segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Festa com crianças

No caso Colina do Sol, a polícia diz (e a imprensa fez coro) de que os acusados estavam fazendo "festas com crianças". Bem, faziam mesmo, e fizerem mais um este sábado. Com crianças, sim, e com pais, avós, vizinhos, e amigos.

Contei mais de 70 pessoas, na festa da Barbara Anner e Marino José de Oliveira incluindo um boa leva tanta dos acusados quanto das "vítimas" do caso Colina no Sol.

No foto ao lado, Douglas ("vítima"), seu irmão Japa, André (acusado), Cleiton ("vítima"), e Jairinho, que ajudou construir a primeira casa da Colina, e está entre os muitos banidos.

Enquanto isso na Colina

Fritz Louderback, chegando da Colina numa linda sábado de sol, me contou que tinha seis pessoas lá dentro e isso incluindo o rapaz na porteira. Todos residentes, nenhuma visita. E a noite, na grande Festa de Lingüiça, choveu.

Mas na festa de Marino e Barbara tinha um funcionário de longa data da Colina, e um grande número de pessoas que foram banidas da Colina - mas que estavam se divertindo muito, no mundo real, fora daquele portão absurdo.

Ao lado, o embrulho do churrasco de Marino, pesado por arroba. Na Festa da Lingüiça, a Colina poderia ter comprado por grama.

Churrasco no quintal

As festas no Marino acontecem no quintal, abaixo das árvores, ao lado do campinho de futebol, com uma vista maravilhosos para Morro da Pedra e os morros verdes da Serra Gaucha. Taquara e Paraobé. A primeira etapa é limpar as mesas que ficam guardados ao relento: a lista de compras de Douglas incluiu lixa 24 para esta tarefa. Fios são puxados da casa para o som, bancas compridas montadas, as cadeiras da sala trazidos para os músicos.

Ao lado, a serentada de aniversário para Marino, no centro de camisa branco. Ao seu lado, André Herdy, e de costas para nós, Fritz e Barbara.

Bolo na sala

As paredes da casa de Marino são construídos da pedra grés nativa de Morro da Pedra com a divisórios internas de madeira, que chamamos nos EUA de "knotty pine".

A sala é ampla, e serviu como a primeira escola do que chegaria a ser o projeto New Faces.

Depois do almoço, os músicos mudaram para dentro da sala, e as pessoas começaram dançar - Barbara dançou com muitos. Depois, uma mesa também foi para dentro, e era hora de bolo ou dos bolos, sendo dois aniversariantes. No foto, atrás da Barbara é Neusa, esposa de Marino, e al lado de Marino, um dos seus filhos.

Assistindo o corte do bolo - e em posição estratégico para ganhar uma fatia - são Douglas, seu pai Fritz Louderback, e Cristiano Fedrigo. Cristiano Fedrigo foi recentemente banido da Colina, onde ele mora com a familia de Fritz. Evidentemente, a Colina tem uma comitiva que vota que pessoas podem ser tirados dos seus lares, e incrivelmente, um juiz em Taquara não vê nada demais nisso. Douglas parece ser o próximo na mira da comissão de exclusão da Colina.

Mais um exilado

Márcio Monsani já visitou a Colina do Sol várias vezes no passado e é um amigo de Douglas de longa data. Estava em Praia do Pinho quando Douglas chegou lá com a ex-Sra. Zumbi, e Marcio e sua esposa, amigos da enamorada de Dougals e vizinhos da sua familia, conheceram e gostaram de Douglas.

(Márcio confirma que Douglas aos 16 anos trabalhou pelado sua primeira semana no quiosque da Kibom, antes que Niltinho sugeriu que não seria de bom tom servir freguês sem calça.)

Em março Márcio estava em Morro da Pedra, e participou da festa de aniversário de Douglas. Na fim de semana seguinte, estava lá de novo, e Douglas o convidou a pousar na casa de Fritz.

Na portaria, Márcio conta, houve confusão. Disserem que Fritz tinha seus diretos de sócio cassado, que Márcio não poderia entrar.

"Disse que como era condomínio tinha direto de ir e vir como convidado de residente. Douglas ameaçou chamar a polícia. No meio tempo, o segurança ligou para seu chefe, Mello, e por medo de escândalo, me deixaram entrar. Fomos para casa e jantamos."

"Tuca chegou as 11:00, acelerando seu carro. Não lembrou se ele deu tiro."

"Ele parou para ameaçar, para coagir a gente."

"Ai ele foi embora, e dormimos."

"Estavam me aguardando na portaria, disseram que eu não era uma pessoa bem-vinda. Pegaram uma cópia do meu documento. Fizerem um ato ou ocorrência que eu tinha 'entrado a força'."

Bem, ai temos a história de mais um banido. Gostou do lugar, sua esposa falou que ela já sonhou em trabalhar na Colina do Sol. Pessoas do tipo que trazia vida para o lugar, e deixava lá um pouco do seu dinheiro.

Que não vem mais.

Baixinhos e cavalhos

Houve muitas crianças na festa, mas revendo minhas fotos, cliquei poucos, e aquelas fotos não saírem boas. Concentrei mais nos conhecidos. Porém, um "baixinho", Douglas, me mostrou seu novo cavalho, Trovão. Somente R$350, por não ser domado ainda. Douglas assegura que Marino vai cuidar disso. De qualquer forma, cair de Trovão não vai doer tanto, pois que nem Douglas, Trovão não chega muito acima do chão.

A verdade, no luz do dia

As acusações contra os Quatro da Colina nunca foram ptinham plausibilidade, nem consistência, nem evidências. Que os acusados promoveram "festas com crianças" ..., bem, promoverem mais uma sábado, no estilo de sempre. E das boas, e todos, de todas as idades, se divertiram.

No luz da dia, a verdade dava para ver.

sábado, 26 de setembro de 2009

Encontrando Matrícula 2025

Celso Rossi deu um terreno em garantia do empréstimo do BRDE para o Hotel Ocara. Banco público, porém dinheiro do contribuinte. Ele diz que era o terreno onde estava sendo erguido o hotel, e onde já ficava o restaurante.

Mas não é. O terreno da Matricula 2025, hipotecado para o BRDE, é onde fica o Camping do Tuca.

Histórico do empréstimo

Faltava R$180 mil para terminar o Hotel Ocara em 2002, quando Celso Rossi pegou emprestado R$177.119,00 do BRDE, para construção e equipamento. Ofereceu terreno 2025 em garantia, e conforme os papeis do BRDE:

... as garantias oferecidas constituem-se do terreno onde o empreendimento está sendo construído de 33.000 m2, avaliado em R$408.000,00, o qual foi desmembrado do terreno do Clube, parcela da obra já executada, avaliada em R$235,029,98, prédio do restaurante com 220 m2 de área construída, no valor de R$32.724,44 e R$121.020, de garantias evolutivas, totalizando R$796.823,00.

Localizando o terreno

As terras da Colina do Sol são compostas de várias glebas. Seis tem matrículas no Registro de Imóveis de Taquara, de dois ou três outras Celso Rossi comprou os diretos de posse, e registrou isso no Tabelião de Taquara. Outra parte - incluindo a vila, onde são concentrados as casas construídos por colineiros - parece ser invasão na cara dura.

A Colina contratou um topógrafo para mapear as terras, mas conforme uma conversa de duas semanas atrás, ele mapeou somente as divisas atuais da Colina com seus vizinhos, e não as antigas divisas internas.

Mas começando com os vizinhos de fora, chegamos facilmente ao matrícula 2025.

O sítio dos Schirmer, matrícula 18.793

Chegado à Colina do Sol pelo portão atual, é preciso passar pelo sítio (e pelo portão) do finado advogado Dr. Décio José Shirmer. Conforme a matrícula 18.793, o terreno foi comprado pelos Shirmer de Eurico Odorico Farias e sua esposa em 12 de março de 1984.

O terreno fica em ambos os lados do Beco de Araujo, a estrada pública que vai até a Colina (e passa pela Colina até o portão no outro lado, de onde vai até encontrar a rua Vendelino da Silveira, que desce para a estrada Integração, perto do cemitério: a porteira da Colina fica em plena via pública). O terreno vai até onde tem uma pequena dente de uns 6 ou 8 metros na divisa leste da Colina; este dente - visível na mapa acima - marca o começo das terras de Roberto Fischborn.

Conversei pelo telefone com a filha e o genro do finado Dr. Décio, e pessoalmente com Roberto Fischborne.

Temos, então um lugar conhecido no mundo real, fora do reino nebuloso da Colina do Sol. Estamos na porteira. Vamos entrar.

A tira fina de José Antônio da Silva, matrícula 46.485

Conforme o matrícula de 18.793, este terreno confronte no oeste com terras de José Antônio da Silva. Uns dos contratos de uso que Celso Rossi vendeu na Colina do Sol falam que matrícula 46.485 faz parte das terras, mas o Contrato de Doação não faz menção, e a matrícula nunca foi registrado no nome de Celso Rossi nem do CNCS.

Matricula 46.485 é de 23.533,00 m2 que Olivio da Silva transmitiu para José Antônio da Silva em 3 de janeiro de 1972. Os confrontantes no leste na época eram Eugênio Francisco da Silva e Marcírio Farias; e o sítio dos Schirmer for adquirido da família Farias em 1984.

Conversei com um dos filhos do finado José Antônio da Silva. Ele confirmou que a família vendeu a terra para sr. Darci. Foi Darci que juntou as terras, e repassou para Carlos Edu e José Claudio, que venderam para Celso Rossi.

O filho de José Antônio - que trabalhou na Colina na construção das primeiras edificações - descreve o terreno do pai como sendo "uma tira fina" que ia do norte ao sul na borda leste da Colina, e confirma que estava logo dentro do portão.

Aqui, os registros escritos e orais batem: logo dentro do portão é matrícula 46.485.

