domingo, 20 de maio de 2018

De volta a Morro da Pedra

Voltei para Taquara e Porto Alegre, mas também para Morro da Pedra, palco do caso Colina do Sol. Coisas mudaram. As crianças cresceram. O Morro da Pedra parece mais próspero (mas o povo ainda reclama do crise, já melhorando em São Paulo), começando com a iGui, aquela fábrica no RS20 com os gargoyles na entrada, que agora tem uma placa com seu nome, e muitos prédios a mais. Há tecnologia nova nas pedreiras, diminuindo desperdiço, e diminuindo a poeira que fazia tanta mal a saúde dos trabalhadores.

Uma mudança importante em Taquara: a censura ao blog cessou. Cessou em outubro, realmente, mas meu advogado não foi informado. Voltamos então ao ar, usufruindo da liberdade de expressão, e permitindo que nosso leitores aproveitem o direito à boa informação.

Algumas coisas perduram

Falei com as crianças, e com suas mães. Continuam pessoas boas, que é um prazer reencontrar.

E Morro da Pedra continua linda.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Mais do mesmo, em Taquara

A Rede Record investigou o rapto de crianças das suas famílias, e posterior adoção por outros, por conselheiros tutelares na cidade de Riozinho, Rio Grande do Sul. A cidade de Riozinho, mas o Comarca de Taquara. Os conselheiros tutelares de Riozinho, mas com o papelado todo passando pelo crivo do Ministério Publico e o Fórum de Taquara. Na época - a matéria fala especificamente de 2007 e 2011 - o titular da Promotoria de Infância e Juventude de Taquara foi Dra. Natalia Calgliari, e a juíza respectiva, a MMa. Dra. Angela Martini.

Ainda, a assistente social que participou de muitos casos, pressionada pelo reporter do Record, manda procurar, "o judiciário. Dra. Natalia."

Nota-se muitas semelhanças com o caso Colina do Sol, como o uso de falsas acusações contra pais, e um boletim de ocorrência contra o jornalista, desmentido pelas fitas veiculadas. Deja vú!

"17/12: Roubaram e venderam meus filhos"

3:10: "Mais um caso de adoção em que a mãe não foi ouvida pela Justiça, nem ao menos chamada pelo depoimento"
3:30: "Segundo Kátia, os Conselheiros Tutelares apresentaram denúncias falsas no processo ... tudo sem provas"

"18/12: Mães sonham em reencontrar os filhos"

0:40 processo muito parecido com os outros. No primeiro momento, os conselheiros encontravam a família. Logo depois, iniciavam o processo de denúncias falsas, entregavam para a Justiça, que retirava a guarda deste pais. A cada entrevista, descobrimos mais irregularidades...
3:55 Mais uma vez, a mãe acusada disse que não foi ouvida pela Justiça ...

21/12: Funcionários revelam "esquema" de adoção

avisa o reporter do Record

24/12: Bebê é tirado da mãe ainda no hospital

Na vespera de Natal, o Record contou o caso de uma menina que nasceu no hospital de PUC em Porto Alegre - e foi levado por um conselheiro tutelar de Riozinho, e simplesmente sumiu. O prontuário do hospital conta que chegaria um ordem judicial, que quando chegou não era ordem judicial. Que o Ministério Publico seria informado, e é mostrado o que parece um email com cc:mptaquar@mp.rs.gov.br. Mas o Record passou no Fórum de Taquara, e confirmou que nunca houve um processo judicial para retirar a criança da família. 1:40 Para poder entender um pouco melhor o que aconteceu nos anos de 2007 e de 2011, que foram os anos em que estas duas crianças foram retiradas da família 9:20 a enfermeira disse que entrou em contato com a assistente social ... e Teca disse que entraria em contato com o ministério publico para

25/12: Mãe revê filhos levados na infância

Dia 28: Como explicar o inexplicável "o Judiciário, Dra. Natalia"

No dia 28, o reporter Matheus Felipe da Record falou com a assistente social Ariadne Wagner. Ariadne, pressionada, se esconde atrás da saia de autoridade. As 2:20 observa:

NATEUS FELIPE: Vocês fazem primeiro contato? Existem denúncias de maus tratos, e isso não é encaminhado para a Polícia Civil, é encaminhado diretamente para o Ministério Público. A pergunta que lhe faço é: Como é que vocês chegavam até estas famílias?
ARIADNE: Todas as retiradas de crianças e colocação ou em abrigos, casas de passagens, ou em famílias substitutas por ordem determinação do Ministério Público, onde esta órgão que determina a necessidade de retirada ou não.

