, mas disse que "nada vai me devolver a dignidade. Perdi a família, perdi o emprego" e foi encurralado umas 10 ou 20 vezes por dia na cadeia, aguardando julgamento.

Mais tarde, Blat voltou ao tema das acusações falsos, e levantou a ideia de equipes multi-disciplinares como uma maneira de evitar isso. Ele falou que é comum um casos destes começar numa delegacia às 03:00 de madrugada, quando não há ninguém no MP. "Tudo é feito no calor da situação. Tem casos em que quem conta é a mãe, a vítima só chora."

É fundamental, ele disse, informações da vizinhança, um laudo de uma assistente social que pergunta aos vizinhos, ver se o casal vivia brigando, etc. E isso tem que ser feito de imediato. "Se demora uma, duas semanas, já está tudo 'preparado'." E avisou, "É uma minoria de casos, em que a "vítima' é o criminoso, mas estas pessoas são ardilosas". Um equipe multi-disciplinar, na visão dele, poderia melhor detectar as acusações falsas.


Deputada Beth Sayão questionou um dado do promotor, de que as vítimas são mais meninos do que meninas, dizendo que os outros que a CPI ouviu, mostraram estatísticas comprovando o oposto. Realmente, Blat disse, os números dele eram de dez anos atrás, e hoje poder ser diferente, e enfatizou a falta de estatísticas até dos casos que chegam à Justiça.

A deputada falou também de "processos que não andam, que ficam parados" e de uma "denúncia do interior de um processo parado", sem pronunciar o nome de Catanduva. Ela também falou a favor de varas especializadas, e reclamou da falta de uma tipificação específica de pedofilia na código penal.

Deputado Vinholi elogiou as colocações da Deputada Sayão, e sugeriu que uma solução ao problema de uma vítima ir a delegacia e não haver apuração, seria estes casos ir diretamente para a promotoria. Falou também da necessidade e estatísticas melhores. "O que pode ser os resultados desta CPI?", questionou, dizendo que resultados práticos devem ser o foco.

Deputada Beth Sayão falou de novo, e esta vez explicitamente de Catanduva. Ela reclamou que a delegada tinha avisado o advogado do acusado que o computador seria buscado aquele dia (não falou o intervalo, que era uns 20 minutos) e que ela tinha reclamado com o Secretário da Segurança Publica e "a delegada está respondendo processo administrativo".

Ela levantou o pergunta, "Há rede em Catanduva? A juíza diz que tinha, e depois recuou, dizendo que não há dados."

A reunião terminou com uma conversa sobre provedores de Internet, crime organizada, e redes. E com o presidente da CPI, deputado José Bruno, dizendo que ia amanhã para Brasília falar com o CPI do Senado.


Arthur,

Isso é a notícia.

Agora, opinião. Não há de maneira alguma, uma "rede de pedofilia" em Catanduva. Zé da Pipa nem computador tinha. Sua câmara falava diretamente com sua impressora, e ele não tinha nenhuma foto pornográfico. A ideia de que houve um rede enorme, e não houve nada em nenhuma computador pego num operação com 60 policias e promotores, mas aquele computador que estava no conserto era a única peça-chave ... não cola.

Um indivíduo que enxerga conspiração em toda parte é logo diagnosticado com problema mentais. Porque numa instituição, a mesma não acontece? Na onda de casos de "abuso ritual satânico" nos EUA nas décadas de 80 e 90, uma tática da polícia e promotoria, era cada pessoa que protestava que os acusados eram inocentes, era logo adicionada à conspiração. No caso Colina do Sol, ainda em curso no Rio Grande do Sul, nada menos que cinco pessoas foram denunciados por dizer que não houve crime, e o processo fosse uma farsa.

Há pelo menos três inocentes presos na caça às bruxas de Catanduva: William e os dois menores. Devem ser liberados já. Depois, apura os fatos. E puna os verdadeiros criminosos.

DO EDITOR - Como fui nominalmente citado nesta explanação do sr. Pedicini, o qual não conheço pessoalmente, deixo minha opinião. A cidade de Catanduva ainda se ressente e muito de toda aquela avalanche de situações que chegaram a trazer a CPI da Pedofilia para a Câmara Municipal. Acho válido o direito de se contestar uma decisão judicial, porém, nos governos democráticos temos que ter instrumentos capazes de nos orientar e dar uma resposta à sociedade. Não resta dúvida que a Justiça é um desses caminhos. Caso esta resposta seja equivocada, existem dentro desta própria estrutura novos meios de se chegar à verdade - ou pelo menos algo que se aproxime dela. Um desses meios é o recurso para instância superior, que irá reavaliar tudo o que foi apurado e manter, ou não, a decisão anteriormente tomada. Assim sendo, temos que aguardar os trâmites legais. No momento, não há como falar em soltura sumária. É chover no molhado, sem resultados práticos. Nesta história temos que torcer para que inocentes sejam inocentados e culpados...condenados. (AGJ)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Criptografia: As mentiras do Sr. Delegado

Delegado Juliano Brasil Ferreira disse primeiro de que os micros pegos no caso Colina do Sol estavam cheios de pornô. Depois, disse que não dava para acessar-los pois estavam criptografadas.

Das duas uma: ou dava para ver este pornô, ou não dava para ver nada. As duas afirmações não podem ser verdadeiras. De fato, ambas são falsas: não há pornô, e os micros não estavam criptografadas.

E nada de "o delegado cometeu um equívoco". Os documentos comprovam que o delegado Juliano Brasil Ferreira mentiu, e sabia que estava mentindo. Ele mentiu para a imprensa, mentiu para o Senado, e mentiu para a Justiça.

Já comprovamos que o delegado mentiu quando disse que encontrou pornografia no CDs.

No relatório do delegado

No relatório final da sua "investigação", delegado Juliano informou que

[...] e ainda 7 (sete) computadores criptografados. Apenas para consignar, uma pessoa comum, devido a complexidade, jamais criptografa seus documentos eletrônicos, por mais sigiloso que seja o material. Para optar por essa precaução, a criptografia, algo de muito grave ou criminoso deve constar em tais computadores. Esses materiais de informática foram encaminhados ao Departamento de Criminalística para exame pericial e ainda não obtivemos resposta.

Tudo leva a crer que nesses computadores estão as provas cabais de tráfico de crianças e do crime previsto no art. 241 da Lei n. 8069/90 [...]

fls 150 (NH)/560 (Taquara)

O delegado sabia do micro do Fritz

O relatório, sem data, foi colocado no inquérito no dia 4 de janeiro. O que delegado Juliano sabia no dia 4 de janeiro?

O Laudo Pericial nº 27276/07 sobre o micro de Fritz Louderback foi completado dia 29 de dezembro. Os peritos afirmam que:

4. Conclusão

Passamos a concluir o Laudo respondendo o quesito pertinente como segue.