Olhando melhor a escritura 46.485, é de 1972. Olívio da Silva só adquiriu o terreno sob registro de 2.025 em 1977. Quando 46.485 foi registrado, o vizinho limitífero no oeste era outro, Antônio da Silva. E vendo o registro de 2025, vimos que Olívio comprou a terra de ... Antônio da Silva:

 
  OFÍCIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS
COMARCA DE TAQUARA - RS
LIVRO Nº2 - REGISTRO GERAL

   Taquara,  27    de    abril   de 1977
Fls
1
Matrícula
2.025

IMÓVEL: TERRENO RURAL DE CULTURA, com a área de 33.818 m2., sem benfeitorias, situado em Morro da Pedra, neste municipio, confrontando-se: ao sul, com terras de Constantino Antônio da Silva; ao leste, com ditas de Alfredo Antônio da Silva; ao norte e oeste, com terras de Generoso Antônio de Souza. - cadastrado no INCRA sob nº 852 120 013 862 - area de 3,3; nº de módulos: o.o4 fração minima de parcelamento: 3,3.- PROPRIETÁRIOS: ANTONIO DA SILVA, industrialista e s/m. DIVA MARIA DA SILVA, do lar, brasileiros, domiciliados em Morro da Pedra, neste município.- CPF. 089xxxxxx. Regº Antº. 31.307 lº 3-AF fls. 132.-
O sub-oficial,


Taquara, 27 de abril de 1977.
R 1-2.025
TRANSMITENTE: ANTONIO DA SILVA E S/m. DIVA MARIA DA SILVA, já qualificados. ADQUIRENTE: OLIVIO DA SILVA, brasileiro, desquitado, agricultor, domiciliado em Morro da Pedra, neste municipio.- CPF. 161414310. - Caracteristicos do imóvel: "O descrito na matnicula nº 2.025" ....

 

Não perguntei a largura aproximada da 46.485, se for realmente do norte ao sul, com o tamanho que tem, seria de uns 30 metros. Preciso confirmar isso.

O filho confirmou ainda que, no outro lado da terra do pai, tinha um lote triangular, com o base no vizinho do sul - atualmente a família de Leopoldo Gross - e com a ponta na altura do portão.

Pela matrícula, o terreno faz confronto no oeste com terrenos de "Antonio da Silva e herdeiros de Constantino Antônio da Silva".

A herança de Constantino, matrícula 9.330

A matrícula 9.330, de 11 de setembro de 1980, registra a divisão do terreno de 24 hectares em oito partes, com muitos nomes que já encontramos, entre eles Olívio da Silva e José Antônio da Silva. O Registro de Imóveis de Taquara afirma que esta inclui terras que fazem divisa com o terreno de registro 2025 - e confirma que outra confrontante de 2025 é matrícula 46.485, aquela fininha que fica no portão da Colina.

Outro detalhe interessante da herança de Constantino é o registro 12/9330, de 25 de junho de 1991, da desapropriação amigável em 23.01.1991 pela Prefeitura de Taquara de "a parte ideal de 962,965, dentro do todo." Será o Beco de Araújo? Vou conferir.

[Correção: A "parte ideal de 962,965" m2 é o terreno onde foi construida a Escola Municipal de Ensino Fundamental Dona Leopoldina.]

Matrícula 2025

Bem, se matricula 46.485 é fininho, e fica na borda leste, e Matrícula 2025 faz divisa com ela - e temos a palavra to Registro de Imóveis nisso - e é de somente 33.818 m², este terreno não tem como chegar até onde fica o hotel.

A matrícula da 2025 tem outra peculiaridade: dando as confrontações, diz que "ao norte e oeste, com terras de Generoso Antônio de Souza". Nenhuma das outras papeis de terras que olhei - e olhei muitas - deu duas confrontações num frase assim. Pode ser que isso é o terreno triangular do que o filho de José Antônio falou.

Porém, ainda não tem a matricula do terreno dos Souza. Precisa ser transcrito dos enormes livros de registro, com aquele caligrafia de antigamente, e somente terá terça-feira.


Hipoteca e penhor

O terreno que Celso Rossi ofereceu como garantia do emprestimo para Ocara foi hipotecada pelo BRDE, e penhorado pela Sucessão de Gilberto.

Mas, pelo que vimos, não é o hotel de Celso que ele deu em garantia. É o camping de Tuca. O terreno de registro 46.485 Celso talvez disse que vendeu para Tuca, ainda que isto não está registrado em lugar nenhum. Combinando o que o filho de José Antônio falou, e o que o Registro de Imóveis falou, parece que na matrícula 2025 fica parte do camping de Tuca - e a própria casa também, se não me engano.

O que fazer?

O caminho para frente para BRDE parece claro: entrar com queixa-crime contra Celso Rossi, que diz que estava oferecendo um pedaço de terra em garantia, e entregou outra. BRDE, ou qualquer contribuinte que se sente lesado - afinal, é dinheiro público que foi dado para completar o Hotel Ocara, e pelo estado da construção, encontrou outro destino.

E o sr. João Ubiritan dos Santos, vulgo "Tuca"? Como fica o caso dele? Que caminho ele deve seguir?

Bem, não sei que Tuca quer meus conselhos, mas ofereço, em troca da entrevista que ele me deu. Tuca, em vez de arrumar as barracas, deve esta vez, arrumar um barranco.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Infância nas pedreiras

Douglas Anner Louderback é uma figura emblemática do contraste entre Morro da Pedra e Colina do Sol. Pulou grande parte da infância, começando trabalhar nas pedreiras aos nove anos. Baixinho, miudinho, e aparentmente tímido, ele é bem a vontade em áreas de nudismo, e pelo todas os relatos que colhi, uma dádiva para as mulheres de qualquer idade.

Vamos aprender mais sobre ele e a infância no Morro da Pedra. No futuro próxima, falaremos de amor adolescente no campo de nudismo.

Pivo das falsas acusações

Douglas é o pivô do caso Colina do Sol.

O acusador original, Zumbi, levou acusações de pedofilia para a polícia um dia depois do que a Sra. Zumbi se mudou de mala e cuia para Santa Catarina com Douglas, com quem ela manteve relação amorosa o desde os quinze anos dele.

E ela era bem longe de ser a primeira, ou a única.

A corja da Colina reclamou do rapidez com que Fritz e Barbara adotou Douglas. Tendo um filho brasileiro evitava que eles fossem deportados. Tinham um herdeiro para sua casa, que assim não poderia ser facilmente despropriada pelo Conselho da Colina. E um herdeiro que poderia cobrar as quantias que vários membros destes conselho deviam para Fritz.

A chegado de Douglas na comunidade naturista criou um dor de cabeça tanto para Zumbi quanto para o Conselho da Colina do Sol.

Filho de Morro da Pedra

Cicatrizes do Douglas

Visitei Douglas em Biguaçu, SC, no domingo de 21 de dezembro de 2008. Estava muito quente e ele estava somente de calçaõ, e perguntei sobre seus cicatrizes. Logo peguei meu caderno e pediu para ele repetir, pois pareciam uma boa resumo de infância em Morro da Pedra.

Joelho, 5 pontos :
"Quando eu era bem moleque, eu subi no pé de arvore, usando cerca de arame farpado como escada. O galho quebrou, e cai na cerca. Arrancou um naco de carne."
Cicatriz fina, branca, cruzando mamilo direto:
"Foi um prego, quando cai de um árvore. Eu fazia escadinha para subir, pregando madeiras no tronco, e um pau quebrou."
Cicatriz pequena, perto no umbigo:
"Eu estava brincando com fogo, ascendo uma peça de plástico, e uma gota de plástico me pegou bem ai."
Mão esquerda:
"Foi um corte de facão, descascando cano de açúcar para chupar."
Mão esquerda, dedo de meio torto:
"Cortei trabalhando, quando tinha uns dez anos. Estava jogado pedra no caminhão, a pedra lascou, e me cortou. Levaria cirurgia para desentortar."
Canela esquerda, uns 10 cm abaixo do joelho:
"Levei uma chifrada de boi no Circo Vargas. Estava com muito medo, lá."
Joelho esquerdo:
"Queimei no moto semana passada."
Canela direta:
"Aqui foi o moto também faz uns dois anos."
Ponto roxo na unha do dedão esquerda:
"Foi uma martelada no serviço."
Costas, lado inferior de baixo, uns 10 cm de comprimento, 1 cm largura:
"Eu subi num árvore para roubar goiaba, e o galho quebrou. Cai na cerca de arame farpado."
Não visível:
"Quebrei o cóccix, quando cai de cima de um árvore bem alto, de costas."
Na nádega esquerda:
"Tenho marcas de uma mordida de cachorro, quando tinha uns sete anos. Eu era bem pião. For o cachorro da merendeira. O corrente quebrou, e o filho da mulher não conseguiu segurar o cachorro pelo corrente. Tomei injeção contra raiva."

Douglas nasceu de mãe solteira, que não tinha condições de criar-lo, e ele foi dado para tios.

O tio de Douglas trabalhava nas pedreiras de Morro da Pedra, um serviço que paga melhor do que as fábricas da região. Porém a poeira constante prejudica as pulmões, e é bastante comum que homens da região chegam ao meia-idade com dores constantes no peito. O único remédio alcançável para remediar o dor é pinga. Quem tem efeitos colaterais.

Na pedreira as nove anos

Douglas começou trabalhar nas pedreiras as nove anos, quando estava na 3ª serie, pois “tinha que ajudar em casa”. Seu irmão também começou cedo. Ele disse que, “Agora não tem mais de 9 anos trabalhando mas tem 10, 11, 12 - sempre tem. 13 anos é mais comum.” “Ninguém pede documentos – só perguntam se saber fazer.”

As crianças, ele disse, foram bem tratado pelos trabalhadores mais velhos. Tinha tiração de sarro, mas é toda familia. Um tio dele trabalhava na mesma pedreira, e tinha um primo de 13anos e outro de 10, também.

Sobre o Conselheiro Tutelar, disse que nunca viu lá, que “Nunca vieram incomodar”. E a escola também, “não incomoda, sabe que tem que ajudar em casa.”