>> VOZ EM OFF: Depois, tento descobrir como chegaram a estas famílias, se existir algum tipo de denúncia. 2:35 >> MATEUS: Chegavam a estas famílias através do Disque 100? >> ARIADNE: Não, através do Ministério Publico.

As 13:30, a assistente social

Episódio 8

termina com entrega no MP de Taquara, para Leonardo Giardin de Souza (não identificado no vídeo) Fala de irregularidade; conselheiros poucos e não-eleitos; fala um presidente associação conselheiros tutelares de RS.

domingo, 26 de julho de 2015

Blog in exile

Hello Fritz,
As I've told you, my blog www.calunia.com.br has suffered repeated censorship orders from the Taquara Courthouse, starting with an order to remove "any reference to the complainant" from a single page, which I promptly did. There then came an order to remove "remove any and all reference to the complainant in any of his publications." I went through the blog to change all references to his name to "He Who Must Not be Named".
Most recently there came  a judicial order to "cease immediately, any and all reference than can suggest the person of the complainant, in any publication, printed or in social media, while the present case transmits in the court, under penalty of a daily fine of R$ 1.000,00."
And of course, the case doesn't "transmit". The process server turned up a month ago, and no hearing has been scheduled, no decision has been made.
The initial complaint, from He Who Must Not Be Named, is mostly lies, nonsense and irrelevant garbage. It does serve to prove that He Who Must Not Be Named is a public figure, and people who welcome laudatory publicity, can't object when someone published the facts.
It's impossible to separate the false accusations against you, Barbara, Dr. André, Cleci, Sirineu, Isaías and Marino, from the long-standing frauds the accusations were made to conceal. The initial attacks against you began when Tuca - whose has served time in prison for kidnapping - objected to your attempts to regularize the land documents, an attempt which would of course reveal the fraud.
When Barbara, and on your release, you, suffered all sort of illegal restrictions on you movements, you visitors, and your employees, from the Colina mob, and the Taquara courthouse refused to move a finger in your favor, even permitting the expulsion of Cristiano from his home, you had the idea of purchasing the land under your home, and I tried to answer the question: of the many parcels making up Colina, which did your house sit on?
The land office documentation was all in Portuguese, so the research fell to me. The documentation is far different from an American land registry, giving neither the lengths of boundaries, nor their direction, but merely the size of the parcel and the names of neighbors, or former neighbors. I started with only one certainty, that the Hotel Ocara sat on Parcel 2025, mortgaged to public bank BRDE as a guarantee for a government loan, which was unpaid, and clearly unpayable.
I couldn't make the parcels fit together, despite many, many hours shuffling around filecards with the names of neighbors on each edge. The leading surveyor in Taquara, when I visited him, told me that "the parcels don't meet up."
Finally, I approached the problem as a Brazilian would, rather than an American. However confusing the paperwork at the land registry might be, the people who live in Morro da Pedra seemed to have no confusion and no land feuds. Everyone know what belonged to who. So I spend several days walking around and knocking on doors, asking tracking down former owners or their children. I looked at the named of the street branching off Estrada Integração: unpaved road, with the names on no maps, but on signs at corners, and matching the names in the land registry. I looked at headstones in the cemetery.
All of this - the land registry documents, the interviews with the people of Morro da Pedra, the progressively more correct maps in Google Earth - are documented in the blog. In fact, I think it's fair to say that the land fraud would never have been uncovered without the capacity of hypertext to interconnect related documents, and the aerial images and mapping capabilities of Goggle earth.
Fraud
Let me make this absolutely clear: the public bank BRDE was defrauded when the deed for Parcel 2025 was presented to it as a loan guarantee, when in fact the Hotel Ocara was built on a different parcel, with a value a mere fraction of the loan principal. Dana Wayne Harbour, your neighbor at Colina and fellow American naturist, was also defrauded when he was told that Parcel 2025 underlay the hotel; and when in exchange for his R$250,000 he got 20% of the investment, while He Who Must Not Be Named and his family got 80% in exchange for their investment of R$5,000.
It's a public bank; the never-repaid loan came from the Federal budget, from the taxpayer; the crime is a Federal crime.