"QUAL O CONTEÚDO, ARQUIVOS, HD E PARA QUE SERVEM?"

R.:Conforme descrito anteriormente, este laudo não está completo, ou seja, a perícia no disco rígido descrito continuará e um laudo pericial será gerado. No entanto, algumas imagens e informações de acesso a vídeos e imagens e consideradas úteis para a investigação. Para que isso fosse possível foi realizado contato com a Delegacia que solicitou a perícia. Os dados considerados relevantes são descritos no item 2.2 e no anexo.

O laudo disse ainda;

Foi encontrado o software BestCrypt, que conforme o site do fabricante (https://www.jetico.com), realiza criptografia de arquivos, entre outras coisas. Porém a análise deste software bem como dos possíveis dados cifrados por ele não foi realizado neste laudo preliminar.

Porém, como já destacamos antes, enquanto a perícia encontrou software de criptografia, não encontrou arquivos criptografados. É a diferença entre encontrar uma churrasqueira, e encontrar um churrasco, ou encontrar uma arma, e encontrar uma vítima baleado. Este laudo não afirma que nenhum arquivo criptografado foi encontrado no computador. E não seria crime, ou indício de crime, se fosse.

Os outros micros

O delegado fala de sete micros; mas já mostramos que o numero de micros com discos rígidos - com algo para vistoriar - é seis. Além disso, há dois HDs externos.

Há laudos sobre quatro destes outros cinco micros. Não há menção sequer de criptografia nos laudos.

Destes outros cinco micros, um laudo mostra que dois foram desligados no dia das prisões, as 15:13 e 15:24, outro laudo que um outro foi desligado "em 11/12/2007 às 16h25min". É notório que as prisões acontecerem em volta de 07:00 de manha. Os laptops foram levados aquela manha para a Delegacia de Homicídios em Porto Alegre junto com Fritz, Barbara, André e Cleci. Estes três micros foram, então, ligados pela polícia, que então sabiam perfeitamente que não estavam trancados com criptografia.

Um quarto micro foi desligado pela última vez em 10/12/2006, conforme o laudo: ou um erro de digitação, ou um micro enconstado mais de ano. Porém, igualmente sem pornografia nem criptografia.

Há ainda o micro de Dr. André Herdy, sobre qual não há nenhuma laudo ainda. Ele afirma que dois dos fotos que foram impressos e colocados no processo, existiam somente em um lugar deste mundo, numa pasta no desktop do computador dele. Para ter colocado este foto no processo, a polícia precisava ter acessado o micro dele.

A polícia tem a "fé pública", a presunção que fala a verdade, até comprovado o contrário. Já expomos aqui amplas provas que o delegado Juliano Brasil Ferreira e seu equipe mentiram a torta e a direta neste inquérito.

É tradicional que jornalista presume que o acusado mente; o acusado sempre "alega". Este presunção não levou à verdade no caso Colina do Sol, então vamos dar ao Dr. André não somente a presunção de inocência que a Constituição garante, mas a presunção de que ele está falando a verdade nisso. Um eventual laudo sobre o micro dele deve apontar a data que foi desligado, mas podemos presumir que dele, também, a polícia tinha ciência: sem criptografia e sem pornografia.

Relatório do FBI

O disco rígido do micro de Fritz foi também remetido para examinação pelo FBI americano. O relatório disse que encontrou três arquivos criptografados pelo software BestCrypt. Porém, como explicados no mesmo postagem (onde traduzimos não somente o inglês, mas também o informatiques) conforme o site do fabricante, trata-se de resíduos do programa BestWipe que limpa o disco rígido.

Discos externos

Além dos seis micros, há dois discos externos - um de 20 GB e outro de 100 GB - que não pertencem nem ao Fritz Louderback, nem ao Dr. André Herdy, nem aos seus familiares. Fritz diz que um dos discos era utilizado pelo finado Dana Wayne Harbour, e talvez armeniza as provas dos fraudes do Hotel Ocara. O outro disco, ele nunca viu antes.

Há no processo Laudo Pericial nº 9677/08 da IGP/IC de 28/03/2008 sobre o disco maior, de 100GB, e há o relatório do FBI que trata dos dois discos. O laudo gaúcho diz que:

Foram encontrados três arquivos criptografados com o software BestCrypt (arquivos com formato extensão JBC) denominados "meus amigos.jpg.jbc", "mpstuff.jbc" e "Tests.jbc".

Infelizmente, o laudo não fala da data dos arquivos, nem dos tamanhos: este último dado é verificável, com ou sem criptografia.

O relatório do FBI examinou este disco, mas não fala deste arquivos. Do outro disco, o de 20GB, fala que encontrou dois arquivos, e dá tamanhos, ainda que errados (só pode ser bytes, e não megabytes):

  • Nome: Tests2.jbc, aproximadamente 2.147.483.648 MB, localizado em c:\
  • Nome: Test.jbc, aproximadamente 2.147.483.648 MB localizado em c:\
Não sabemos se quaisquer são idênticos, entre test.jbc, tests2.jbc, e tests.jbc.

A realidade do criptografia

Vimos então, de que há, entre todas as matérias apreendidos, cinco arquivos criptografados, somente nos discos externos, não nos micros com donos conhecidos. Aparentemente ocupam algo como 5% do espaço nestes discos. Não sabemos os datas, mas pelos nomes, trata-se de algum teste.

Mas desmente, cabalmente, o relatório do delegado Juliano Brasil Ferreira.

O delegado fala da criptografia para a imprensa

"Criptografia" foi uma tecla em que o delegado bateu quase desde o primeiro momento. Desde, parece, o momento em que percebeu que não tinha testemunhas nem evidência contra as pessoas que tinha prendidos com tanto publicidade.

Vimos no Zero Hora, um afirmação feito dois dias depois as prisões:

Hoje, Ferreira deve pedir a prorrogação por mais cinco dias da prisão temporária dos quatro suspeitos. O laudo da análise feita por uma psicóloga com seis crianças, para confirmar se elas foram abusadas, e a perícia em sete laptops apreendidos com o casal norte-americano, nos quais haveria fotos criptografadas, ficam prontos hoje.
ZERO HORA, 14/12/2007, via www.ccr.org.br/a_noticias_detalhes.asp?cod_noticias=2069 [link broken]"

Já falamos da falsa psiquiatra Dra. Heloisa Fischer Meyer. Afirmar que "haveria fotos criptografadas", é como falar de um cofre "haveria jóias e diamantes". Antes de abir o cofre, ou o arquivo, não há como afirmar o que haveria dentro.

E como mostram os laudos dos seis (não sete) micros, sabemos que rigorosamente, não há fotos criptografadas neles.