Um adulto consegue tirar mais na pedreira do que o salário mínimo que uma fábrica paga. As crianças ganham menos. Na época que Douglas diz que quando ele começou era “cinco pilha por semana”, mas hoje em dia é R$15 uma tarde ou manha por uma criança. Ele tirava caco, carregava caminhão, e carregavam pedras menores. O turno dele era das 13:00 até as 18:00.

Até pedras menores são pesadas para uma criança em desenvolvimento, e dá problemas na coluna. Douglas foi avisado de que se ele voltasse a trabalhar assim, pode ficar paralítico. Mas diz que sua estatura nada tem a ver com o trabalho precoce, que era “sempre mais miudinho”.

Estudo interrompido

Douglas sempre começou o ano estudando meio período, e trabalhando meio período. Ele diz que as vezes não queria ir mais, proque era muito puxado trabalhar na pedreira e estudar no colégio. Então tinha que parar colégio, ele disse. Sempre ia mais ou menos metade do ano escolar, e parava. Ele estava atrasado na escola, mas conforme o irmão dele, ““Estava progredindo lá, apareceu resultados. Numa época, ia para colégio de manhã, e Fritz levava para Taquara para reforço. Estava progredindo. Mas passa por coisas normal de adolescente. Sempre sai atrás de mulheres. É namoradeiro”.

Depois do que ele foi adotado, e disse que “passei ano – eu gostei.” As matérias prediletias dele são educação física, artístico, e história. Ele estava fazendo supletivo de 6ª, 7ª, 8ª serie, juntos, antes das prisões. “Fritz e Bárbara ficarem pegando no pé” para estudar, ele diz. Tão cedo que consegue sua carteira de motorista, votará de novo ao supletivo.

Problemas de disciplina

Seja por falta de estrutura em casa, seja por temperamento, seja por adolescência, Douglas ganhou fama de difícil. Para da um exemplo, um centro da vida comunitário é o Barracão de Morro da Pedra, que serve tanto para grandes festas da igreja, quanto para futebol e outros jogos. Foi reformado graças a dinheiro que Fritz conseguiu dos Estados Unidos.

Porém, em 2007 Douglas pegou um suspensão de três anos do Barracão, por causa de uma briga. Ouvi que ele cuspiu num outro jogador; Douglas contou que o time dele estava brigando, e os outros começaram a briga.

De qualquer forma, vale notar que no Morro da Pedra a influência de dinheiro não é tão forte que não se expulsa o filho do homem que trouxe a grana.

Um efeito das prisões e problemas é que Douglas amadureceu muito. Agora ele e o irmão que dão as aulas de futebol, sábado a tarde, para as crianças de Morro da Pedra.

Cristiano, Fritz, Barbara, Douglas

Conhecendo Fritz e Barbara

Foi via Cristiano Fedrigo que Douglas conheceu Fritz. Um dia Cristiano encontrou Douglas dormindo na área da casa do padrinho. Cristiano ficou com pena e pediu para Fritz ajudar Douglas.

Douglas ficou um tempo morando no caso de Fritz e Barbara, e resolveram adotar-lo. Fritz tem outros filhos nos Estados Unidos, uns de sangue, outros adotados. Foram os três para os Estados Unidos em agosto de 2007, para que Douglas poderia conhecer seus 28 parentes novos.

Ele comunica com Fritz e Bárbara numa combinação de inglês e português. Ele diz não sentir dificuldade para comunicar, e enquanto fala pouco inglês, parece que entende quase tudo que passa.

Na Colina do Sol

Na casa de Fritz e Barbara, Douglas ganhou um dos dois quartos de hóspedes. Parece um quarto de adolescente típica, dominado por uma grande bandeira quase do Brasil, com o círculo azul trocado por um logotipo de Grêmio. Há uma Bíblia ao lado da cama.

Roberto Fedrigo e Douglas no resort naturista Mirante do Paraíso

Nudismo com naturalidade

Nedy, que cuidava da casa, conta que Douglas costuma fica nu o tempo toda, pelo menos no verão. Quando ele foi para Santa Catarina com a então Sra. Zumbi, acampou na Praia do Pinho e começou trabalhar aos 16 anos no quiosque de Kibon da praia, completamente pelado. Depois de uma semana começou usar short e camisa com logotipo da praia, ao sugestão do dono, que conheceu que não todos que freqüentam praia de nudismo conseguem levar a naturismo com tanto naturalidade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O fugitivo

Uma das acusações que rendeu muito no caso Colina do Sol foi a alegação de que Fritz Louderback e Barbara Anner acolherem um tal de Glen Steven Margolis, supostamente um "pedófilo fugitivo norte-americano".

Nome não consta nas listas

Bem, primeiro os fatos. A busca por "Margolis" no site do FBI encontra referencias a uma juiza e a um promotor com este sobrenome. Há também no site do Ministério de Justiça dos EUA um "National Sex Offender Public Website" ferramento de buscar um nome em todas as listas de pedófilos nos EUA - e tem quase um milhão de pessoas nestas listas, é uma mania lá. Pode buscar "Glen Margolis", "G Margolis", "Steve Margolis", e "Steven Margolis". Não estão lá.

Realmente ficou um tempo na Colina um homem que se chamado Steve Zanelli, trazido por Celso Rossi. Steve Zanelli também não se encontra nestas listas. Quem quer saber mais sobre ele deve procurar Celso Rossi.

Glen Steven Margolis existe? Existe, e há vários. Vamos ver um pouco da realidade no final. Mas primeiro, vamos embarcar nas fantasias da polícia e da promotora.

A versão da polícia

Podemos ver as alegações da polícia melhor na imprensa: foram, afinal, produzidos para a julgamento no tribunal da imprensa, e não da Justiça comum. Conforme Zero Hora:

A policial seguiu os passos do norte-americano de 1998 a 2000. Fez isso porque tentava localizar outro norte-americano suspeito de abusos sexuais, Glen Steven Margolis, que hoje está foragido da Justiça nos EUA. A última notícia sobre Margolis, aliás, é de que ele foi surpreendido abusando de uma criança no clube de nudismo em Taquara, na casa de Fritz. Ele teria ingressado no Brasil com passaporte argentino, permanecido por cinco meses na residência de Fritz e Barbara e fugido quando seria denunciado à Polícia Civil.

A promotora acrescenta

Na denúncia, a promotora Natália Cagliari adiciona mais pimenta:

Outrossim, corrobora para a autoria dos atos pedófilos praticados pelos acusados, o fato de terem recebido, em sua residência, o pedófilo americano procurado pelo FBI, Glen Stevens Margolis – condenado nos EUA à pena de morte -, o qual, inclusive, fugiu às escondidas do Clube Colina do Sol, haja vista ter sido flagrado praticando sexo com menores de idade.

Puxa, será que a Dra. Natália não tem a Vara de Infância, mas sim a Vara de Condão? Transformou Margolis de "suspeito" em "condenado nos EUA à pena de morte". Sem pesquisa, sem evidência, sem processo. E sem o menor credibilidade.

Não há ninguém nos EUA condenado à morte por abuso sexual, e não há atualmente ao que sei, ninguém condenado à morte que é fugitivo - geralmente estes pessoas estão mantido em condições razoavelmente seguros. A transmorgrificação da promotora falta não somente verdade, mas verosimilitude.

Pernas curtas

Dizem que a mentira tem pernas curtas. Porém esta, lamentavelmente, andou muito. Foi uma acusação predileta da promotora, citado por ela é engolido pela juíza da 2ª Vara e fundamentou mas de um negação de habeas corpus, por exemplo:

Consta do relatório policial que Frederick tem contato com Glen Steven Margolis, que é pedófilo, condenado nos Estados Unidos e atualmente foragido. Referida pessoa esteve na residência do paciente – na Colina do Sol – no ano de 2005...
7ª Câmera Criminal, HC Nº 70023460322

Porque ninguém pegou?

A imprensa não pegou isso - apesar das listas citados no começo ser públicos - porque não procura encontrar a verdade, procura comprovar a acusação. Se a defesa apresenta uma prova, a imprensa procura qualquer motivo, pequeno que seja, para descreditar. Mas procura desculpar qualquer dificuldade, enorme que seja, nas acusações.

E a promotora? Porque ela não confirmou antes de basear sua denúncia nisso? De que cartola puxou "condenado à pena de morte" que nem consta nas fantasias policias?

Talvez um dia Dra. Natália Cagliari explica. De preferência, da banca dos réus.

O verdade sobre Glen Steven Margolis

Existe mesmo Glen Steven Margolis. Depois da separação da esposa, levou os três filhos para Costa Rica. A mais velha dos três disse que eles não tentaram falar com a mãe porque preferiam morar com o pai.

A matéria que conta sobre a reunião conta de várias problemas da mãe - morando no seu carro e com amigos, etc - como sendo consequência da perda dos filhos. Ouvi que talvez fossem condições preexistentes, e mais causa do que consequência.

Barbara e Fritz conhecem, sim, Margolis e seus filhos, e Barbara sempre veja a filha mas velha quando visite os EUA. Conhece também a mãe. Que não visita.

Ela conhece Margolis, e conheceu Steve Zanelli. Não são a mesma pessoa.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Douglas x Zumbi

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DO FORO CENTRAL DA COMARCA DE PORTO ALEGRE/RS



Douglas Anner Louderback, brasileiro, solteiro, agricultor, inscrito no CPF sob n. 079.994.839-07 e CI sob n. 4106534292, residente e domiciliado na Estrada da Gruta 170, Bairro Morro da Pedra, na cidade de Taquara/RS, vem, por seu procurador (procuração com poderes especiais cf. Art. 44 CPP anexa doc. 1), à presença de Vossa Excelência, apresentar queixa-crime pelo Crime de Difamação (Art. 139 CP) contra Zumbi de Figueiredo Steffens, brasileiro, casada, residente e domiciliado na Rua Marechal Mesquita 360, Bloco 13, apto 403, Cond. Marechal Mesquita, Bairro Teresópolis, na cidade de Porto Alegre/RS CEP: 91720-160 pelos fatos e motivos expostos a seguir:

  1. No dia 22.10.2007 o querelado prestou depoimento na Delegacia de homicídios desta capital, difamando, neste depoimento, o querelante.
  2. Antes de especificar a difamação, será justificado a escolha do Foro, e dirimido qualquer duvida referente a tempestividade da presente demanda.
  3. Competência do Foro

  4. A difamação ocorreu em depoimento na Delegacia de homicídios de Porto Alegre. Assim, lugar do fato é Porto Alegre, e assim, por força do Art. 70 do CPP, Porto Alegre é o foro competente para julgar a presente demanda. Além disso, o Réu reside em Porto Alegre, o que por força no Art. 74 CPP, também justificaria a competência do foro de Porto Alegre.