Wayne was murdered in his house in Colina do Sol. The police chief told me he couldn't investigate the crime as murder because the coroner said Wayne died of a heart attack; the coroner said, "The case must still be open, it was homicide." That, too, is documented in the blog. The then-president of Colina do Sol is living in Wayne's house; and of course He Who Must Not Be Named is living in the hotel built with Wayne's money, with the taxpayers' money, and the money of other defrauded "investors".
No slander
Brazilian libel law is peculiar. One can describe a transaction, or a series of transactions as fraud, but one can't describe as a "cheat" someone whose every traceable transaction over thirty years was a fraud. Knowing the law, I never broke it.
And in the case of accusation of a crime - presenting false documents to the court, defrauding a public bank - truth is a defense. BRDE Bank was defrauded by the presentation of worthless guarantees for the Ocara Hotel loan. That's proven in the blog.
Fraudulent Bankruptcy
The Taquara Courthouse indicted me for slandering the good name of He Who Must Not Be Named, but in another case at the same courthouse, he's indicted for fraudulent bankruptcy: Naturis Inc. gave its assets to Colina do Sol, leaving a labor judgement in the death of an employee, unpaid.

Colina filed for Naturis's bankruptcy on discovering it had become the owner of Naturis. Quite a number of Colina residents who were present at the meeting where it was decided to ask for bankruptcy, were also indicted - you among them. I wouldn't be surprised though if the Taquara Courthouse feels that it's perfectly OK to say that you were indicted in that case, but not all right at all to say that He Who Must Not Be Named or other members of the Colina mob were indicted.
Truth is the only defense 
As you've learned, Fritz, being accused of a crime that never happened is difficult. You can be proven innocent of a real crime, when the actual criminal is caught. Since it happened, there are traces, and there's a criminal out there somewhere. Unless the real criminal is caught, many people will always think, "They must be guilty or they wouldn't have been accused".

But in the case of an invented crime, how do you show you're innocent?  The police invent such evidence and elicit such testimony as backs up their accusations. Mostly they do it badly, we were able to prove many contradictions, documented in the blog. The one-sided "court secrecy" practiced by the Taquara Courthouse was also a hindrance, allowing the police to freely spread lies, but cracking down on anyone who spoke the truth.
The blog shows the truth. In Portuguese, of course, but still the truth. It's long, it's complex, it's cross-connected, but it answers the questions. The answer to "Why were they accused if nothing happened?" has an answer, and it's "To cover up the land frauds, that they were getting to close to." I believe it was also to cover up the murder of Wayne Harbour, but proving that would require a police investigation, and an investigation of the police.
You are allowed to defend your reputation. The blog is your best defense. It's not possible to eliminate from the blog "any and all reference than can suggest the person of the complainant", because the fraud is the elephant in the room, the motive for the false accusations that led to the false imprisonments, to the deaths that left so many orphans.
I cannot prune the blog, nor can I leave it off the air indefinitely, while the Colina Courthouse, having censored the truth, simply never sets a hearing.
So I'm sending you a copy of the blog. Not a simple task, it took a week of programming to insure that all the links worked - for without the interconnections, the proof underlaying every accusation of a crime on the part of the police, the accusers, the false psychiatrists or the Colina mob, an investigation and documentation that took months of work becomes disconnected chunks of unsupported text.
My blog, www.calunia.com.br, remains off the air. www.calunia.com, without the .br, is your responsibility, just as it is your defense. You are beyond the range of the Brazilian courts. In fact there's an American law, inspired in part by an absurd Brazilian court case against by friend Joe Sharkey, that gives you damages in three times the amount of your legal costs, should anyone down here attempt to attack you.
Best of luck to you and your family.
Cheers,
Richard

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Falso estupro na UVA: erros básicos de jornalismo

Jornalistas se esforçam muito mais para acusar do que para informar. No caso Colina do Sol, na caça as bruxas da Catanduva, nas acusações contra Tio Ricardo em Vila Velha, contra Antônio no Colégio MacKenzie, no caso da creche Gente Inocente, e para esticar a memória, no caso da Escola Base, um mínimo - um mínimo mesmo - de desconfiança, de pensamento crítico, algo menos de um corrida desfreada de ser o primeiro a veicular a próxima acusação, teria evitado colocar inocentes no pelourinho.