Quando o delegado entregou seu relatório, ele fez declarações para a imprensa. Vimos do Correio do Povo:

 

Seis pessoas indiciadas por pedofilia

O maior caso de pedofilia registrado no Estado e com repercussão mundial teve ontem importante passo dado pela Polícia Civil: o envio do inquérito, com 531 páginas, que indicia o casal norte-americano Frederic Calvin Louderback, o Fritz, 64 anos, e Barbara Louise Anne, de 72, por atentado violento ao pudor, corrupção de menores, formação de quadrilha e divulgação de cenas de sexo com crianças e adolescentes, à Justiça de Taquara.

Responsável pelas investigações que duraram 11 meses na chamada Operação Predador, o delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Homicídios do Deic, mostrou à imprensa parte das milhares de fotografias encontradas em cerca de 30 CDs e três dos quatro computadores apreendidos na cabana dos acusados no interior da Colônia Naturista Colina do Sol (CNCS), no Morro da Pedra, em Taquara. 'As imagens são chocantes', revelou o delegado. As fotografias mostram meninos e até bebês – sempre do sexo masculino –, em poses obscenas, violações, atos sexuais e perversões, entre si ou com adultos não identificados. A maioria do material fotográfico é proveniente do exterior, o que aponta indícios de envolvimento do casal com uma rede internacional de pedofilia – o que poderá ser confirmado com o desbloqueio da criptografia dos computadores restantes sob perícia do Departamento de Criminalística. Há fotografias que mostram algumas das 12 vítimas de abusos, entre 8 e 12 anos, da comunidade de Morro da Pedra, presentes no inquérito.[Correio do Povo, 05/01/2008], via www.anuarioeducativo.iela.ufsc.br [link broken]
 

Há um verdade aqui, de que há fotografias que mostram algumas da 12 "vitimas". São tipo 3x4, em fichas que dão permissão para que freqüentassem a Colina do Sol.

E, de novo, temos o paradoxo - se os computadores são bloqueados com criptografia, como que é que haveria fotos encontrados neles?

Como o delegado disse, o Departamento de Criminalística poderia confirmar suas afirmações. Não confirmou. Desmentiu o delegado.

Mas até agora, os laudos estavam sob o "sigilo de Justiça", e suas mentiras não foram desmascaradas. E com certeza, ele contava com isso, e e anunciou suas mentiras em frente aos holofotes, confiante que a verdade seria amordaçada.

E, de novo, o laudo do Instituto Criminalista comprove que não houve nada nos CDs. Foi outro mentira do Sr. Delegado.

Mentiras

Vamos repetir, mais uma vez, em alto e bom som.

Quando o Delegado Juliano Brasil Ferreira, na época titular do Departamento de Homicídios da Polícia do Rio Grande do Sul, afirmou que os computadores apreendidos no caso Colina do Sol estavam bloqueados com criptografia, ele mentiu.

Mentiu no sentido "mentiu". O que ele disse era falso, e ele tinha plena ciência que era falso.

Quando o delegado Juliano Brasil Ferreira disse que encontrou pornografia infantil nos computadores apreendidos no caso Colina do Sol, ele mentiu.

Era falso, e ela sabia quer era falso.

O delegado mentiu no relatório do inquérito, e portanto mentiu para a Justiça.

O relatório foi transmitido pelo CPI de Pedofilia do Senado Federal, e portanto colocou senador Magno Malta bancando o ridículo, exigindo que Fritz Louderback destravasse um computador que nem sequer estava travada.

Juliano Brasil Ferreira mentiu, portanto, para o Senado.

E o delegado mentiu também para a imprensa, que falta ou a inteligência ou a coragem para questionar as bobagens ditas por um Fonte Oficial.

Digo, e repito, e assino em baixo: delegado Juliano Brasil Ferreira mentiu quando ele disse que os computadores apreendidos no caso Colina do Sol fossem criptografados, e mentiu quando disse que ele encontrou pornografia infantil.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Persona non grata

Sexta-feira, fui para Sorocaba assistir uma audiência pública da CPI de Magno Malta. Tinha sido anunciado que viriam sete senadores; depois dois, o presidente mais o senador paulista Romeu Tuma; e finalmente no dia, somente senador Magno Malta.

Ato encolhido no Fórum

O local da audiência, o dia, e também a duração mudaram. Tinha sido anunciado para a Câmera Municipal dias 9 e 10. Mudou para o Fórum, e nem para uma sala ampla, mas para uma sala de audiência comum, do Colégio Recursal, onde durou não dois dias, mas uma hora e vinte minutos. Um jornal falou que a Câmara tinha outros eventos agendados, e um vereador que encontrei fora da sala me falou a mesma coisa, mas com um piscar de olho.

O senador aproximou pelo corredor ampla e iluminada do Fórum - o prédio foi inaugurado quando Geraldo Alkimin era governador - andando lentamente, enquanto falava com jornalistas e várias câmeras de televisão. Deu uma parada exatamente onde, se eu ficava, ficaria de "papagaio de pirata", mas achei melhor sair do enquadramento. Afinal, não sou notícia. O senador estava acompanhado pelo secretário da comissão, Augusto Panissete, e outras assessores, inclusive uma promotora jovem e loira. A Dra. Catarina Gazele, ex-procurador-geral de Espirito Santo, com quem Cristiano Fedrigo e eu conversamos em Brasília, e que acompanhou o CPI para Porto Alegre, não estava.

O acusado, Januário Renna, foi trazido pela escada de incêndio, saindo da porta de metal com a blusa por cima da cabeça. Foi levado logo para a sala de arquivo da vara, e somente depois os 20 jornalistas que estavam aguardando desde a hora anunciado foram permitidos a entrar. Juntaram-se mais uma ou duas dúzias de curiosos.

Secretário preso no motel

Januário Renna era Secretário de Administração de Sorocaba quando foi preso em agosto numa motel da cidade vizinho de Itú, com três adolescentes, duas de 14 anos e outra de 15. A polícia tinha seguido o carro dele desde Salto, onde pegou as três. Depois vasta publicidade, outras supostas vitimas aparecerem, incluindo uma menina de 12 anos.

Eu tinha almoçado no restaurante do Fórum, lendo os três jornais da cidade. Uma matéria chamou minha atenção: Garoto fazia ‘michê’ e tinha agenciador primeiro pelo vocabulário - eu entendo que a palavra é "cafetão" - e depois pelo conteúdo. Tanto o adolescente quanto seu homem de negócios, este de maior, foram levados a delegacia - e liberados.

Inocência corrompida?

Entendo que o lei mudou uma semana antes que sr. Renna foi preso. Não conheço as mudanças, e não sou advogado. Mas com certeza, promover prostituição, rufianismo, não ficou menos sério do que antes. E o tratamento de Renna foi desproporcional.

Sempre na lei brasileira, a promover prostituição foi delito mais sério do que ser ou freguês ou prostituta. Antes da mudança recente da lei, muitos na situação de Renna foram inocentados de acusação de corromper menores, comprovando que já tinham sido corrompidas muito antes.