Tempestividade da presente

A queixa crime deve, por força do Art. 103, ser exercido no prazo de seis meses, após ter conhecimento da autoria do crime. Porém este prazo não corre contra menor, sendo assim o querelante tem o prazo de 6 após a partir de completar 18 anos, para exercer seu direito de queixa. Eventuais dúvidas sobre este direito foram dirimidas pela Súmula 594 do STF, que garante, que os direitos de queixa possam ser exercidas, independentemente, pelo ofendido e pelo representante legal, ou seja, mesmo se o representante legal não exerce seu direito à queixa, isso não prejudica o direito à queixa do ofendido menor, que o pode exercer até 6 meses após ter cumprido seus 18 anos.

No caso do autor, o prazo vence hoje, como se vê pela carteira de identidade anexada, portanto, a presente é tempestivo.

Do crime praticado

O querelado declarou em depoimento no dia 22.10.2007 o na Delegacia de homicídios desta capital, que ele viu o querelante mantendo relações sexuais com seu pai, Frederick Calvin Louderback. O narrado pelo querelado é mentiroso, e tinha a intenção, de prejudicar Frederick, na época credor do querelado e, principlamente, de se vingar do querelante, por que, um dia antes da denuncia feita pelo querelado, a entao esposa do querelado [nome da dama], largou o querelado, para se mudar com o querelante, que era seu amante já algum tempo, para Santa Catarina.

Assim o querelado, traído e abandonado por sua esposa, buscou vingança, e a encontrou difamando o amante de sua esposa, o querelante, dizendo que o mesmo era gay, mantendo relações homossexuais com seu pai. Assim, o depoimento do querelado não visava relatar fatos, visava claramente difamar o querelante, e prejudicar seriamente seu pai Frederick. Prejudicando Frederick, o querelado, além de se livrar de seu credor, também prestou um favor à amigos dele, inimigos declarados de Frederick, que com a finalidade de se livrar de seu credor, e para ocultar diversos outros crimes, pretendiam eliminar Frederick, mediante acusações falsas. (veja os detalhes em www.calunia.com.br).

O querelado, portanto, pretendia, além de eliminar Frederick, que oportunamente será objeto de outra ação, difamar o amante de sua ex-mulher, o querelante.

O dito fica comprovado, pelo depoimento do querelado a delegacia, que se encontra no processo 070/2.07.0002473-8 em tramitação na 2ª Vara da Comarca de Taquara, e deve ser requisitado à esse Juízo.

Os fatos imputados são falsas, e ofensivo à reputação do querelante, que zela por sua reputação de Homem masculino, evidentemente sem querer discriminar homossexuais, mas o querelante, não quer ser confundido com eles.

Portanto, ter o querelado afirmado, ter visto, o querelante praticar relações sexuais com outro homem, (e ainda seu pai) denigre a imagem macho, do querelante, o expõe ao ridículo na sua comunidade, e ofende sua reputação.

Consequentemente, imputando ao querelante o fato ofensivo a sua reputação de ter mantido relações sexuais com outro homem, esta cometeu o crime de difamação, tipificado no Art. 139 do Código Penal.

Tendo isso esclarecido, requer, que seja solicitada à 2ª Vara da Comarca de Taquara o depoimento do querelado prestado no dia 22.10.2007 na delegacia de homicídio de Porto Alegre, e que se encontra no processo 070/2.07.0002473-8 em tramitação nessa 2ª Vara de Taquara. No mérito, requer que Zumbi Figueiredo Steffens, seja citada para interrogatório, que se instaure a competente ação penal com formalidade de estilo, a oitiva das testemunhas abaixo arroladas, e prosseguindo-se conforme o disposto nos Arts. 394 e seguintes do CPP, para no final condenar o querelado pela infração do Art. 139 do Código Penal, a pena privativa de liberdade de 1 ano e multa.

Nesses termos pede deferimento

Balneário Camboriú, 31 de agosto de 2009


Edgar Köhn OAB/SC 19484-A

Rol de testemunhas:

  1. Frederick Calvin Louderback, residente e domiciliado na Estrada da Gruta 170, Bairro Morro da Pedra, na cidade de Taquara/RS.
  2. Ezequiel Moreira, residente e domiciliado na Estrada da Gruta sem numero, Bairro Morro da Pedra, na cidade de Taquara/RS.

Aniversário

O estábulo é visível da estrada

Festa no Morro da Pedra

Sábado acontecerá a festa de aniversário de Barbara Anner, e também de Marino. Será celebrada na casa de Marino, que fica na estrada que leva para Colina do Sol, no lado direto da estrada.

Barbara está fazendo 59 anos, de novo.

A festa conjunta já é tradicional, e reune muitos dos vizinhos do Morro da Pedra, incluindo os que foram sorteados como "vítmas" e "acusados" no caso Colina do Sol.

Vista do quintal de MarinoDo quintal de Marino, o mundo é lindo

A previsão do tempo para sábado é de sol com poucos nuvens. Almoço é as 14:00, e será churrasco, como sempre, com carne do próprio sítio, onde os animais estão criados com cuidado, e com amor - pergunte para Jefferson.

Já fui para umas destas festas no Marino, mas nunca uma das "grandes". A ambiente é familiar: são estas as "festas com crianças" dos qual a polícia falou no caso Colina do Sol. Com criança, sim, e com pais, avôs, primos, vizinhos, e amigos.

Presente dos EUA

No dia mesmo do seu aniversário, Barbara recebeu um presente dos EUA, um livro do Bill O'Reilly, um jornalista de televisão de lá, que ela assiste pelo TV satélite. O livro vem personalizado. Primeiro, é edição "tipografia grande". Segundo, vem com um dedicatório do próprio O'Reilly:

Da mesa de Bill O´Reilly

Feliz Aniversário Bisavó Barbara,

Seu amor da vida inteira para sua família e País, com sua luta contra discriminação, pobreza e injustiça faz de você uma PATRIOTA! O povo de Morro da Pedra te ama! Não deixa ninguém te dizer que você é uma acefálica!

Com amor e respeito,

(assinado) Bill O'Reilly

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Pepinos

Hoje, o outro tipo de pepino.

Cristiano Fedrigo e seu irmão Luciano, os moradores mais antigos das terras da Colina, e os dois banidos de lá pela administração atual, estão criando pepinos em estufas em Morro da Pedra.

Para quem não sabe, o pé de pepino é uma trepadeira. Fio são esticados na estufa para que as trepadeiras podem subir, mantendo os pepinos fora do chão. Não lembro o tempo até que começa render, nem quanto tempo produze antes que precisa ser trocado: esqueci de levar meu caderno.

Pepinos no ponto

As estufas servem não somente para produzir pepinos em maior quantidade, mas pepinos de melhor qualidade. Sem as estufas, secam no sol, e o pepino que é crocante ao amanhecer pode murchar sob os sol antes que seja colhido.

Os pepinos são colhidos diaramente, ou até mais do que uma vez por dia. O maior frequês é uma fábrica de picles, que quer pepinos de tamanho padrão - em vota de três dedos de comprimento. E os pepinos crescem rápidos na estação: se deixar uma dia a mais, crescem além dos especificações, e são vendidos para outros, que pagam menos.

Luciano informou que, ainda com as estufas, os pepinos não renderem bem no inverno. Ele tem grandes esperanças para este verão.

Jardim Orgânico

Luciano ainda não procurou o certidão municipal de produtor orgânico. Porém, o adubo usado é tudo natural, e a única insecticida é produzido no próprio terreno, fementando alguma coisa. Há doenças que podem afeitar pepinos, e não sei o que Luciano faria se alguma peste atacava suas estufas, e somente alguma químico poderia combater-lo. Mas por enquanto, é tudo orgânico.

Uma medida em especial chamou atenção, que foram os "marigolds" ou "cravo-de-defunto". O forte cheiro do flor afasta várias pestes - nos EUA é usado contra coelhos. Organico, eficaz, barato, e bonito.

Nos EUA, produtos organicos comandam preços mais altos. Há uma moda lá por coisa "naturais".

Vida útil limitada

As estufas tem uma vida útil limitada. O orçamento é feito no base de 3 anos, mas Luciano acredita que o plástico dura até cinco anos, e o madeiramento mais ainda.

Na ilustração dá para ver o estrutura de postes para sustentação, e os diagonais em madeira mais leve para segurar o plástico que forma o teto e paredes. Não dá para ver que o teto é levemente curva, que parece que aguënta melhor o vento.

Além de duas estufas prontas, dois estão em construção, com a estrutura em madeira pronta mas ainda sem o plástico.

As estufas foram construídos por Jairinho, velho conhecido da Colina, que trabalhou na primeira casa construída lá. Muitos colineiros contaram com ele para reformas e manutenção, mas agora ele também está banido: ouvi que é para evitar concorrência, e porque agora não há serviço o suficiente nem para sustentar a corja.

Os estufas ficam num terreno comprado faz anos, pouco mais de um quilómetro da Colina. Luciano mudou com a família para lá, em parte para segurança: o medo não sendo que alguém de Morro da Pedra roubaria seus pepinos, mas de que alguém da Colina tocaria fogo nas suas estufas.