Ontem a noite, o Columbia Jornalism Review publicou seu estudo de como a revista Rolling Stone errou na publicação de uma falsa acusação de estupro na Universidade de Virginia. A protagonista, de nome de guerra Jackie, aparentemente inventou o agressor, o local e horário, e contou versões diversas sobre a natureza da violência, como foi amplamente documentado por outro veículos, a investigação mais profundo sendo do Washington Post, que comentou o relatório.

Conclusões dirigidas

Enquanto qualquer análise de uma reportagem falha é bem-vindo, do nosso perspectivo aqui, este tem problemas. A mea-culpa da Rolling Stone termina assim:

Assalto sexual é um problema séria nas universidades, e é importante que vítimas de estupro sejam confortáveis em falar. Ficamos tristes se pensar que sua vontade de assim fazer poderia ter sido diminuída pelas nossas falhas.

Umas frases do Secretário de Redação do Rolling Stone, Will Dana, me preocupam:

“Se eu tivesse sido informado de antemão de um problema ou discrepância com sua problema como um todo, poderiam ter agido nisso muito agressivamente," disse Dana. "Houve muitos outras histórias que poderíamos ter contado nesta peça." Se alguém teria levantado dúvidas sobre quanto que era verificável a narrativa de Jackie, o caso dela poderia ter sido sumarizado "num parágrafo bem em baixo na matéria".

A atitude é a mesma que se encontra no Brasil com estas histórias fantásticas de abuso sexual em escolas: uma vez que a pauta for escolhida, qualquer coisa que discorda, "não é notícia".

Várias matérias em vários veículos americanos, nos últimos anos, tem focado na maneira inadequada em que administrações universitárias tem lidado com acusações de violência sexual. É que, realmente, não é um assunto com que é fácil lidar.

Pelo que entendi do relatório do Columbia Jornalism Review, se o Rolling Stone tivesse seguido boas práticas jornalísticas, teria percebido cedo se que a história de Jackie tinha dificuldades, talvez tipicamente destes casos ... e poderia ter trocada ela por alguém com uma história fácil.

Assim, concordo, poderia ter apresentado administradores universitários como idiotas ou covardes, incapazes de punir estupradores, e repórteres como idealistas corajosos, por olhe como este casos são todos fáceis de entender!

A maneira em que rolou, traz lições maiores do que o bom jornalismo teria trazido. Não é sempre fácil entender estes casos, e acusações não são sempre verdadeiras.

Deferência demais às "vítimas"

Mas não vejo sinais de que as lições foram aprendidas. O relatório, e os matérias que ele gerou, e as pedidas de desculpas, todas terminam com variações do texto da reporter Sabrina Rubin Erdely, citado no NY Times:

Espero que meus error em reportar esta história não silenciam as vozes das vítimas que precisam ser ouvidas.

Duas vezes pediu desculpas as vitimas de estupro, atingidos indiretamente pela reportagem. Não falou a nome da fraternidade diretamente atingida pela notícia falsa.

A realidade desconfortável é que neste caso houve uma voz que não deveria ter sido ouvida, como muitas outras vozes que foram dados ouvidos que não mereciam, como a falsa acusação contra os jogadores de rugby da universidade Duke, a Tawana Brawley, e muitos outros que caíram nas graças da mídia.

Na leitura destas matérias, veio ao mente uma frase de Dorothy Rabinowitz, sobre os processos que um médico acusado de estupro de paciente sofreu: "Despreocupado como imperativos como a necessidade de encorajar vítima de estupro de se manifestarem, o juiz Jeffrey Atlas deu a defesa os diretos normais de questionar as testemunhas."

Balanço desequilibrado

A sistema de justiça é imperfeita (olhe o número de condenados liberados do corredor de morte em anos recentes) mas é o resultado de séculos de tentativas de equilibrar a necessidade de justiça com os direitos do acusado. A criação de um balanço especial para pesar acusações de crimes sexuais, ou nos tribunais ou na mídia, convida acusações falsas, e a condenação de inocentes para crimes que nunca aconteceram.