Sobre estas menores, o Jornal Cruzeiro do Sul informou já três meses de que

Obscenidade

Segundo informações extra-oficiais, uma das meninas teria tentado fugir do CIM Mulher. Coincidência ou não, uma viatura da Guarda Municipal (GM) passou a ficar 24 horas em frente à entidade, localizada no Jardim Embaixador. Neste mesmo período houve um outro incidente, agora oficial. Outra menina - assim como num jogo - teria praticado “atos que beiraram a obscenidade” defronte a um dos GMs, fato este relatado, em documento, pela funcionária Fernanda Monti, e encaminhado às conselheiras tutelares de Salto.

De praxe

A audiência, anunciado para 14:30, começou às 16:00. Enquanto o advogado de Renna, Dr. Márcio del Cístia Filho, consultou com seu cliente no arquivo, Senador Magno Malta começou a audiência com as frases "de praxe". Declarou aberto a sessão, e enfatizou que estava tratando de um "caso emblemático, ate pedagógico" por envolver autoridade público.

O senador passou a falar da natureza da CPI. "Não é uma uma usina de denúncias", ele diz, "investigamos". As viagens da comissão tem o intuito de evitar deslocamentos a Brasília.

Explicou que, durante a audiência pública, a sala de sessão era um extensão do Senado. Ele convidou o delegado e o promotor de Gaeco a participar. Esclareceu que a CPI não é um tribunal de exceção - algo com que já discordamos aqui.

Expulsão

A aí termina minha notas da sessão da CPI em Sorocaba, leitores, porque o senador Magno Malta pediu que o senhor de camisa verde, que estava bem ao meu frente, ficasse um pouco de lado. E ai, a minha grande surpresa, o senador me expulsou da audiência pública.

A matéria abaixo do Jornal Cruzeiro do Sul é geralmente correto. O termo "jornalista de araque" ele já usou antes, e eu perdi uns minutos procurando "Araque" no atlas antes de consultar o Aurélio. Porém, cortaram o segundo frase. Preferi a frase completa da sua excelência, "anjo guardião de pedófilos".

Discordo também da afirmação do jornal de que o senador "gritou"; não achei que saiu tanto do seu tom normal de discurso.

Holofotes e Gaeco

Conversei com os outros jornalistas enquanto aguardamos o começo da sessão. Saiu no Jornal Cruzeiro do Sol que disse que senador Magno Malta procura holofotes. Pode ser que disse isso, ainda que seria chover no molhado.

Mas o que enfatizei foi a atuação de Gaeco. Em três recentes casos de crimes sexuais, a caça às bruxas de Catanduva, o Dr. Roger Abdelmassih, e este de Januário Renno, apareceu o sempre mediática Gaeco.

Em Catanduva, há a atuação de uma pessoa agindo isoladamente, se for isso - eu comecei desconfiar da confissão de Zé da Pipa quando li cartas de 300 anos atrás sobre os processos de Salem, aconselhando cuidado até com confissões nestes casos.

O caso contra Dr. Roger também é peculiar. Pelo alegado, suas vítimas eram somente entre aquelas que pagaram suas honorário, bem altas, e não conseguiram engravidar, nunca entre aquelas que conseguiram ter filhos. Também, o livro "No Crueler Tyranny" da Dorothy Rabinowitz, sobre a histeria de abuso em escolas infantis nos EUA, tem um capítulo sobre um médico que sofreu acusações semelhantes aos de Dr. Roger, ainda que de somente uma paciente. E ainda se fomos acreditar as acusações, nada leva a crer que houve alguém envolvido além de Dr. Roger.

Januário Renna foi preso por policias que seguiram seu carro, depois do que ele mesmo pegou as adolescentes em Salto, e levou para o motel para, usando uma frase infeliz, consumo próprio. De novo, nada leva a crer que houve mais alguém envolvido. Muito ao contrário.

Porque, então, a intervenção de um grupo dedicado ao repressão de crime organizado? De crime organizado não há nem cheiro.

Em Catanduva, Gaeco apreendeu evidências com 40 policias e 20 delegados, e mídia pre-avisada. Em junho, em um "reconhecimento", o promotor de Gaeco João Santa Terra admitiu - respondendo uma pergunta de um jornalista de araque - que só tinha um único perito analisando as evidências.

Há investigação, e há gente se exibindo na luzes de ribalta. Se for somente os promotores posando de herói, pouco me importaria. O que incomoda, é a conscrição de pessoas para preencher os papeis de vilão.

Peso indevido

Na matéria de Agência Estado, de três parágrafos, um focalizou na minha expulsão da sala.

E o Jornal Cruzeiro do Sul dedicou uma matéria ao assunto.

Tocaia

O que não saiu nos jornais, foi que enquanto aguardei fora da sala, não entrei antes da saída do senador, para evitar provocar-lo. Falei um pouco com o advogado do Januário, e desci com ele.

Na porta do Fórum, tinha um tocaia armado, com o delegado, o promotor de Gaeco, e muita mídia. Fui interpelado pelo delegado, que perguntou se eu tivesse dito que fui convocado pelo CPI aquele dia, e mostrado um papel.

Dei de prontidão o papel, cujo autenticidade foi confirmado pelo Panissete, que diz que era um requerimento, e não uma convocação. Eu diz que nunca falou para a imprensa de que a convocação era para hoje.

O delegado informou que pelo artigo 355 do Código Criminal, apresentar papel falso é crime. Dr. Márcio fez uma defesa de mim, breve mais cheio de brio, que reforçou minha confiança de que Januário Renna é bem defendido.

Passei brevemente pela minha cabeça de que eu estava prestes de ser, pela terceira vez, preso na televisão. Pensei que estava desenvolvendo maus hábitos, e que tinha esquecido de levar minha escova de dentes.

Convocação

Fora da questão da diferença entre um requerimento e um convocação, o que é este papel? Eu estava lendo no site do Senado depoimentos perante o CPI, e encontrei meu nome, e fui ler os convocações.

Requeiro, nos termos do disposto no § 3º do Art. 58 da Constituição Federal e do Art. 148 do Regimento Interno do Senado Federal, seja convocado para prestar esclarecimentos a esta CPI, o sr. RICHARD PEDICINI.

Reveste-se de significativa importância a investigação do caso pela relevância e por convergir com o objeto de investigação desta Comissão Parlamentar de Inquérito.

Sala de Sessões,
(assinado)
Senador MAGNO MALTA

Li que o senador Magno Malta achava que seria "de significativa importância a investigação" eu "prestar esclarecimentos". A CPI vindo para perto de São Paulo, permitindo que eu evitar deslocamentos a Brasília - exatamente como o senador apontou sexta-feira - é claro que vou. Como que poderia não vir, se meus esclarecimentos sejam "de significativa importância"?