Outros safras

Criam outras verduras e frutas no terreno: alface, inclusivo o tipo americano, raro aqui; rabanete; cebolinha; repolho; e coisas do gênero. Atualmente, nas estufas prontas só há pepinos.

Água, muita água

Pepinos necessitam de muito água. As estufa tem uma sistema de mangueiras furadas que molha as plantas direto no raiz. Há um açude ao lado de uma das estufa, e uma bomba puxe água para uma caixa d´agua morro acima. A gravidade distribua a água para as estufas.

Havendo água. Sem chuva, a açude seca, e ai os pés de pepino morrem. Este ano houve uma estiagem de 80 dias em Rio Grande do Sul, e Cristiano e Luciano perderam muitas plantas.

E a Colina nisso?

A idéia original da Colina do Sol foi de uma comunidade completa, com não somente moradores e comércio, mas também indústria.

Estufas fazem uso intensivo de espaço. A idéia de "naturismo" até combina bem com a agricultura orgânica, tanto do ponto de vista da orientação original da comunidade, quanto de marketing eventual da produção. Poderia servir como atração turística, ou gancho para mídia.

Aquele pedaço de terra é bem provido de água perene. E numa manha de setembro, dentro daquela estufa, deu para sentir que trabalhar pelado seria um opção tentador no calor de verão.

O futuro

Mas estas são idéias para o futuro, um olhar no cresicmento, o único caminho que pode assegurar a preservação da comunidade em qualquer forma.

E o pequeno gangue que tomou conta da Colina não querem o crescimento, nem o futuro. Porque tentar fazer mais dinheiro entrar na Colina, quando dá para roubar cada pessoa nova chega lá, cheia de esperança e ingenuidade? Quando dá para votar "o que é teu, é meu", quando dá para entuchar suas despesas nos outros? Quando qualquer oposição pode ser posto fora com maniupulações dos regulamentos, acusações falsas e julgamentos com a sentença já pronto antes de começar?

Um futuro é possível para a Colina do Sol. As estufas sendo enguidas em Morro da Pedra, pelos filhos mais antigos da Colina, por um dos que ergueu as primeiras construções da Colina, mostram um possível futuro, mostam um entre muitos caminhos que poderia ser seguidos.

Mas estes filhos da Colina do Sol não o abandonaram. Foram exilhados. Exilhados por pessoas sem visão, sem ética, sem planos, sem coragem e sem futuro. Pessoas movidos pela ganância e o ódio, cujo único poder remanecente é o de fechar o portão.

O fecharam contra o bom povo do Morro da Pedra, contra os filhos da Colina, e contra o futuro. Eles tem um pouco de tempo ainda - semanas ou dias - áte o dia quando o mundo maior os explulsará, e seu próprio portão será fechado contra eles.

A corja da Colina também planta: semearam o vento, e colherão o vendaval.

domingo, 20 de setembro de 2009

Patrimonial

Nosso título hoje é "Patrimonial", pois o assunto do dia é "Títulos Patrimoniais".

Há 200 Títulos Patrimoniais do CNCS, cada um representando 0,5% do patrimônio da comunidade. Pesquisando sua emissão, encontramos Naturis, CNCS, e Celso Rossi. A divisão entre as pessoas jurídicas e a pessoa física é legalmente distinta, mas financeiramente menos nítida.

Cem dos títulos foram emitidos em 2000, em troca das ações da empresa Naturis, propriedade de Celso e Paula Fernanda Andreazza. A outra metade foi emitido em 2001, em troca do "doação" das terras da Colina, que pertenciam a Celso, Paula, e os pais do Celso.

Pelo menos é isso que o papel disse. Parece que na prática, ainda depois da venda, Celso espremeu da Naturis o dinheiro que podia, deixando CNCS com a casca e as dívidas. Apesar da "doação" das terras, continuou com controle total do CNCS e ainda o direto de pegar as terras de volta, enquanto pensou que se esquivou da dívida com a Sucessão de Gilberto.

Mas vamos ver os detalhes.

Naturis

Um sócio me contou que foi uma "surpresa" para CNCS descobrir que era o sócio majoritário de Naturis, e em conseqüência o responsável para as dívidas desta. Porém, outros contam que na época que Naturis já pertencia a CNCS, Celso - e não CNCS - recebeu algo entre R$15 mil e R$40 mil da venda do acervo e o título da revista Naturis.

Estou procurando mais detalhes da venda da revista.

Passivo agressivo

Na hora do "descoberto", o passivo de Naturis incluiu um ação na Justiça de Pernambuco de 2003, e o ação da Sucessão do Gilberto, vindo de 1999.

A Naturis Empreendimentos Naturistas Ltda., CNPJ 82.860.933/0001-13, foi fundada em Santa Catarina no dia 11 de dezembro de 1990. Em 03/10/1997, mudou o sede para Taquara, e o ramo de atividades para:

  1. Editora de livros e revistas;
  2. Empreendimentos turísticos naturalistas;
  3. Confecção, venda, importação e exportação de vídeos;
  4. Pousada;
  5. Restaurante e venda de souveniers.

Me parece que os "Títulos Patrimoniais" se encaixam melhor na última destas categorias.

16/06/2000: CNCS compra Naturis

CNCS adquiriu 90% das ações da Naturis em troca de 100 Titulos Patrimonias, em 16 de junho de 2000, conforme alteração do contrato social, arquivado na Junta Comercial gaúcha sob nº:3062263.

Paula cedeu todas suas ações - metade do total de 6.636 - para Clube Naturista Colina do Sol, para quem Celso também transferiu sua metade, menos 664 ações - 10% do total - que foram para "Sol da Colina Administrações Ltda", CNPJ 03.254.995/0001-05, com o mesmo endereço - Estrada da Grota, S/N - de que todas as outras empresas.

Em troca destes ações, Celso e Paula receberem "100 (cem) títulos patrimoniais de emissão do Clube Naturista Colina do Sol, dando assim plena, total, e irrevogável quitação."

Por parte do CNCS, o contrato foi assinado por Accio Emílio Lottermann, Augusto César Carvalho, e Claudette Zagonal.

Uma pesquisa no site da Receita Federal produziu um certidão negatíva para Sol da Colina. Que não foi possível para Naturis ou CNCS.


Uma surpresa?

Três sócios assinaram a mudança no Contrato Social de Naturis; o contrato é público; e o que foi dado em troco era algo aparentemente sério: cem porcento do patrimônio do CNCS.

Como poderia ser "desconhecido" então, que CNCS era dono da Naturis? Como foi que o patrimônio da firma foi vendido por Celso, aparentemente sem benfício para o sócio majoritário? E como aceitaram esta empresa, com suas dívidas?

Estes documentos não contam.

Fui informado, mas não consigo ver onde nos meus documentos ou anotações, que quando ficou dono da Naturis, CNCS ficou dono das construções no terreno - as casas, os prédios comuns, etc., que antes pertenciam a Naturis. Porém nenhuma destas construções é regularizada com a prefeitura de Taquara.

Títulos Anteriores

Celso Rossi estava vendendo títulos, carteirinhas de sócio, concessões, monopólios, etc., sob um grande variedade de nomes, antes que os primeiros cem Títulos Patrimoniais foram emitidos em 2000. Não sei se anteriormente foram vendidos papeis com este nome exato, e Celso Rossi repassou uns destes para quem já tinha comprado, ou se esta maneira de tirar dinheiro de sócios do clube só começou em 2000.

Os outros cem títulos

Os segundo cem títulos foram emitidos em 2001. Celso Luis Rossi, Paula Fernanda Andreazza, Luiz Alberto Rossi, e Lieselotte Arnt Rossi doarem quatro imóveis matriculados no Registro de Imóveis, e diretos de posse sobre outros dois.

Em troca, Celso e Paula receberam outros cem Títulos Patrimoniais, 380 "concessões residenciais", e várias "concessões comerciais".

Foi feito atraves de um Contrato de Doação ("Nº 16.178 - Escritura de Doação com Reserva de Uso e Encargos, e Cessão e Transferência de Diretos de Posso com Reserva de Uso e Encargos", Livro de Transmissões Nº82, fls 065v-069v, no Tabelião de Taquara). Assinaram para CNCS os mesmos três que a emissão anterior.

Diluição

Já mostramos, no caso de Ocara, como a emissão de novas ações reduze o valor dos existentes. Aqui a matemática é mais claro: quem tinha um título e 1% da Colina antes, passou a ter 0,5%. O valor dos títulos de Celso e Paula diminuiu também, mas eles receberam todos os títulos novos.

Hans Sebald Beham (1500-1550) O Filho Prodigal desperdiçando seu Patrimonio

E os outros terrenos?

Já notamos que há contratos em que Celso afirmava que certas terras faziam parte da Colina. Um destes ele talvez enganou Tuca dizendo que vendeu para ele. Outro, transferiu na cara dura para outra empreendimento dele, Ocara - ainda que agora me parece que alquela matrícula realmente não refere à terra debaixo do hotel. E ainda há mais duas parcelas que pertencem a outro, conforme documentos de então e atuais. Talvez foram simplesmente ocupadas, e talvez este área de invasão inclua a "vila".

Visão do Juiz

destacamos aqui a descrição desta transação - ou encenação feito por Juiz do Trabalho Eduardo de Camargo. Porém, vale rever parte:

A demandada, ora “falida” doou todo o seu patrimônio e também o de seus sócios para o CNCS (Clube Naturista Colina do Sol), durante a instrução do presente feito, mediante um contrato-de-gaveta “oficializado” por escritura pública imediatamente à prolação da sentença condenatória nos presentes autos. A “doação” efetuada pela reclamada não cingiu-se aos imóveis constritos nestes autos, mas, sim, a universalidade de seus bens e dos sócios, que, convenientemente, procederam a doação dos terrenos onde se situa a sua sede, mais 380 unidades residenciais, 40 pontos comerciais, restaurante, hotel e, concomitantemente, os rendimentos oriundos desse patrimônio, enquanto a CNCS foi constituída pelos seus freqüentadores, sendo fácil deduzir que a renda da reclamada origina-se dos beneficiários da doação. Resta óbvia a ocorrência de concilium fraudis perpetrado pela reclamada e CNCS, para garantir a continuidade do clube, se protegendo da execução trabalhista. A própria beneficiária da doação encarregou-se de requerer a falência da reclamada, sem mencionar ao Juízo falimentar, que é detentora dos bens da ora “falida” e ocupa, agora, o cargo de administradora judicial da massa falida.