Tanto violência quando acusações falsas, acontecem

O relatório ainda cita um estatística sobre o número de acusações falsos de estupro, que seria de 2% a 8%. Mas a definição de acusação falso usado neste estudo, é de alegações comprovadas falsas. Até o caso de Jackie, em que a história era inconsistente (a natureza do assalto) e quando verificável, falsa (o estuprador descrito não existiu; a festa em que teria acontecido, não aconteceu) não o qualificaria como "falsa acusação" pelo critério estreito adotado.

Não se pode negar que estupro acontece. Abuso sexual de menores, também acontece. Mas também acontecem acusações falsas, e não são nada raras. Já citamos aqui a afirmação da delegada no núcleo de proteção de crianças de Paraná, de as acusações falsas chegam a 80% das acusações recebidas. Ela também afirmou que "E quanto mais grave ela é, maior é a chance de ser infundada."

A repórter da Rolling Stone se apegou à história de Jackie exatamente por ser a mais grave que encontrou. Estas falsas acusações de abuso sexual que citei acima, também atraíram a imprensa por ser graves.

Mas não é suficiente de que uma acusação seja grave. Tem que ser verdadeira, também. A relaxamento das padrões em deferência as "vítimas certas" não leva ao bom jornalismo nem à justiça. Leva ao linchamento, e que os linchadores portam canetas e câmeras em vez de paus, pedras e cordas, não eleva o moral.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Jornalismo sério: O DIA desvenda caso Creche Gente Inocente

Numa série de matérias que começou ontem com a manchete principal, e continua hoje e amanha, a jornalista Juliana Dal Piva do jornal O DIA do Rio de Janeiro, desvenda o caso do Creche Gente Inocente, onde Paulo Barcellos foi condenado a nove anos de prisão, baseado somente em "laudos psicológicos".

Na essência, um sem-número de homens foram processados ou condenados em acusações de abuso sexual, onde a prova única foi um "laudo técnico" emitido por psicologo. O DIA revelou ontem que um dos psicólogos da DCAV, Dr. Emerson Brant, teve seu registo cassado pelo Conselho Regional de Psicologia, que o condenou pelos mesmas laudos, que a Justiça usou para condenar outros. Revela que o CRP puniu outro, Artur de Oliveira, com censura pública no caso de Paulo. Revelará mais amanha.

Conheço o caso. Já tratamos aqui do Emerson Brant. Faz uns anos encontrei Cristiano Fedrigo no Rio. Jantamos com Elba, mulher do Paulo que luta incansavelmente para sua liberdade e absolvição. Quando Cristiano foi para o consulado americano renovar seu visto, eu fui ao Niteroi conversar com Paulo na cadeia. Para me internar nos fatos; para Paulo saber que houvesse quem se preocupava com sua situação, ainda que nem o conhecia; e servia mas mostrar na minha própria pessoa, de que se consegue sobreviver estas acusações.

O CRP carioca e o CRM gaúcha

A reportágem da Juliana Dal Piva parte das punições do Conselho Regional de Psicologia. O CRP sabia que DCAV fedia, e acolheu e se empenhou nas denúncias trazidas por Elba.

Em contraste, no Rio Grande do Sul fez corpo mole em face da denúncia feita contra a falsa psiquiatra Dra. Heloisa Fischer Meyer. Arquivou a denuncia. Dra. Heloisa não tinha registro de especialização em psiquiatria, nem poderia ter: não tinha qualificações acadêmicas válidas. O arquivamento é vergonhoso, que não redime a honra da Heloisa, mas somente mancha a reputação dos médicos gaúchos.

Os laudos psicológicos válidas no caso Colina do Sol incorrem em muitas dos mesmos erros apontados pelo CRP e O DIA: texto padrão é repetida, e não é o nome de uma criança mas uma data de nascimento que foi confundida.

Porém, os peritos psiquiátricos gaúchos receberem informações do inquérito policial que foram manifestamente falsas, como o a informação de que a diretora da escola de Morro da Pedra relatou "comportamento sexualizada", quando as crianças periciadas, estudaram em outra escola.

Os peritos de Porto Alegre não tinha como saber isso. A Promotora de Justiça da Vara de Infância e Juventude de Taquara, Dra. Natalia Cagliari, tinha a proximidade e até a obrigação de saber das escolas da sua comarca. Mas ou ela não se interessa em promover a Justiça, ou não se interessa pela infância e juventude, ou há outros motivos que não consigo enxergar, ou entender, ou imaginar.