Fotografias

O que aconteceu de substância na reunião, foi que o senador mostrou umas fotografias de pedofilia supostamente achados no computador de Januário Renna no Paço Municipal. Conforme os jornais, supostamente 2100 fotos, incluindo uma de uma menina de quatro anos amarrada.

Esclarecimentos

Curiosamente, eu tinha esclarecimentos de prestar, de significativa importância, relacionado a fotografias e documentos falsos.

Fui convocado para depor no CPI em Porto Alegre, em junho do ano passado, no caso Colina do Sol. Lá, dos quase 20 volumes do inquérito na época, foi me mostrado uma dúzia de folhas, recheados de fotos pornográficos, semelhantes ao que aconteceu com sr. Renna.

Mas o que foi me mostrado em Porto Alegre foi documento falso. Estas fotos foram anexados ao processo Colina do Sol, com um "certidão" de um investigador, afirmando que foram achados em CDs apreendidos no caso.

Mas o laudo da Instituto Criminalistica de Rio Grande do Sol, comprove que não há nada nos CDs relevantes ao processo.

As fotografias do case Colina do Sol, então, foram "frias". O que garante que as mostradas para sr. Renna são autênticas?

Crianças e adolescentes

Na época de nossos bisavós, uma moça de 18 anos ainda não casada era solteirona. Quatorze anos de idade era uma idade comum para noivada ou casamento. Foi a idade da Julieta quando fugiu com Romeu. É ainda uma idade apropriado entre os índios, e durante quase a totalidade da história humana, uma moça em idade de engravidar, era uma mulher em idade de casar.

Sr. Januário Renna foi pego num motel com três adolescentes, duas de 14 anos e uma de 15. A lei brasileira trata de forma diferente quem tem mais de 14 anos e quem tem menos, e quem é inocente sendo corrompido, e quem é profissional de sexo já experiente. A soltura do garotinho de programa na noite anterior ao audiência sugere que em Sorocaba prostitutas de 14 anos não são raridade, nem visto como necessitando medidas extremas.

Sr. Januário será julgado não pelos padrões de nossos avôs, ou pelo lei que acabou de mudar dias antes da sua prisão. Pelo menos pelo que ele fez, se fez, depois da mudança de lei: qualquer conduto anterior será julgado baseado no lei vigente na época.

Fotos raras

Um paixão para mulheres jovens e férteis é normal da ponta de vista de biologia e história humana. Porém, as alegadas fotos de meninas de quatro anos sendo amarradas foge da padrões.

Foge da normalidade da humanidade, e foge do que conhecemos da comportamento de sr. Renna.

Muito pouca gente, na realidade, fica exitada com crianças impúberes.

Mas quem gosta muito de foto pornográfica de criancinha, é policial e promotor querendo apimentar uma acusação sexual.

Fotos assim, a CPI nós assegura, são amplamente disponíveis pelo Internet - as fotos frias do caso Colina do Sol tinham até inscrições em russo. E a lei contra pornografia proposto pela CPI franquia a guarda desta matéria para quem investiga.

A matéria é disponível, então, aos acusadores de sr. Renna. Não afirmo que evidência foi plantada no processo contra Renna. Mas fui para Sorocaba munido com provas que assim foi feito no caso Colina do Sol.

E teria apresentado as provas, se tivesse sido chamado para falar, na maneira que a Comissão votou, em vez de ter sido proibido de ouvir uma audiência pública.

http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=39&id=244809 CPI da Pedofilia - [ 05/12 ]

Aparição de suposto 'jornalista' intriga Malta

Gustavo Ferrari
Notícia publicada na edição de 05/12/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 7 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Bruno Cecim

Richard acompanha depoimentos
de pedófilos

A aparição do suposto jornalista americano, Richard Pedicini, durante a sabatina da CPI da Pedofilia a Januário Renna, na tarde de ontem, intrigou o senador Magno Malta (PR-ES), que chegou a expulsá-lo da sala do Colégio Recursal no Fórum de Sorocaba. O senhor é um jornalista de araque e guardião dos pedófilos. Suma daqui, gritou o presidente da comissão. Imediatamente, o intruso deixou o local.

Fora da sala, Pedicini conversou com a imprensa. Disse que havia sido convocado por Malta a comparecer a uma sessão da CPI, que não precisava ser necessariamente a de ontem. Ele não vai com minha cara e incomodá-lo seria um prazer, disse.

Malta pediu que a Polícia Federal (PF) investigue o americano, que teria comparecido, também, em oitivas do pedófilo Zé da Pipa, em Catanduva, e em Colina do Sol, no Rio Grande do Sul. Pedicini deixou o fórum dentro do carro de uma das filhas do criminalista Mário Del Cístia Filho.

sábado, 5 de setembro de 2009

Tribunais de exceção

As tribunais de exceção são uma técnica antiga. Espanha tinha a Santa Inquisição, Inglaterra o Star Chamber, os EUA sua Comissão de Atividades Não-Americanas, a União Soviética suas Tribunais Populares. Brasil favorece o nome CPI.

O filósofo brasileiro Paulo Ghiraldelli Jr escreveu ontem comparando a perseguição de comunistas ao "... 'caça às bruxas' em relação à pedofilia no Brasil".

Vou desviar um pouco do foco de hoje para compartilhar as suposições de Ghiraldelli sobre quem faz estes denúncias:

Por que há pessoas fazendo tanto barulho em relação à pedofilia? Teriam sido elas vítimas? Ou elas são pessoas sem causa e, enfim, por considerarem o sexo algo sujo, imaginam que todo mundo que se aproxima de uma criança – inclusive um pai – é um maníaco sexual? Por que estamos dando tanta voz para essa gente que não consegue ter orgasmo, que é visivelmente mal amada?

Em julho senador Magno Malta lembrou de mim e me convocou - de novo - mas esqueceu de me informar disso. Só descobri anteontem.

Convocou também o promotor Dr. Antônio Bandeira, que faz jus ao nome de Promotor de Justiça, e o presidente da Câmera de Vereadores de Catanduva, Dr. Marcos Crippa, ex-delegado de polícia. Tinha a honra de conhecer os dois quanto visitei aquele cidade do interior paulista.

Temos hoje duas cartas, de tribunais de exceção, do Capital Federal e de um dos grotões do país; de um tribunal com poderes de polícia e Justiça, e um cujo poder é de fechar o portão de terrenos que já não são dele. A CPI está para expirar em 23 de setembro - e a CNCS, para expirar antes.

Antes de ler as cartas, vale ler a conclusão do professor Ghiraldelli

Preciso falar claro, avisar todos claramente do que está ocorrendo. Pois não quero ver pais amorosos sendo punidos, em meu país, por amarem seus filhos. Quem iria imaginar que, um dia, no Brasil, iríamos para a cadeia por beijar filhos? Nenhum de nós pode agüentar isso. Não podemos deixar o Brasil do ódio vencer o Brasil do amor.