Porque não informaram a dívida?

O juiz deixou claro a cronologia: Celso e Paula, os sócios da Naturis quando originou o débito judicial, "doaram" primeira a empresa, depois as terras que estavam em seus nomes, para CNCS, ficando com o controle deste.

Naturis já estava condenada na hora da escritura pública. Porque CNCS, e os sócios que assinaram por este, não sabiam da divida, especialmente dado a mania brasileia para "certidões negativas"?

O Contrato de Doação (fls 67-67v), faz menção de uma multidão de certidões negativas, NIRFs e CCIRs, pagos no ECT e BERS e não sei onde mais. Termina com a afirmação de que:

... dispendando os partes de comum acordo as demais negativas fiscais, assumindo inteira e mútua responsabilidade.

Achei fascinante isso: os vendedores dizem que não devem, e o comprador assume "inteira e mútua responsabilidade" por qualquer dívidas não informadas.

Entendo a vantagem para Celso Rossi nisso; o que não enxergo é a vantagem para CNCS.

Joga de cartas, marcadas

Vimos quando e como as edificações e depois as terras da Colina do Sol foram transformados nestes "Títulos Patrimoniais", que Celso e Paulo depois conseguiram trocar por dinheiro vivo. Embolsaram o dinheiro, e deixaram para a Colina do Sol as cobranças na Justiça. Da mesma maneira que deixaram o Hotel Ocara incompleto, com dívidos, apesar do fato que tinha entrado um múltiplo da quantia preciso para terminar a obra, e abrir o hotel.

E as Concessões Residenciais? Outra história, mas com o modus operandi do mesmo autor. Vamos ver outra hora.

Em tempo: outras vozes

Consegui falar com um daqueles que assinou estes contratos para a Colina, e peguntei, "Por que assinou isso?" A resposta que recebi foi:

"Nosso Conselho naquela epoca foi como o Governo Vichy. Cumprimos o que foi mandando."

Recebemos um comentário de um testemunha ocular, sobre os Títulos Patrimonias, destacado abaixo. Fui prometido uma leva de revistas antigas, e vou tentar encontrar as notícias da época dos quais o missivista fala.

Quando foi lancada a Colina em 1995, o Celso, tanto oralmente, como nos folhetos e na Naturis, explicou, que ele comprou os 50 ha da Colina, e passou os 10 ha da area social para o Clube Naturista Colina do Sol em troca de 100 Titulos Patrimonias. Eis o origem dos primeiros 100 Titulos. Mas a terra doada, foi a terra onde é situada o restaurante, a praia, o volei, tenis etc, o seja, o file da Colina. Naturalmente nada disso foi escritorada, mas consta nos folhetos e revistas antigas.

Pois bem, depois Celso precisou retomar a parcela 2025, que ja tinha vendido para a clube por estes 100 Titulos.

Entao inventou esta historia de trocar a Naturis pelas terras. Esta troca nunca foi aprovada pela assembeleia do CNCS, e a maioria dos socios nem sabia.

Apenas foi aprovada a troca das terras por 100 titulos, mas o socio pensou, que a Naturis e suas dividas continuam com Celso.

Nao foi isso que aconteceu, porque Celso, ou em concluiu com, ou enrolando a cupula do CNCS conseguiu aplicar mais um golpe. Este vez no CNCS.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O senso de comunidade

Ontem da manha houve a cerimônia da juramento à bandeira e a dispensa do serviço militar em Taquara, com direto a duas bandas, uma leva de autoridades locais, e quatrocentos jovens, inclusive dois - Cleiton Daniel Rosa da Silva e Douglas Anner Louderback - sobre quem já escrevemos aqui.

(Fotos da ocasião estão na matéria de Paranhana Online).

Já ouvi deste juramento - lá nos Estados Unidos não temos nada semelhante - mas nunca assisti, e imaginei o tipo de procedimento frio e burocrática que fazemos sempre lá. Fui surpreendido.

Provocou pensamento sobre a diferença entre uma formalidade e uma cerimônia, e especialmente, sobre o que é um comunidade. Na presença de todos os jovens - de todas as camadas sociais - de 18 anos do município, das autoridades cívicas, das bandas e das famílias, ouvindo o Hino Nacional e o juramento ao Pátria e a defesa da Constituição, se sentiu a presença da comunidade maior. E seu valor.

Ontem a noite estava lendo a tese de Luiz Fernando Rojo Mattos, sobre a comunidade e amizade na Colina do Sol. Na cerimônia em Taquara, um expressão de inclusão e obrigação, ficou claro o que falta na "comunidade" da Colina.

Inclusividade

Os jovens eram homogêneos somente na idade e sexo, e que estavam de roupa limpa. O cor de pele era mais diversa do que geralmente encontro no centro de Taquara. Uma ou duas dúzias estavam "pilchados", com bota, bombachas e lençol no pescoço. Tinha algo que já notei antes em Taquara: um número significativa de pessoas de estatura notavelmente baixa.

A inclusão estendia aos autoridades. Prefeito e presidente da câmara, padre e diretor da escola adventista, houve gente de todos os aspetos da vida da cidade, ainda que ninguém do Poder Judiciário compareceu.

Obrigação e dever

A cerimônia é uma afirmação do obrigação do cidadão para com a comunidade. Juram todos que vão obedecer a convocação de emergência, e defender a Pátria se for preciso. Em Taquara, não há alistamento obrigatório, e por isso nem fizeram exame física nos jovens. Mas a possibilidade, ainda que remota, existe. É é um obrigação de todos, ou pelo menos de todos os homens.

Ser parte de um comunidade é, antes de mais nada, de participar nos deveres, de cumprir as obrigações. Há símbolos como a bandeira, há menção à Constituição que é a lei maior. Mas houve também o senso de comunidade, e a celebração disso.

Tinha algo na cerimonia que veio de desde que os primeiros tribos humanos se juntaram em volta da fogueira. Somos animais sócias, vivemos em grupos e dependemos dos outros. E isso deu para sentir.

Solenidade, com músicas nada solenes

Houve duas bandas no ginásio, a Banda e Orquestra do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul. Tocaram, no momento esperado, o Hino Nacional. Porém, antes do que o cerimônia começou, a banda tocou algo que nunca ouviu nem imaginou ouvir: "Popeye the Sailor Man" adaptado para banda marcial. E entre um discursou e outro, a orquestra tocou "Aquarela do Brasil".

Velhos conhecidos

A ocasião serviu para ver várias das pessoas que já conheço na cidade, como Dr. Fábio, presidente da Câmara de Vereadores, que já encontrei numa reunião sobre calçadas (muitos feitos com pedra grés, um dos interesses dos meus leitores) e que visitei no seu gabinete, e Tenente Almir da Brigada Militar, que me prendeu em frente ao Fórum, no abril de 2008.

Discursos e apresentações

Autoridades discursaram, que faz partes destes ocasiões, desde sempre. O militar informou aos aqueles que queriam seguir uma carreira militar, como fazer, e avisou que eles estudassem. E para aquele que não queriam, que também estudassem.

Doze jovens representativos foram escolhidos para subir ao palco receber seu certidão de dispensa de serviço militar, uns das quais foi Cleiton.

E lá na Colina

A implosão a Colina do Sol, o espiral para dento, me parece vir em parte de um sentido deficiente e distorcido de comunidade.

Na Colina, a pergunta não é como incluir, mas quem pode ser excluído, e que lucro isso vai dar. Não é como dividir as deveres, mas como fazer para que os outros ficassem com os deveres do pequeno grupo que tomou controle, o exemplo mais claro sendo a conta de luz. Tuca não paga, e ouvi que as outras "concessões" também não pagam. Há um pequeno grupo lá que acham que a comunidade lhes devem seu sustento. Do que eu vi, eles não conhecem limite nem no tamanho das suas exigências, nem nos meios com que eles arrancam o que querem dos outros.

Ainda não terminei de ler a tese de Dr. Luiz Fernando, mas tenho esperança de que poderia explicar como adoeceu o senso de comunidade da Colina, e como isso o levou ao seu leito de morte.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A sócia que trabalhava

Um ano sem Nedy de Fátima Pinheiro Fedrigo

Faz um ano que perdemos Nedy, em 16 de setembro de 2008. Foi uma mulher que lutou e trabalhou para seus sonhos, que ela conquistou. Sua coragem, inteligência, e alegria foram à altura de todas os desafios que a vida lhe aprontou. Este obituário saiu no Jornal Olho Nu ano passado.

Uma figura sempre presente na Colina da Sol era Nedy de Fátima Pinheiro Fedrigo. "Nê" morava nas terras antes que a Colina surgisse, e seu filho Luciano morou durante anos na Colina, com os três netos da Nedy. Ela trabalhou para os fundadores da Colina, Celso Rossi e Paula Andreazza, no restaurante, e para Fritz Louderback e Barbara Anner, um total de 12 anos na Colina, até sua morte no dia 16 de setembro de 2008, aos 52 anos.

O velório ficou cheio o dia inteiro, e às 17:00 mais de cem vizinhos estavam presentes, quando ela foi sepultada num túmulo simples da pedra nativa de Morro da Pedra, cercado pelos morros verdes da serra gaúcha.

Sócia sem desfrutar

Apesar da sua longa associação com a Colina, Nedy não era naturista. Ela diz que era por falta de tempo. "Eu nunca tirei, sou sócia mensalista, mas minha vida é só trabalhar, nunca tinha tempo de participar."

Até antes da morte do seu marido Gentil, em janeiro de 2004, ela era o sustento da família, por que ele estava doente de longa data. "Só de banheiro limpava oito por dia. Queria que meus filhos nunca tivessem queixa de mim", ela explicou.