E Antônio do Colégio MacKenzie

No caso do Antônio do Colegio MacKenzie, que nem Paulo foi condenado, a culpa não pode ser atribuído aos psicológicos. Um dos laudos no caso de Antônio disse que "não pode der descartado, por inteiro, a possibilidade de ocorrência de abuso", e a juíza considerou isso prova que houve crime: interpretação que provavelmente assustaria o psicólogo.

Prova frágil na produção, potente no uso

A série de Juliana Dal Piva já revelou que o a atuação de DCAV foi baseada em psicólogos que acabaram punidos pela órgão profissional. Vimos em outros casos - Colina do Sol, Catanduva, Tio Ricardo de Vila Velha - que juízes aceitaram como prova, e as vezes como a única prova, laudos psicológicos que atestaram a veracidade de acusações quer eram desmentidos por relatos objetivos, ou até que foram manifestamente absurdas.

Haverá mais a dizer, quando a série fecha amanha, e durante sua repercussão, que deverá ser longo e barulhenta.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Universidade de Virgina e Colegio MacKenzie

Gente acusando, antes da acusação desmoronar.

Um reportagem de Rolling Stone em novembro sobre um suposto estupro múltiplo na Universidade de Virginia ganhou destaque enorme nos EUA, provocando especialmente uma reação de feministas de que o caso "comprova a cultura de estupro". Posteriormente, a revista se distanciou da matéria, depois de que uma série de reportagens no Washington Post e outros veículos, comprovaram que a suposta vítima, "Jackie", contou versões contraditórias, e que fabricou muitos detalhes, começando antes do suposto estupro.

A reação à reviravolta foi dos mais previsíveis: os mesmos "centos feministas", "defensores de vítimas", etc. gritaram que apesar das inconsistências, "algo aconteceu"; oferecerem estatísticas duvidosas alegando que acusações falsas de estupro são raríssimas; dizerem que se a história de Jackie seja verdadeira ou inexata é somente uma história e o que importa é que "há uma cultura de estupro nas universidades".

As evidências e a verdade que se danem: é essencial acreditar nas acusações.

Enquanto isso, temos no Brasil a condenação do monitor de alunos Antônio por supostamente ter passado a mão em três alunas de três anos de idade, no colégio Mackenzie Tamboré.

O Mackenzie é amplamente dotado de câmeras de monitoramento CCTV. O delegado pediu as fitas do dia do suposto assalto: Antônio não foi para o prédio em nenhum momento aquele dia. Pediu as fitas da semana anterior: Antônio não foi para o prédio aquela semana. Parou, então, de pedir fitas, e não incluiu os que já pediu no inquérito. Os laudos médicos negativos, ficaram seis meses acumulando poeira, enquanto Antônio estava preso. Conforme G1/Globo:

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os laudos sexológicos e do computador não eram fundamentais para comprovar a principal tese da investigação, a de que as crianças teriam sofrido abusos sexuais.

Um inquérito policial é, obviamente, o registro da investigação do caso, não é uma tentativa de comprovar uma tese. Se for isso, todo laudo negativo, todo exame DNA, todo relato de testemunha que comprovasse a inocência do suspeito, ia para o lato de lixo. Presumo que a citação do Globo está incompleto ou incorreto. Notou que em outro caso famoso de falsa acusação de estupro recente nos EUA, o caso do time de lacrosse de Duke, o promotor perdeu o cargo e a carteira de advogado exatamente por ter escondido evidência que comprovassem a farsa.

Mas da maneira que está, e pela sentença da juíza, seguiu a mesma prática dos "defensores de vítimas" dos EUA: As evidências e a verdade que se danem, é essencial acreditar nas acusações.

Rabinowitz apontou o valor da acusação certa

O problema enfrentado pelo Antônio não é o mesmo do caso dos EUA. E bastante pior. No Virginia, Jackie apontou um horário e local, um fraternidade. Mas não acusou indivíduos. Ninguém ficou preso por conta das mentiras de Jackie. Antônio está preso desde maio. Ainda, há quem se arrisca em atacar a credibilidade de Jackie, e a universidade e a fraternidade, encontram seus defensores.