Em Brasília ...

SR. GERALDO HENRIQUE CORRÊA:...O que me deixa muito irritado, me deixa muito magoado é que o mesmo Promotor que demorou dez dias para entender o diretor que fez a primeira denúncia, atende imediatamente um americano, que eu não sei o que ele veio fazer no Brasil para falar de pedofilia, para aparecer na mídia.

SR. PRESIDENTE SENADOR MAGNO MALTA (PR-ES): Como é o nome dele?

SR. GERALDO HENRIQUE CORRÊA: É Richard.

SR. PRESIDENTE SENADOR MAGNO MALTA (PR-ES): Ele é um falso jornalista. O Brasil está me vendo aqui, é falso jornalista. Eu já o vi bisbilhotando em Porto Alegre, estava bisbilhotando agora em Manaus.

Faça uma convocação do Sr. Richard, porque eu vou querer a documentação dele aqui, eu quero a documentação dele, que ele é um falso jornalista. Aliás, agora pode ser jornalista, porque eu também sou, não tem diploma mais. Quem sabe agora ele se legalizou.

SR. GERALDO HENRIQUE CORRÊA :Aqui está uma matéria dele com o Presidente da Câmara Municipal de Catanduva. Sabe. O que eu senti... Eles estão tentando transformar o caso de Catanduva simplesmente na escola de base, é essa a intenção deles. Eu trouxe uma matéria que saiu na...

Foto: José Cruz/ABrFoto: José Cruz/ABr

SR. PRESIDENTE SENADOR MAGNO MALTA (PR-ES): Só um minutinho, me dá um minutinho. Faça um requerimento para mim para a Embaixada Americana e a Interpol a respeito desse Sr. Richard aqui. Esse é um bisbilhoteiro falso. E o convoca para a primeira semana. Eu o quero junto com o Presidente da Câmara.

SR. GERALDO HENRIQUE CORRÊA : Nesta revista É Noticia de Catanduva eles utilizam o nosso título quando nós fizemos a denúncia, falam de todos os assuntos. Não se preocupam com as crianças nessa matéria. E o que é que acontece nisso tudo aqui?

SR. PRESIDENTE SENADOR MAGNO MALTA (PR-ES): Botou a nossa foto aqui, João. Beleza.

SR. GERALDO HENRIQUE CORRÊA : Fala sobre a CPI. E aí ele joga a matéria da Escola de Base junto para tentar desqualificar o caso de Catanduva. Eu, simplesmente, fiquei abismado com isso. E para completar, o vice-prefeito que é o dono da revista me faz uma bela de uma poesia sobre Catanduva: “E onde estão as crianças, onde as dores das crianças? Em lugar nenhum”. É o que eu tenho em mãos. Nada

Tem outra revista que a mídia também que é de Catanduva que fala sobre a questão da pedofilia, não se preocupa com as crianças, só se preocupa se Catanduva, o nome de Catanduva foi ou não ameaçado. Aqui o prefeito dizendo que não, não sei o que. Quer dizer, o que nós temos em Catanduva é uma vaidade, é uma falta de respeito com as nossas crianças, porque tudo está sendo trabalhado para quê? Para que o nome de Catanduva seja preservado e não os direitos das crianças que estão contidos no seu estatuto. Isso me dói, isso me dói muito.

Eu fui depor, eu simplesmente fui escorraçado pelo promotor da Primeira Vara da Criança e do Adolescente. Ele berrava comigo, também...

[...]

SR. PRESIDENTE SENADOR MAGNO MALTA (PR-ES): Geraldo, eu vou oficiar. Requeiro nos termos regimentais do Senado Federal, seja convocado processo de crime na CPI o Sr. Pedicini. Eu, o Senador Sérgio Zambiasi, Papaléo Paes, Romeu Tuma, Geraldo Mesquita e Magno Malta. Eu aprovo este requerimento. Como aprovam, permaneçam como estão. Está aprovado.

Então, eu também ofício a Embaixada Americana e a Interpol a respeito desse jornalista de araque aqui.

http://webthes.senado.gov.br/sil/Comissoes/CPI/Comissoes/CPIPED/Atas/20090715RE049.rtf, fls 4-8.

... e no Morro da Pedra

Numa imitação infantil destes terrores grandes, a Colina do Sol tem seu "Conselho Disciplinar". Notamos aqui as recentes tentativas da Colina de infernalizar a vida de Fritz Louderback e sua família. Semana retrasada barraram o filho afetivo, Cristiano Fedrigo. Esta semana foi a vez do adotivo mesmo, Douglas Anner Louderback, com uma tentativa de ameaça que, de tal mal-feita, fica palhaçada.

Fritz está processado Etacir Manske, o presidente de CNCS, sobre as dívidas que Eta parou de pagar na mesma semana que Fritz foi preso - preso devido as denúncias de Eta e suas comparsas.

A carta da Colina, com data de 21 de agosto, fala de uma suposta reunião de 24 de abril, sobre um incidente apócrifa de 4 de abril. As datas em si já demonstram a transparência da decepção: deixaram o caso de molho por cinco meses, e levou duas semanas para entregar uma carta para alguém que passa diariamente pelo portão? É brincadeira.

Qualquer pessoa razoável entende a carta imediatamente para o que é: parte da campanha contra a família de Fritz. Difícil dizer que é para fazer um julgamento no estilo soviético, ou para reclamar que a palavra "CONFIDENCIAL" foi desrespeitada. Vamos ver.

Ora, bolas

O fatos do caso são simples. Douglas tinha pedido de volta as bolas e camisas do time de futebol do Barração, pois eram precisos para o projeto New Faces, que estava relançando as aulas de futebol.

Conforme Douglas relata, Eta recusou de forma chula ("Não vou dar bolas porra nenhuma."), e Douglas deixou o mercadinho. Fritz comprou nove bolas novas, mas no dia seguinte as camisas e bolas estavam na recepção, onde Cristiano pegou, assinando recibo. Eu já vi as camisas nas aulas no Barracão.

Na minha primeira viagem para Taquara em março de 2008, visitei o Barracão, sem comunicar minha intenção antes para ninguém, para poder falar com pessoas que não eram nem acusadores nem defensores, mas somente testemunhas dos fatos. Do meu relatório da visita:

Futebol sábado à tarde
Houve muita notícia também que Fritz patrocinava aulas de futebol para as crianças menores da região. O Barracão cobra R$15 por hora para cobrir o custo de luz. Fernando disse que não cobrava dos menores e que fornecia lanche graças à generosidade de Fritz. Disse ainda que Fritz deu um Monza para Etacir Manske da Colina (conhecido por Eta), pelo qual pagou R$7.500, como parte de um acordo pelo qual este treinaria as crianças. O trato era que Eta vinha de 2:00 às 6:00 da tarde aos sábados.