Mas seus filhos e netos desfrutaram do clube e do naturismo. "Desde pequenos Cristiano e Roberto nunca tinham problema em tirar a roupa. Na praia, esportes, quadro de vôlei, futebol, nunca tinha problema."

Presente antes do começo

O histórico da Nedy com a Colina do Sol começou quando apareceu serviço num chácara, onde depois surgiu a Colina do Sol. Quando os donos venderam as terras para Celso Rossi, ela foi morar em Morro da Pedra.

Em 1996 ela começou a trabalhar na casa de Paula Andreazza e Celso Rossi, vindo de Morro da Pedra às seis da manhã e voltando às seis da noite. "Fiz todo trabalho da casa. Comecei cuidando da Valentina, filha da Paula, quando tinha três anos, e parei quando tinha onze – foram oito anos de trabalho com Celso e Paula."

Em 1998, trabalhou também na restaurante Tutto Bene na Colina, que também era da Paula. "Ficava até 11:00 com Paula, das 11:00 às 2:00 no restaurante, e das 2:00 em diante de volta na casa de Paula."

Nedy demonstrou uma certa saudade do tempo em que Rossi e sua esposa tinham poder total dentro da Colina. "Paula era exigente, brava, mas conseguiu domar aquela aí – mas não permitia briga aí dentro. As regras valiam para todos, não só para os outros."

Preconceito econômico

Nedy sentiu preconceito dos outros sócios. "Eu ando com meu saquinho e meu chinelo de dedo porque não tenho tempo para desfrutar," ela diz "Nunca briguei, nunca discuti, nunca fiz nada que prejudicasse o clube. Mas nunca me aceitaram como sócia. Aceitavam meu pagamento todo mês, mas não me aceitam."

Ela não tinha vergonha de trabalhar, explicando que, "Colina é para ser 'uma empresa de marca'. Tem os que acham que morar dentro é uma grandeza, por causa da marca. Mas também precisam trabalhar. Vão sobreviver do ar, do lago?"

História particular

Nedy só fez até a quinta série, em Palmeira das Missões, de onde ela veio já grávida de Cristiano, para Figueira, e se fixou no Morro da Pedra quando Cristiano tinha um ano de idade. Seu marido Gentil trabalhou nas pedreiras da região, mas já estava doente quando saíram do sítio que foi vendido para ser a Colina.

Ela conseguiu sua casa própria em Morro da Pedra comprando primeiro o terreno de 600 m2, pagando em prestações mensais. A madeira foi comprada da mesma maneira, e a casa foi levantado com um mutirão dos vizinhos num fim de semana em 1997. "Primeiro paguei as prestações de casa na madeireira, depois paguei o terreno. Os dois juntos não dava."

Fritz e Barbara

Ela conheceu Fritz Louderback e Barbara Anner quando comiam no restaurante da Colina, onde ela trabalhava. Fritz estava precisando um jovem para limpar o jardim, partir lenha com machado, lavar a caminhonete, e outras trabalhos ocasionais. "Eu fui levar um suco, e Celso disse, 'E ai Nê, seu filho quer trabalhar para Fritz?'"

O casal foi para os EUA pouco depois, porque Bárbara não estava bem de saúde, e queria alguém para cuidar dos gatos, ela explicou. "Comecei trabalhando para os gatos de Fritz, não para o Fritz."

Na volta, gostaram do trabalho, e ela começou a trabalhar na sua casa no 1º de janeiro de 2004. Pouco depois, Gentil, o marido de Nedy, sofreu um derrame em casa.

Luciano estava sozinho no corredor, chorando. Correu para a casa do Fritz para usar o telefone, e ele a levou para Porto Alegre, onde Gentil tinha sido levado, dado a gravidade. "Fritz ficou conosco até a noite em Porto Alegre. Gentil morreu em seis dias, e Fritz nos apoiou em tudo."

As prisões

Em 11 de dezembro de 2007, Nedy foi acordada com uma telefonema com uma notícia assustadora, de que Fritz e Barbara tinham sido presos. "Aí, eu subi e a mulher na portaria ficou surpresa: 'Você está indo lá?' Mas eu fui. O hóspede Alastair estava lá, estavam revirando tudo na casa, não dava para andar com tanta coisa no chão."

"E os gatos do Fritz? eu pensei. E fui ficar lá na casa deles." Quando Barbara ficou em prisão domiciliar em janeiro, Nedy continuou com ela.

Desprezo pelas acusações e os acusadores

Nedy, que trabalhava na casa de Fritz, tinha certeza que as acusações eram falsas. Por que foram feitos, então? "Todas estas pessoas da Colina [que fizeram acusações] tinham sido ajudadas por Fritz," ela disse. Quase todas deviam dinheiro para ele. E o primeiro acusador tinha um motivo mais doloso: sua esposa tinha fugido com o filho adotivo do Fritz.

Na festa da padroeira da igreja local, Nedy desprezou os acusadores com uma frase memorável: "Foi uma corja, indo atrás de um corno."

Vivendo em estado de sítio

Entrevistada na sua casa – aquela comprada em prestações – Nedy se mostrou descontente com seu exílio, de não poder cuidar da sua casa da maneira que ela gostaria. Não somente com isso, mas com a hostilidade constante dentro da Colina. "Eles estão pegando no meu pé," ela disse em abril, "Estou com medo que vão me prender, dizendo que eu sei de tudo na vida do Fritz."

A hostilidade tomou formas mais concretas. Por algumas semanas depois da volta da Bárbara para casa, Cristiano levava a mãe para o trabalho na casa da americana, especialmente quando tinha que carregar as compras. Um dia, o colineiro João Ubiratan dos Santos, conhecido como Tuca, "falou que se Cristiano fosse até lá na [casa da] Bárbara com o caminhonete, ele ia lá com duas testemunhas e denunciaria. Ai, Cristiano não veio mais." Comida e remédio precisavam ser levados pelo segurança da Colina, ou Nedy precisava carregar em sacos. Um apelo foi feito à juíza de Taquara para permitir que Nedy pudesse continuar entrando de carro para desempenhar seu trabalho, mas ela se negou a "interferir em assuntos internos do condomínio."

As ameaças começaram a tomar forma física. Uma busca de armas sem registro feita dentro da Colina em maio encontrou duas, uma dela nas mãos de Tuca. Tiros foram disparadas contra a casa na noite de 16 de agosto. Na tarde de 27 de agosto, em frente da casa de Bárbara, este mesmo Tuca xingou Nedy de pedófila, junto com seu filho Cristiano e um visitante, Silvio Levy.

Na tarde de 26 de agosto, Bárbara tinha deixado sua casa para uma audiência no Fórum de Taquara. Dentro da Colina, cuja portaria é guardada, alguém aproveitou sua ausência para plantar uma bomba incendiária na chaminé da casa. Na próxima vez que Nedy acendeu a lareira, dia 29, a bomba explodiu. Apenas a ação rápida do funcionário Pedro, que por sorte estava perto no momento, evitou que o fogo se alastrasse.

Os eventos acima foram relatados à polícia de Taquara. Foram feitos boletins de ocorrência, mas nenhuma providência oficial foi tomada.

A casa foi salva de um incêndio, mas Nedy foi avisada pelo médico que ela precisava se afastar da Colina e voltar a dormir em casa, ou corria perigo de vida. O estresse das constantes ameaças e o claro abandono pelo poder público, estavam fazendo mal a sua saúde.

Nedy não abandonou Barbara. Três ataques do coração a levaram embora. Mas quem a viu no hospital disse que antes do ataque final, ela estava otimista e brincalhã como sempre.

Sonhos realizados

A Colina do Sol ofereceu para Nedy, como para outros dos moradores de Morro da Pedra, uma visão do mundo maior, e sonhos de uma vida melhor para seus filhos. "Eu achava bonito Celso falando inglês no telefone," ela disse, "Meu maior sonho era um dos meus filhos aprender a falar inglês."

Mais do que uma visão, a obra social iniciada por seu filho Cristiano, e apoiada pelo Fritz e Barbara, permitiu que este sonho fosse realizado. Cristiano visitou no exterior uma família americana, com um filho da sua idade. Ganhou uma bolsa de estudos, e ficou dois anos em Nova Iorque. "Era meu sonho Cristiano falar inglês," Nê disse na entrevista em abril. "Quando Cristiano veio em dezembro, ele disse para mim, agora eu falo inglês bem, agora eu sei falar de verdade."

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Urgente - Risco de Dano?

Foto rara de outro fazendo mordida em
Celso Rossi

Celso Rossi alega que há um "risco de dano" na venda antecipada do maior parte das terras da Colina do Sol para satisfazer a dívida (que rola, não paga, faz mais de dez anos) para com os herdeiros do falecido Gilberto Vargas.

Difícil saber o que fazer com uma coisa desta. Dê descarga seria o melhor, mas não sendo possível, vamos por partes, vendo se Ocara tem vez neste processo; se Celso pode falar por Ocara; se fazer isso agora seria mais uma tentativa de atrasar; o valor verdadeiro do hotel; e se houver risco real de dano - e para quem.

Terceiro Interessado

A petição é feito pelas novas advogadas de Celso Rossi, Dras. Sabrina Schenkel (OAB/RS 43.082), e Karla Godinho Spalding (OAB/RS 36.891), de Spalding & Schenkel Advocacia de Taquara. Seu advogado antigo, Dante Rossi (OAB/RS 003161), renunciou o caso uns meses atrás, quando o juiz aceitou a acusação de falência fraudulenta.

Celso de diz agora "terceiro interessado", como Ocara Hotéis e Restaurantes S/A. Terceiro? A falência foi considerada fraudulenta exatamente porque Naturis transferiu seu patrimônio para CNCS assim que os herdeiros de Gilberto ganharam seu julgamento, e CNCS pediu a falência de Naturis, pois este não tinha mais patrimônio. Foi uma encenação em que as mesmas pessoas continuam com o mesmo empreendimento no mesmo lugar. Esvaziaram o que tinha valor de Naturis, para deixar um saco vazio para os herdeiros de Gilberto.