Dorothy Rabinowitz, no seu livro "No Crueler Tyrannies", sobre a onda de acusações de abuso de crianças em escolinhas, descreve nas pp. 17-18 as dificuldades encontrados por um advogado que resolveu ajudar um inocente falsamente condenado:

... o advogado de direitos humanos Morton M. Stavis resolveu assumir o caso pro bono. Durante este empreendimento, Stavis recebeu seu primeiro aprendizado no atitude que tais casos gerem no seu próprio mundo político. Ele logo descobriria que o Centro para Direitos Constitucionais, sediado em Novo Iorque e do qual ele era um co-fundador - uma agência enfaticamente dedicada aos causos da esquerda - não queria nada a ver com o caso. Advogando para as garantias processuais em favor de alguém acusado de abuso sexual de crianças violava as posições politicamente progressivas que muitos no centro abraçavam. Este caso, diziam para Stavis, era totalmente errado para eles.

Tais atitudes para casos de abuso sexual de crianças - para, mesmo, todos os crimes envolvendo categorias especiais de vítimas como mulheres e crianças - não eram raros. No final dos anos 80, como hoje, houve um corrente de opinião política avançada que tinha a visão de que para defender aqueles falsamente acusados de abuso sexual seria minar a batalha contra abuso sexual de crianças; seria trair crianças e todas as outras vítimas de predadores sexuais. Conseguir reverter condenações nestes casos seria mandar um recado desencorajador para as vítimas, e encorajar predadores.

Onde prevalece raciocínio deste tipo, os fatos de um caso foram simplesmente irrelevantes. O que importava era o recado - de que tais crimes eram singularmente abomináveis e deveriam ser punidos adequadamente.

Nos Brasil também, há uma enorme desinteresse no parte dos defensores de direitos humanos, em defender os humanos acusados de crimes politicamente inconvenientes. Digo da experiência própria em tentar encontrar apoio para lutar contra injustiças deste tipo.

Condenação desproporcional

Ainda, a sentença de 13 anos e uns meses, é desproporcional. O jornalista Pimenta Neves foi condenado em primeira instância ao 19 anos pelo assassinato da namorada. Uma das acusadoras da caça às bruxas de Catanduva, Roseli Cristina Prudêncio, foi condenada ao somente 5 anos e 4 meses pelo sequestro e tortura do jovem William. Um dos acusadores do caso Colina do Sol, João Ubiratan dos Santos, vulgo "Tuca", foi condenado ao 6 anos de reclusão, também por sequestro.

O que fazer?

O colégio Mackenzie fez uma mudança sábia. Aprendeu do caso de Antônio. Aprendeu também, talvez, do caso do Tio Ricardo em Vila Velha, ES; do caso do Pablo em Mendes, RJ; do caso do Paulo da creche Gente Inocente no Rio de Janeiro.

Mackenzie transferiu todos os monitores masculinos fora a educação infantil.

Reconheceu que contra uma acusação destes, não existe defesa.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Os 10 melhores piratas

O jornal britânico The Guardian brindou seus leitores no dia 28 de novembro com um relato dos dez melhores piratas.

Procurando a explicação real das falsas acusações no caso Colina do Sol, chegamos aos fraudes de terras, e analisamos vários dos negociatas do eterno Capitão da corja da Colina, frequentemente aqui apresentado com iconografia de pirata.

Já explicamos a escolha de pirata, em grande parte devido à disponibilidade de imagens de pirata, antigas e fora de copyright. Olhando a matéria do Guardian encontro pelo menos três desenhos que já aparecerem aqui no blog.

Também, há tantas referência a piratas. Tantos até que que conseguimos vários piratas pelados entre vários piratas bons da literatura.

As dez escolhidos pelo Guardian são não somente dos melhores, mas também dos bons: " Lafitte stayed loyal to his adopted homeland and helped General Andrew Jackson defeat the British fleet in exchange for a full pardon," fala de número dois; e "This civilised seadog preferred tea to rum, dressed in his finest clothes for battle and made his crew agree to a strict 11-point code of conduct," de número quatro.

Vimos, então, que piratas não são de todos ruins na realidade, nem nas homenagens prestadas na literatura, e a caracterização como pirata não é em si necessariamente pejorativa ou ofensiva.

Porém, numero 10, Henry Every aparece na ilustração acima ofuscado pelo 11º Doctor de Doctor Who, cuja frase de efeito mais famosa é "Gravatas borboletas são bacanas." Até piratas encontram seus limites.