Eta deixou de dar as aulas paras quais tinha recebido, quando Fritz foi preso - da mesma maneira que deixou de pagar os empréstimos.

Quem dá as aulas agora é Douglas e seu irmão Paulo, conhecido com Japa.

Ref: CDs 014/2009 CONFIDENCIAL Colina do Sol, Taquara RS, 21 de agosto de 2009.

Senhor:

Na reunião conjunta dos Conselhos do CNCS de 24/04/2009 foi aprovado por unanimidade, a admissibilidade de encaminhamento ao Conselho Disciplina da denuncia de Etacir Manske contra V.S.

O Conselho Disciplinar abre, portanto, o respectivo processo informando que a denúncia decorre de fato ocorrido em 04/04/2009, às 10h45min, na frente do Mercado Nativo, no CNCS. Nessa oportunidade V.S. teria abordado, de forma ameaçadora, o colineiro Etacir Manske solicitando devolução de bolas de futebol de salão que o Sr. Frederic Calvin Louderback havia doado anteriormente, quando o Sr. Etacir dava aulas desse esporte para crianças do Morro da Pedra. Na seqüência, proferindo palavras de baixo calão teria ameaçado o Sr. Etacir Manske com expressões do tipo “Vou acabar contigo, seu idiota.” E “Vou te pegar fora daqui.”, o que foi considerado pelo mesmo uma efetiva ameaça de morte.

No sentido de propiciar a V.S. ampla defesa e estabelecimento do contraditório em relação ao fato acima referido, solicitamos sua manifestação por escrito sobre a tema em tela, no prazo máximo de quinze (15) dias a contar da recepção desta ofício.

CLUBE NATURISTA COLINA DO SOL
Conselho Disciplinar

Ao Senhor
DOUGLAS ANNER LOUDERBACK
Nesta

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Liberdades reconhecidas

Sexta-feira dia sete, uma nova Nota de Expediente foi publicado no caso Colina do Sol. A nota é um convite de contemplar a natureza e a importância de liberdade: da pessoa, de ir e vir, de informação, e da imprensa.

Nota de Expediente Nº 195/2009

195/2009 7/8/2009 2ª Vara da Comarca de Taquara
Nota de Expediente Nº 195/2009
070/2.07.0002473-8
À Defesa de Frederick para que indique o endereço e o órgão exatos para onde pretende sejam encaminhados os ofícios da petição das folhas 4.581/4.582. Vista as partes dos laudos juntados.

  1. Mantenho a decisão de folhas 4600/4601, quanto à restituição dos computadores, por seus próprios fundamentos.
  2. Sobre a possibilidade de os réus Frederick e Barbara prestarem serviço voluntário, deixo de me manifestar uma vez que desnecessário provimento jurisdicional para tanto.
  3. Defiro o pedido de devolução de passaporte de Barbara. Assim o faço, por dois motivos: primeiro, porque o mesmo foi entregue voluntariamente pela ré; segundo, porque a mesma teve o pedido de prisão preventiva revogado, não subsistindo qualquer condição para que permaneça em liberdade.
  4. Demonstrado o interesse jurídico, defiro o pedido do Grupo Editorial Sinos S/A.
  5. Cumpra-se o último despacho.
Intimem-se.
Taquara, -

A liberdade de ir e vir

Devolvendo seu passaporte, Dra. Ângela destacou que Barbara tem sua liberdade restaurada, "não subsistindo qualquer condição para que permaneça em liberdade."

Ela pode ficar, ou ir para São Paulo, ou ir para os EUA visitar seu médico, e conhecer seu neto mais novo. Ela precisa estar em Taquara quando a Justiça exige (ainda que isso foi dispensado quando a logística falha do Estado não providenciava a presença dela ou dos outros).

Mas estritamente falando, nem isso é preciso. Há um tratado de cooperação jurídica entre Brasil e os EUA que permitiria a Barbara responder de lá. O juiz federal de Sinop, MT, entendeu assim com os pilotos do Legacy. O advogado dos três pesquisadores americanos presos em Corumbá MS em junho se apoio nisso quando os três, passaportes em mãos, voltaram para casa.

"...desnecessário provimento jurisdicional para tanto"

Algo que todos nós sonhamos quando crianças, é que crescendo, poderíamos fazer o que queríamos, sem pedir permissão para ninguém. Ir a cama na hora que queríamos, comprar o brinquedo desejado ... Não é tão simples assim, descobrimos. Ganhamos obrigações na medida que ganhamos liberdades, ou até mais.

Mas ganhamos umas liberdades, sim. O direto de escolher quem vem para nossa casa, em que trabalhamos, quem empregamos se tivemos cacife para tal.

A liberdade específica que Fritz e Barbara ganham neste despacho é a de continuar como o trabalho da associação New Faces, interrompido pelas suas prisões.

Mas não foi que ela não diz nada? Ela não simplesmente diz desnecessário qualquer permissão sua?

Sim, leitor, sim. Mas você não vive na sombra do pequeno reino de terro do Clube Naturista Colina do Sol. A mãe de um suposto "vítima" precisou deixar seu trabalho de babá, ano passado, devida as ameaças da corja: foi informada que alguém contaria para o Fórum que ela estava trabalhando com crianças. Tuca, o "Diretor de Disciplina", já fez boletim de ocorrência falso dizendo que Fritz e Barbara estavam levando menores para sua casa.

Com sua afirmação de que é "desnecessário provimento jurisdicional", Dra. Ângela demoliu a imagem que a corja sempre tentou passar, de que a Justiça é seu fantoche. Ela acabou com o bicho-papão que o CNCS usava para assustar sócios, funcionários, e vizinhos.

...defiro o pedido do Grupo Editorial Sinos S/A.

Algum pedido não-identificável foi feito pela empresa responsável pelo Jornal NH e outros publicações da região, de padrão no máximo duvidoso.

Antes de mais nada, clarifico que a cobertura que o Jornal NH deu às prisões no caso Colina do Sol ultrapassava a sensacionalista para chegar claramente no criminal. Grande parte da imprensa brasileira parece ter como meta falar tão mal possível de qualquer acusado, sem cruzar a linha fatal. Isso exige boa técnica, e bons advogados.

Mas Jornal NH, julgado pela sua cobertura, pulou de cabeça. Em águas desconhecidos. E, como já descobriu, rasas.

O que seria o patamar de indenização por uma acusação falso destes, dado com destaque máxima e cuidado inexistente? Imagino que o Grupo Sinos já deveria ter feito esta pergunta, e encontrou a resposta no poeta John Donne: "Não perguntas por quem os sinos dobram, dobram por tí."

Só que não sabemos a natureza do pedido. Primeiro estranhei que veio não do jornal, mas do "S/A", e que a juíza citou o "interesse jurídico." Porém, o pedido deve ter sido feito por um advogado, que tanto pelo hábito quanto pelo papel timbrado, escreve em nome da S/A; e a juíza citando o "interesse jornalística" seria tão estranho quanto um editor citando "interesse jurídico". Cada macaco no seu galho.