Mais quem controlava Naturis? Celso Rossi. Quem controlava CNCS? Celso Rossi. E agora ele vem como um terceiro interessado?

As mascaras, as disfarces, são muitas, mas tirando estas, vendo o homem nu, a primeira e segunda partes na falência, e agora o "terceiro" neste processo, são sempre Celso Rossi.

E as desculpas são diferentes também, mas no fundo é sempre igual: ele não quer pagar.

Ele representa Ocara?

Como já mostramos, os outros acionistas da Ocara colocaram mais de R$500 mil no empreendimento, e já falamos do que aconteceu com seus investimentos. A dívida ao banco público BRDE já ultrapassou R$300 mil. O maior acionista, Wayne, foi assassinado, e o casal francês abandonou até sua casa na Colina - conforma os boatos, foi por medo.

Mas ele junta a Ata mais recente da Ocara S/A, de 2 de setembro de 2006, quando ele e Paula Andreazza foram eleitos Diretores Executivos "por um termo de 2 (dois) anos". Já venceu, pois estamos em setembro de 2009. Poderiam fazer outra reunião? Poderiam, mas Paula Andreazza como avalista responde com todo o patrimônio particular para a dívida com BRDE. Ela está no exterior mas se ela vier para cá, para uma reunião devidamente noticiada, ainda se não for citada não poderia alegar que não sabe da execuçaõ da dívida. Mais prudente mesmo seria evitar Brasil.

Indisponibilidade de ... comprometer-se

Critico que Celso Rossi não colocou seu dinheiro no empreendimento, mas somente o que era de outros. Porém, os acionistas, os investidores, colocaram seu dinheiro livremente, sabendo que o controle ficaria com Celso e Paula. Por quê?

Na bolha de Internet, muitos empresas de Silicon Valley se capitalizaram com dinheiro de "venture capitalists". Os fundadores não colocaram dinheiro mas receberem ações. Seu investimento foi sua inteligência, criatividade, idéias, e trabalho.

No tese de Luiz Fernando Rojo Mattos e destaca o "dinamismo" de Celso e Paula. O Protocolo 2012/02 da BRDE destaca a experiência dos sócios administradores Celso Rossi e Paula Andreazza.

O sócios investiram seu dinheiro, e o banco emprestou o do contribuinte, porque Celso e Paula entrariam com sua experiência, trabalho e sim, dinamismo. Tal era a importância dado isso, que o casal ficou com a maioria das ações.

Em 2 de setembro de 2006, na "Re-ratificação da Assembléia Geral Extraordinária de 15 de fevereiro de 2005", Celso e Paula reunidos sozinhos aprovaram de uma vez as contas de 2001, 2002, 2003, 2004, e 2005. E depois, "tendo em vista a indisponibilidade de acionistas da empresa virem a comprometer-se com o gerenciamento do hotel", resolverem vender a estrutura como condomínios.

Com isso me assusto. Me assusto mesmo. Como que é que se pode pegar mais de R$700 mil do dinheiro dos outros, e ai resolver que você é indisposto a comprometer-se em cumprir sua parte do pactuado? Já tendo o dinheiro dos outros em mãos, acabou-se o interesse? Não tinham se comprometido ao pedir que outros comprometessem seu dinheiro?

Só sabendo agora

Celso alega que somente ficou sabendo agora do penhor das terras, que aconteceu em junho do ano passado - João Olavo Rosés foi nomeado fiel depositário das outras terras no mesmo dia que Fritz Louderback e André Herdy falaram para o CPI do Senado em Porto Alegre. Creio que foi o mesmo dia que o leiloeiro em Novo Hamburgo foi nomeado fiel depositário da terra de Ocara, 2025.

Em setembro do ano passado, um oficial de Justiça de trabalho de Taquara estava à procura de Celso Rossi, quando este achou melhor ir para Tambaba. Estava na Colina antes disso, ouvi, mas o oficial não o encontrava nunca.

E em fevereiro deste ano, escrevemos do penhor no blog Peladistas, que foi amplamente divulgado na listas naturistas, e a comunidade naturista brasileira não é tão grande assim.

Preço Vil

O que Celso alega, é que a Colina pode ser vendido por "preço vil". O argumento é um pouco confuso: ele entre como Ocara, e começa falar do valor da Colina do Sol como um todo. Parece que ele não consegue diferenciar entre o que "é dele" como "dono de Ocara", o que "é dele" como "dono da Colina", que ele já não é há muito tempo.

O valor que ele dá à Colina do Sol como um todo, não interesse à Justiça - como Ocara ele só pode falar do que é da Ocara. Interesse-nos, mas não agora. No momento, vamos examinar somente o valor do hotel, restaurante e seu terreno.

Notamos também que o valor legal é o que é legalmente registrado no terreno. Pelos registros da Prefeitura, é tudo terra nú la: nada passa de "sob construção".

Estrutura do hotel

Eu não tinha oportunidade de examinar o hotel, muito menos de levar um engenheiro ou perito lá para chegar num valor. As informações que tenho são incompletas e contraditórias. O que tenho é:

  • O hotel tem 1000 m2 de estrutura
  • Há dez quartos acabados no primeiro andar
  • O segundo andar tem paredes internas mas falta acabamento
  • O terceiro andar nem paredes tem
  • No primeiro andar, há problemas acústicas tão graves que tudo que acontece no suíte lua-de-mel é audível no outro final do hotel.
  • Cinco dos dez banheiros no primeiro andar não funcionam, por problemas diversos (em três não tem caimento do piso para o ralo; um falta água, o quinto dá choque)
  • Os colchões, etc., foram comprados e estão estocados no segundo ou terceiro andar, faz anos.
Jaison num "Suite Luxo": neste, banheiro funciona

Hotel como negócio

Fui informado, e não tenho como confirmar:

  • Quando o hotel abriu os dez quartos prontas foram ocupados por um grupo internacional, que se virou com os banheiros
  • Desde então os banheiros nunca foram um problema, pois o hotel nunca precisou mais do que cinco quartos
  • Na temporada de 2006, os quartos do hotel foram alugados pelo mesmo preço que as cabanas, que é de R$60/noite.
  • No litoral de São Paulo, hotéis de veraneio costumam projetar renda na base de ocupação de 60 noites por ano.

No hora de pedir empréstimo, Ocara calculou 22 quartos ocupados ao preços de até R$296 por noite, até 194 noites por ano.

Parece que a realidade é 20% dos quartos, por 20% do preço, por 30% do tempo. Fazendo a multiplicação, a renda seria 1,2% do projetada.

Ou, com os cinco quartos atuais do hotel, R$18,000/ano. Bruto, sem descontar nenhuma despesa.

Custo de construção

Outra maneira de calcular o valor do hotel é o custo de construção. Uma busca rápida dá um valor médio de construção civil no Brasil, em 2006, de R$560 o metro quadrado. Estrutura é em volta de 50%, acabamento 50%. Dado os problemas do primeiro andar, que talvez tivesse que ser completamente refeito (e ai entra também o custo de demolição) podemos avaliar como 1000 metros de estrutura, ou R$265.000.

Celso Rossi destaque que na hora do empréstimo, o hotel já estava em estado adiantada de construção, valendo R$200 mil. Faltou, conforme a avaliação do banco, R$130 mil para terminar. Isso entrou do banco, e havia R$45.000 em caixa, e entrou R$56.000 do espanhol, e muitos meses de R$4.000 dos franceses. Entrou pelo menos o dobrou o preciso para terminar o hotel - e nunca foi feito.

Onde foi todo este dinheiro? Talvez a pergunta não seja da competência da Justiça civil, e sim do criminal.

Valor real

Demos aqui avaliações do terreno e do hotel. Não vamos voltar ao valor do terreno, até porque não me parece que o hotel fica em cima da parcela 2025. Mas vamos relembrar os métodos usados: no método analítico, calcula-se o valor presente de todos os futuros rendimentos do imóvel. E o método método sintético, vendo propriedades semelhantes.

Vamos primeiro pelo método sintético. Difícil. Quantos hotéis há, alcançáveis por oito quilômetros de estrada de terra, visando turistas estrangeiros, na maioria aposentados, e ainda assim dispostos a subir dois lances de escadas?

Há sentido, num resort que oferece como seu maior atrativo a natureza e o primitivo, oferecer apartamentos num hotel de concreto de três andares, quando acomodações assim podem ser encontrados em lugares mais accessíveis?

Pelo método analítico, precisamos calcular o lucro futuro, para saber o valor atual. Chegamos num rendimento bruto anual, que não pagaria nem dois meses das parcelas da dívida com BRDE. Para nem falar de salários, eletricidade, lavandaria, e tanto mais.

Sem lucro futuro, não há valor atual.

Risco de Dano?

O que é o risco de dano para os outros acionistas da Ocara S/A? Já mostramos investimentos de acima de R$500 mil pelos outras acionistas, que pelo jeito eles já deram como perdidos. Há uma dívida de acima de R$300 mil com o banco público BRDE, e a construção no estado que se encontra não vale isso, nem se estivesse num lugar onde tinha demanda.

Risco de dano? O dano já foi consumado, e há muito tempo. O dinheiro dos investidores, e o dinheiro público, já foram pelo ralo, e o que sobra é um hotel que não tem hospedes e onde a água do banho não vai pelo ralo.

A Justiça vai ter que resolver se Sr. Celso Rossi seja um "terceiro interessado", ou um interesseiro com segundas intenções. Parou em algum lugar a diferença entre o que entrou para os cofres da Ocara S/A, é o que foi efetivamente construído.

Os controladores da companhia devem explicações aos acionistas sobreviventes sobre a paradeira do seu dinheiro, e devem ao BRDE, como controladores e como avalistas.

O único risco de dano evidente aqui é a possibilidade de que Celso Rossi vai de novo aliciar "investidores". O juiz cuidando da falência já a identificou como fraudulenta.