O jornal quer ver algo que está no processo, visando um "retratação espontânea" que reduziria o valor do eventual indenização? Ou recebeu "informações" que examinou com o mesmo cuidado que as acusações iniciais - aparentemente nenhum - e quer as colocar no processo, visando uma condenação, aliviando seu bolso?

Não sabemos. Não sabemos, também o que seria "a petição das folhas 4.581/4.582." Todos as acusações sabemos pelos jornais, tudo que a polícia alega foi par a televisão antes de ir pro inquérito, mas quando é a vez da defesa falar, vem a mordaça.

Vista as partes dos laudos juntados

Aqui, encontramos de novo a dificuldade do "sigilo de Justiça." Que laudos são estes? E o que eles dizem?

O problema não é somente nosso, mas dos advogados também. Consegui o laudo do FBI fora do sigilo, traduzi e publiquei aqui com explicações e até ilustrações. Assim qualquer um pode entender o que aquilo disse: o FBI nada encontrou, não queria admitir, e resolveu encher linguiça. Até no inglês era difícil entender, imagine como está no processo com um tradução ao preço da tabela.

...quanto à restituição dos computadores

Aqui vemos de novo o problema da cerceamento da defesa, causado pelo "sigilo da Justiça".

Vamos aos fatos. Todos as vítimas, menos um, negam que houve qualquer crime. O único que diz que foi abusado, mente.

Como sei disso? Porque tenho de fontes confiáveis que ele disse que me viu na casa do Dr. André Herdy antes das prisões, e eu não tinha passado em Rio Grande do Sul desde antes que o moleque nasceu. Ele disse que nadou na piscina do Fritz, e na casa do Fritz não há piscina. Q.E.D., o moleque mente.

Um dos principais "evidências" contra Dr. André é uma foto desta moleque, com uma peruca lilas. A foto faz parte de uma série, em que o moleque coloca a peruca, Cleci coloca a peruca, André coloca a peruca e a irma da Cleci também coloca a peruca. Todas este fotos, digitais, estão no computador do Dr. André, com as devidas dados que mostram a data e a hora em que foram tirados. A serie de fotos serve como prova de exatamente o que aconteceu aquela tarde - todo mundo experimentou uma peruca ridícula.

A polícia já sabe que está lá, foi de lá que extraíram duas fotos. Sabe que vendo a série completa de fotos, a alegação policial de que estas fotos sugeriam atos indecentes, seria exposta para o que é, uma fraude. Com o computador, Dr. André poderia comprovar a verdade, sem o computador, fica a palavra de um moleque que mente, e que pode ser distorcido por policiais, assistentes sociais, e psicólogos.

Em tempo: a foto do moleque de peruca só existia no disco rígido do computador. A foto foi mostrado para mim no CPI (sem compromisso de sigilo) junto com um papel da polícia dizendo que esta e outras fotos foram encontradas num CD. Que é cabalmente falso.

Calunia, lembrem, é uma acusação falsa de um crime, e a acusação que faço é verdadeira, e comprovável. O que eu escrevo não é crime, o que a polícia escreveu, é.

Uns passos para frente, mas ainda o sigilo

Permanece, ainda o "sigilo da Justiça". Enquanto ele permanece, a farsa continua em pé. Na hora que o sigilo cai, o caso desmorona também, para o alivio tanto dos acusados quando do erário público, que está bancando a despesa absurdo desta caça às bruxas.

domingo, 21 de junho de 2009

Enquanto isso, em Catanduva

Muito aconteceu esta semana no caso Colina do Sol, e hoje a noite atualizo sobre isso. Estava com outro compromissos, em Catanduva, onde há - ou havia - outra caça às bruxas.

Digo "havia", pois fui recebido em Catanduva pelo presidente da Câmara de Vereadores (http://www.camaracatanduva.sp.gov.br/noticias/americano-richard-pedicini-visita-presidente-da-camara), Marcos Crippa, que já havia subida no tribunal da Câmara para declarar que a "rede de pedofilia" que a mídia nacional procurava naquela cidade, não existe.

Fabricação, Marcos Crippa disse, de pessoas que viam lucrar da acusação. Que ouvi também do promotor que cuidou do caso inicial, Antonio Bandeira Neto, que já tinha prometido conseqüências, e enquanto eu estava na cidade apresentou denúncia contra quem espalhou acusações sem provas. Deixei com Dr. Bandeira uma cópia do relatório que Silvio Levy e eu escremos sobre o caso Colina do Sol.

Por coincidência, minha visita coincidiu com mais um "reconhecimento" dos acusados pelas crianças, supostas vítimas. Mais uma vez, não comprovou nada. É verdade que uma das crianças reconheceu o borracheiro "Zé da Pipa", já condenado no caso. Só que "Zé da Pipa" não estava lá.

É notável que enquanto um dos jornais locais ilustrou a diligência com uma foto de senador Magno Malta, a Noticia de Manha colocou uma foto de mim. Fui informado por várias pessoas de que uma entrevista que dei para Noticia da Manha deu muita a falar na cidade (não está online). Em março, eu já tinha escrito no Observatório da Imprensa sobre o caso, e o ombudsman da Agência Brasil já tinha me dado ouvidos, e o tempo, senhor da razão, já acolheu minhas palavras.

Em Catanduva, a "Cidade Feitiço", a feitiço virou conta a feiticeiro. Porque em menos de seis meses, Catanduva acordou, e em Taquara, o processo continua lerda?

E porque em Catanduva fui recebido com honras pelo Presidente da Câmera de Veradores, enquanto em Taquara fui preso em frente ao Fórum?

Diria que Taquara, a cidade, a população, já sabe faz muito tempo que o caso Colina do Sol é uma farsa sem fundamento. Somente no Forum de Taquara, uma espécie de Castelo da Bela Adormecida, pessoas continuam sonhando. Talvez quem estava fiando este história as enganou de experimentar a roca, e foram picadas. Talvez continuam dormindo por falta de um beijo de amor.

Em Catanduva, além dos nomes de inocentes, a nome da própria cidade estava sendo jogado na lama. E há gente de bem, lá. Marco Crippa tinha ele mesmo sido alvo de acusações falsos, anos atras, e estas coisas não se esquece. O promotor Bandeira tem a grandeza de admitir que ele estava errado em pedir a condenação do sobrinho do borracheiro. A Notícia da Manha, que acusava fortemente, mudou de idéia.

Que Taquara aprende de Catanduva! E se o Fórum não consegue enxergar os fatos, que o castelo seja sitiado pelas forças de bem. Ou o nome não somente do Fórum, mas da cidade, será tão manchado que nem um mar de água o limparia.